sábado, 1 de maio de 2010

O clássico calor da luta

Acusado de não saber ganhar quando só sabia vencer, o FC Porto tem por estes dias a cabeça a prémio à conta de uma certa histeria nacional em volta da incapacidade portista de não saber perder. Temem que, sem os cabelos pintados, os jogadores do FC Porto percam a cabeça e os adeptos se esqueçam de bater palmas se no final do jogo o rival acabar consagrado campeão. Há, pelo meio, o receio que a PSP do Porto não tenha mão para os adeptos azuis e brancos, sendo que há pelo menos uma mão do lado encarnado que não soube ganhar depois de tantos anos a perder. Os quatros dedos da mão esquerda de Jorge Jesus usados para reposicionar a defesa do Benfica feito o 4-0 ao Nacional de Manuel Machado, são tão frágeis como um telhado de vidro de quem atira pedras. Haja civismo nos actos, claro, mas haja razão nas palavras até porque sendo o futebol uma paixão tão grande e irracional - os jornais de Madrid celebraram a eliminação do Barcelona aos pés de José Mourinho e ninguém falou de "ser espanhol quando se trata de jogos internacionais" - uma palavra pode ser mais incendiária do que um fósforo humedecido com gasolina.

Alcides Freire n'O Jogo.

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