sexta-feira, 29 de abril de 2011

Porto - Villarreal

Resumo alargado do jogo, declarações de André Villas-Boas e de alguns jogadores no blog SÓ POR DESPORTO.

RADAMEL GARCIA FALCAO

Capas de 29 de Abril de 2011



Rui Moreira n' A Bola



Francisco José Viegas n' A Bola


Liga Europa - Porto vence

FCPorto 5 -Villarreal 1.


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Capas de 28 de Abril de 2011

André Villas-Boas - Favoritos, nós? Nem pensar...

André Villas-Boas rebateu o favoritismo que o Villarreal atribuiu ao FC Porto e sublinhou que a eliminatória não se decidide hoje. O adversário, mesmo estando longe de fazer sombra ao FC Porto em termos de palmarés e história, é de respeito e a prová-lo está o papel que os espanhois vêm desempenhando no campeonato, onde têm conseguido resultados regulares que lhe permitem entrar nas competições europeias ano após ano.

Como define as hipóteses do FC Porto chegar à final?

São contas que não costumo fazer, porque não têm valor. O futebol é imprevisível; não há favoritos e tudo pode acontecer numas meias-finais. Grandes equipas ficaram pelo caminho nesta competição. Vamos tentar manter-nos dentro da nossa identidade e daquilo que temos vindo a fazer, num jogo que é extremamente complicado para o FC Porto. Refutamos em absoluto qualquer ideia de favoritismo. Não sei onde é que os jogadores do Villarreal foram buscar esse sentimento, porque é um adversário que respeitamos. Será uma eliminatória para resolver a duas mãos e esperar que a nossa competência seja suficiente para passar.

Considerando o trajecto na Liga Europa, esta é a equipa mais difícil?

Penso que sim. Acima de tudo, há que valorizar a identidade de ambas as equipas, que mantiveram, durante toda a época, estilos de jogo agradáveis. O Villarreal joga um futebol atacante de grande qualidade; é uma equipa cujo estilo foi comparado há muito pouco tempo com o do Barça: joga bem, com gosto e prazer pelo que faz. Nós também temos gosto e prazer pelo que fazemos; um choque entre duas equipas destas nesta fase da competição é algo que valoriza a competição em absoluto, até por ambos termos crescido ao longo desta Liga Europa. É um privilégio para a UEFA.

O Villarreal pode ser uma grande equipa, mas a verdade é que tem a sala de troféus vazia, o que cria uma certa urgência em conseguir uma grande vitória. Isso não torna a equipa espanhola mais perigosa?

O Villarreal já esteve numa meia-final da Champions contra o Barcelona em que poderia, perfeitamente, ter passado. Parece-me um clube que caminha atrás do sucesso e tenho a certeza de que um dia chegará lá, está cada vez mais perto disso. Na Liga espanhola, graças aos resultados regulares que tem alcançado, vai estando no topo e conseguindo jogar nas competições europeias, que é sempre um objectivo. Se não tem troféus, um dia vai acabar por ganhar, porque a qualidade está aí e trata-se de uma equipa muito bem orientada por um técnico que cedo começou a triunfar no clube. Além disso, tem toda uma estrutura de competência que um dia colherá certamente os seus frutos.

Pede-se Dragão cheio e ambiente intenso

O apoio dos adeptos do FC Porto tem sido incansável esta época e a verdade é que motivos para festejar não têm faltado. Para este jogo que pode lançar os azuis e brancos noutro sonho, o técnico aproveitou para fazer passar uma mensagem: "Nada fazemos sem este apoio e sem a tranquilidade dos adeptos, que é decisiva para nós. Ter o Estádio do Dragão cheio é intenso e decisivo para o futebol actual. Se puder ter um ambiente de constante apoio, será óptimo".

Contra a repescagem da UEFA... outra vez

A questão das equipas que transitam da Liga dos Campeões para a Liga Europa voltou a estar em foco, sobretudo porque a esta fase da competição chegaram Braga e Benfica. Mas nem foi por aí que o técnico voltou a uma questão que tem sido recorrente. Villas-Boas até reconheceu mérito às equipas portuguesas. "Gostava um dia de poder confrontar quem decide, ou quem organiza as competições da UEFA. Não se compreende que uma equipa que saia da fase de grupos da Liga dos Campeões venha parar à Liga Europa, porque as que realmente atingem um objectivo na Champions são as que saem nos oitavos ou nos quartos-de-final e que, neste contexto, ficam arrumadas das competições europeias mais cedo. Mas, as que terminaram a fase de grupos em terceiro lugar é que acabam premiadas e podem continuar numa competição europeia em Abril. Quem é que merece mais? Se há umas que terminam no terceiro lugar da fase de grupos com sucesso, casos de Braga e Benfica, que fizeram oito ou nove pontos, também há as que têm a oportunidade de vir parar à Liga Europa depois de terem feito só três ou quatro pontos na Champions. Não faz muito sentido", sustentou.

"Só se vierem cá ver-me passear o fato em campo"

Villas-Boas rotulou de "absurdas" as últimas notícias que apontam a Juventus como estando interessada em contratá-lo e sobretudo de "ridícula" a parte que referia que dois emissários aproveitariam o jogo para o observar. O técnico ironizou de certa forma, quando disse que, se viessem ao Dragão, seria apenas para o verem passear o fato que vai usar e pouco mais. "As especulações são naturais, tendo em conta o que a equipa vem fazendo, mas são informações falsas, porque chegar ao ponto de dizer que alguém vem ver um treinador é um absurdo, porque num jogo um treinador não faz mais nada do que passear um fato", explicou. Aliás, o técnico que já fez várias juras de fidelidade ao clube do coração deu outro exemplo do ridículo em que se tem caído neste alegado mercado de interesses: "Repare, por exemplo, no caso do Roma e no tipo de histórias que se construíram sobre o facto de eu ter dito não ao Roma, em Lisboa, onde me teria reunido com um dirigente, que nem sequer era dirigente do Roma, e de eu lhe ter dito que não, porque ia para o Liverpool! É o absurdo e o ridículo a que se chegou."

"Sevilha e Villarreal têm uma identidade muito diferente"

Tendo em conta que já defrontou o Sevilha esta época, esta equipa do Villarreal é muito diferente, para melhor, pelo seu ataque, defesa, individualidades, ou pelo seu colectivo? Como é que vê este Villarreal, que curiosamente perdeu contra o Sevilha na última jornada?

É importante desligarmo-nos um pouco daquilo que aconteceu entre essas duas equipas. Não é por pensar que o FC Porto ultrapassou o Sevilha e que o Villarreal perdeu lá que somos superiores. Eles fizeram a gestão de alguns jogadores, perderam 2-0, mas podiam ter ganho. Portanto, não é comparável com o que aconteceu, nem nos traz qualquer vantagem, porque as identidades dos dois clubes são diferentes. O Villarreal tem vindo a construir uma posição sólida na Liga e ambiciona ainda mais, pelo que não me serve de experiência, porque são estilos completamente diferentes entre equipas de topo da Liga espanhola, num campeonato que conta com os melhores jogadores do mundo.

Luz renovou motivação

Se a vertente física é sem dúvida um aspecto a ter em conta, quando a temporada entra na sua recta final e as decisões começam a surgir nas mais diversas competições, o certo é que o aspecto psicológico não é menos importante e, muitas vezes, surge de mãos dadas com algumas vitórias saborosas. No último jogo disputado, o FC Porto voltou a vencer o Benfica, na Luz. Com isso garantiu o acesso à final da Taça de Portugal e tem ao seu alcance a possibilidade de vencer o troféu pela terceira vez consecutiva. "Foi uma vitória com um impacto óptimo para nós, emocionalmente forte", comentou, aproveitando a oportunidade para revelar a ambição que daí decorreu: "Não nos podemos desligar do objectivo de ganhar o troféu, porque será uma grande oportunidade para o FC Porto de o ganhar três vezes seguidas. Nunca aconteceu, esse sentimento invade-nos e tem muito mais valor se o conseguirmos."

Experiência

"Sei a posição que ocupava na altura em que estive nas meias-finais da Champions e da UEFA. Neste momento, a posição que ocupo não tem nada a ver. Quem tem mais experiência e mais para me dar agora são os jogadores. Tem mais valor para mim o facto de eles já terem tido estas experiências noutras competições"

Ansiedade

"Há um sentimento de grande alegria que nos invade por estarmos aqui, porque é uma competição de valor extremo. Não posso oferecer mais aos jogadores do que eles me oferecem a mim. Nós apenas guiamos as suas capacidades, mas são mais eles que nos têm levado ao sucesso do que nós a eles"

Paragem

"Não sei se é mais vantajoso ter tido o tempo de trabalhar bem em termos estratégicos, porque mantivemo-nos competitivos com uma grande sobrecarga de jogos. Se ganharmos é bom, se perdermos será mau. Não sei que impacto é que a paragem vai ter. Mais importante é que possam exprimir em campo o seu potencial"






António M. Soares n' O Jogo.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

João Moutinho entrevistado pel' O Jogo

"Já tenho saudades de ganhar títulos"

Era a entrevista que faltava e se exigia depois da brilhante exibição no Estádio da Luz. De resto, é a primeira grande entrevista de João Moutinho desde que assinou pelo FC Porto. Sem pressas, Moutinho conversou com O JOGO e não deixou nenhum tema sem resposta, ainda que tenha evitado ser polémico quando abordou o passado de leão ao peito. Assinar pelo FC Porto, a 4 de Julho de 2010, revelou, "foi o grande salto e a melhor decisão" da sua carreira, tomando-a para somar títulos. Ele que nos seis anos em Alvalade venceu apenas duas Taças de Portugal e duas Supertaças Cândido de Oliveira. No FC Porto pode igualar esse número de troféus logo na primeira época. Aliás, festejou um na estreia oficial com a camisola 8 dos dragões: a Supertaça Cândido de Oliveira. No início de Abril, garantiu o título nacional - o primeiro do currículo - e logo no Estádio da Luz, palco onde, na última quarta-feira, fez o golo que abriu o marcador numa "remontada" da Taça de Portugal que considerou histórica. Foi apenas o segundo golo da época do médio que admitiu ter de melhorar no aspecto da finalização.

A ambição de João Moutinho não conhece limites e, menos de um mês depois dos festejos na casa do grande rival, já colocou o contador a zeros. "Queremos sempre mais e espero dar continuidade". Uma afirmação curiosa, que, sublinha, espelha bem o sentimento do todo o grupo de trabalho do FC Porto. "É como diz o nosso autocarro: 'este é o nosso destino'", lembrou, admitindo que, mesmo depois de todas as provas de qualidade, "toda a gente está à espera de um tropeção do FC Porto".

Por isso, a concentração continua a ser absoluta para o embate com o Villarreal e a definição da Taça de Portugal, com o Guimarães, as duas provas que ainda estão em aberto para os dragões. Com um percurso praticamente imaculado na Liga Europa, o médio admite que será uma enorme desilusão não chegar a Dublin, onde não tem preferência pelo adversário, mas alerta para a dificuldade que será defrontar uma equipa "que está a fazer um grande campeonato em Espanha".

Quando assinou pelo FC Porto, imaginava uma época assim?

Sabia que em todas as competições iríamos fazer o melhor para conquistá-las. Felizmente, logo no início da época conseguimos uma, a Supertaça, e com algumas jornadas por disputar garantimos o título. Agora, temos mais duas competições superimportantes que queremos conquistar.

Puxando o filme atrás, ainda se recorda do primeiro dia no clube?

Lembro-me de que senti uma grande vontade de treinar e de ir para dentro do campo para me ambientar da melhor forma e estar bem para ajudar o clube.

E, nessa parte inicial da mudança, não estranhou deixar de lado a responsabilidade de ser o capitão? Não sente saudades disso?

Não. Estamos muito bem entregues com o Mariano, o Helton e o Falcao. Tenho é saudades de ganhar títulos.

Saudades? Mas o último ganho foi só há três semanas...

Pois, mas já tenho saudades. Como estamos a tomar-lhe o gosto, espero dar continuidade. É isto que nos leva a evoluir. Queremos sempre mais, há sempre objectivos para atingir.

"Aqui aprende-se rápido a ser um jogador à Porto"

Pinto da Costa já o achava, em 2008, um jogador à Porto. O médio garante que aprendeu rápido a sê-lo e que nunca sentiu nas costas o peso dos milhões da sua contratação.

Assinar pelo FC Porto foi a melhor decisão da sua carreira?

Sem dúvida. Felizmente tomei esta opção e agora quero dar continuidade para ajudar o FC Porto.

Chegou a sentir o peso da responsabilidade dos milhões da sua contratação?

Não. Aquele valor foi o que os clubes acharam que era o indicado. Só tenho de trabalhar; não para justificar o dinheiro que o FC Porto pagou por mim, mas para justificar por que razão estou aqui, uma vez que nem todos podem vir para o FC Porto. Eu tenho esse privilégio.

Quando chegou ao FC Porto, encontrou aquilo que esperava?

Não. Para ser sincero, superou as minhas expectativas. Conhecia o FC Porto de fora, e apenas pelo que me diziam jogadores que passaram por esta casa. Existe uma organização muito grande em prol do mesmo objectivo: as vitórias do FC Porto. Todos trabalham no dia-a-dia, seja quem for, para ajudar o clube a ser melhor. Não quero com isto dizer que não aconteça noutros lados, mas aqui acontece com mais força. Deram-me tudo o que preciso para desenvolver o meu trabalho.

Sente-se um jogador à Porto, como dizia Pinto da Costa?

Todos os que chegam a este clube aprendem rapidamente a ser um jogador à Porto. Temos demonstrado isso ao longo da época: um grupo coeso, unido e fechado, com o único objectivo de sermos os melhores em tudo. Felizmente, é o que temos demonstrado. Mas precisamos continuar da mesma forma para tornar esta época histórica.

Quando Pinto da Costa disse publicamente que o achava um jogador à Porto, imaginava que chegaria a jogar no clube?

Nunca pensei nessa hipótese. Fiquei satisfeito com os elogios, mesmo sendo, na altura, de um presidente de um clube rival. Mas, naquele momento, não passou disso mesmo. No entanto, agora que se concretizou, sinto que foi a melhor solução para mim.

Falou-se muito, quando estava no Sporting, da possibilidade de sair para o estrangeiro. Assinar pelo FC Porto foi o grande salto da sua carreira ou continua com vontade de experimentar outras ligas?

Este foi o grande salto. Não quero dizer que não possa haver mais, mas estou supersatisfeito no FC Porto que, como dizem as estatísticas, é um dos melhores clubes do mundo. Por isso, quero continuar a dar o meu melhor para conquistar mais títulos. Quanto a situações futuras, não sei de nada.

Acha possível cumprir no Dragão um ciclo de seis anos como no Sporting?

Tenho cinco anos de contrato... Só se depois renovar [risos]. Espero cumprir o contrato. Depois, só admito sair se agradar a todas as partes.

Conquistou quatro títulos em seis anos de Sporting. No FC Porto já leva dois em poucos meses. Qual é a diferença entre os dois clubes?

A mensagem que está no autocarro do FC Porto é importante e diz: 'este é o nosso destino'. Ou seja, vencer é o nosso destino. Se lá está, por alguma razão é. Como já referi, aqui toda a gente trabalha em prol do mesmo objectivo e assim tudo se torna mais fácil.

Sente que está toda a gente à espera de um tropeção do FC Porto?

Sinto, mas isso dá-nos ainda mais força para continuar a ganhar. Vamos provar a essas pessoas que estamos fortes e que queremos vencer mais títulos até ao final da época.

"Maçã podre? Já todos perceberam que era mentira"

José Eduardo Bettencourt acusou-o de ser uma maçã podre no Sporting, mas pouco tempo depois também disse que o João era um excelente profissional. Consegue explicar esta bipolaridade de opiniões?

Só ele a pode explicar. Tudo o que fiz e que tenho feito é para ajudar o clube que represento. Dei o máximo no Sporting, tal como estou a dar o máximo no FC Porto. Essas palavras, só o presidente Bettencourt as poderá explicar. Se assim entender...

Mas, na altura, ficou magoado com essas declarações?

Não tenho muito a dizer sobre isso. Ele disse o que achou que devia dizer.

Acha que terá sido uma tentativa de Bettencourt explicar a sua saída aos adeptos do Sporting?

Se calhar, mas só ele é que poderá confirmá-lo. Aqui, no FC Porto, fiz com que todos percebessem que era mentira. Aliás, os meus companheiros sabem o quanto os ajudei enquanto lá estive. Tenho muitos amigos no Sporting e continuo a conviver com eles. Sou e sempre fui a mesma pessoa.

Escreveu-se que não era respeitado enquanto capitão e que forçou a saída. Isso corresponde à realidade?

Houve muita especulação. Depois de tudo o que foi dito, mentalizei-me que tinha de demonstrar dentro do campo que era tudo mentira. Foi o que fiz e estamos a realizar uma grande temporada. Já ultrapassei isso, coloquei tudo para trás das costas e, na altura, pensei apenas no futuro e nunca no passado. Uma coisa é certa: vou continuar a trabalhar sempre da mesma forma.

"Não me lembro de ter recusado treinar com Paulo Sérgio"

No meio das muitas linhas que se escreveu sobre João Moutinho nos últimos tempos no Sporting, chegou a falar-se sobre uma alegada recusa do médio em participar num treino sob as ordens de Paulo Sérgio. A resposta sobre o assunto foi vaga. "Não me lembro disso. Tenho uma boa relação com o Paulo Sérgio, que até me enviou recentemente uma mensagem de felicitações. É um treinador que aprecio e que, infelizmente, não teve sucesso no Sporting", limitou-se a afirmar.

"Nós é que tornámos o campeonato fácil"

A Liga foi tão fácil de ganhar como os números deixam entender?

Isso é uma ideia errada. Nós é que o tornámos mais fácil por tudo o que mostrámos e pela vontade que tivemos em ganhar os jogos. Só temos dois empates, o que é fantástico. A nossa ambição e qualidade tornou tudo mais fácil. Sem dúvida.

Qual foi o momento decisivo para a conquista do título de campeão?

Cada vez que íamos passando mais uma etapa, a confiança aumentava, assim como a certeza de que seríamos campeões. Todos os jogos foram importantes mas, por exemplo, o jogo em Olhão foi muito complicado. Chegámos ao intervalo empatados e fizemos um grande esforço. Também há aqueles em que ganhámos por 1-0, mas que foram importantes para fortalecer o grupo.

Um dos méritos foi precisamente esse: vencer mesmo quando a equipa não jogava bem?

Acho que sim. Lá está, é a nossa vontade de vencer. Damos tudo e temos conseguido ganhar.

Quem é o melhor jogador do campeonato?

A melhor equipa é o FC Porto... jogadores são alguns. Posso destacar o Hulk e o Falcao.

"Reviravolta na Taça de Portugal foi histórica"

O FC Porto melhorou na segunda parte do jogo da Luz. O que aconteceu ao intervalo?

Entramos para todos os jogos com o intuito de vencer, mas tínhamos uma grande desvantagem para anular no campo de um dos grandes rivais. Tentámos controlar o jogo, sabendo que se o Benfica marcasse nos traria ainda mais problemas. Não arriscámos tanto na primeira parte, mas na segunda entrámos com tudo, até porque não tínhamos nada a perder. Tudo nos saiu bem e conseguimos uma vitória histórica.

Por ter sido uma "remontada", este triunfo da Taça foi mais saboroso do que o do campeonato na Luz?

Todas as vitórias são saborosas, seja em que campo for. Claro que esta foi boa, porque nos colocou na final da Taça, para além de nunca se ter visto uma reviravolta desta magnitude. Isto dá-nos ainda mais confiança e moral para os próximos desafios.

Uma provocação: deu-lhe mais prazer festejar às escuras ou com as luzes acesas?

[risos]. Cada uma à sua maneira, foi uma enorme alegria. Numa conquistámos o campeonato, na outra o acesso à final da Taça. Ambas foram festejadas com grande euforia.


"Tenho de marcar mais golos"

Esta é a sua melhor época a nível individual?

Não sei. Pelo menos é uma das melhores. No Sporting também fiz boas épocas, estivemos muito perto de conquistar algumas coisas, mas nunca com a actual série de vitórias ou ainda com os jogos de elevado nível que temos feito. Mas ainda falta muito para ser considerada a melhor...

Fábio Coentrão disse há tempos que o golo apontado no Dragão foi o que lhe tinha dado mais gozo marcar. E o seu, foi na Luz?

Não. Foi um golo importante, mas apenas porque abriu o marcador e deu-nos a esperança de passar a eliminatória. Não foi o melhor. Espero que os melhores venham mais tarde.

Mas esse foi o seu melhor jogo com a camisola do FC Porto...

Foi um jogo bem conseguido, tanto da minha parte como da equipa, mas não sei se foi o melhor. O golo deu-me mais confiança, mas a minha exibição só ganhou importância a partir do momento em que passámos a eliminatória porque, seguramente, se tivesse feito o mesmo jogo e não tivéssemos ganho, não teria sido considerado o melhor em campo. Há que realçar é a nossa vitória.

Admite que um médio com as suas características tem de marcar mais golos?

Sim, claro. Sei disso e penso nisso. Na hora da verdade não arrisco tanto como devia. O trabalho que faço é para ajudar o FC Porto, tento tomar as melhores opções e, contra o Benfica, senti que o melhor era rematar. Felizmente fiz golo. Como se costuma dizer, quem não arrisca não petisca, e eu tenho de arriscar mais vezes...

Passou seis anos no Sporting a jogar em 4x4x2, mas o FC Porto privilegia o 4x3x3. Foi fácil a mudança?

Foi fácil porque antes de subir aos seniores sempre joguei em 4x3x3 nas camadas jovens. Com o mister Paulo Bento usávamos o 4x4x2 losango, mas, quando ia à Selecção, voltava a jogar em 4x3x3. Identifico-me bem com os dois esquemas tácticos. Para além disso, quando cheguei ao FC Porto todos me ajudaram imenso e essa é a forma mais fácil para nos ambientarmos.

Concorda com a ideia de que parece melhor jogador no FC Porto?

Sempre fui o mesmo. Se calhar as coisas estão a correr melhor aqui do que no Sporting. E a equipa também ajuda. Com a idade que tenho - e eu queria ser mais novo [risos] - estou sempre a evoluir e a tentar aprender cada vez mais. E tenho de perceber, por exemplo, que posso arriscar para fazer mais golos.

Como é que aguenta fazer tantos jogos por época?

Não há segredo. Para o conseguir, tenho de descansar bem e ter uma boa alimentação nas horas certas, essa é a melhor forma para estar na máxima força. Depois há a gestão feita pelo clube.

"Será uma desilusão não chegar a Dublin"

Qual é a expectativa para o jogo com o Villarreal?

Vamos entrar para ganhar, como sempre. Sabemos que vai ser uma eliminatória extremamente difícil, frente a uma equipa que está muito bem no seu campeonato. Mas temos as nossas possibilidades e queremos fazer um bom resultado no Porto para podermos passar à final.

O FC Porto tem 12 vitórias em 14 jogos na Liga Europa. Seria uma frustração não chegar à final?

Depois de tudo o que fizemos, seria uma grande desilusão. Todos temos esse sonho, que é legítimo também para as outras três equipas ainda em prova. Nesta altura, será uma desilusão para qualquer equipa não chegar a Dublin. Mantemos as nossas esperanças intactas, porque temos equipa para passar, mas é dentro do campo que temos de demonstrar que podemos vencer este Villarreal.

É uma equipa muito diferente das russas...

Faltam alguns dias para o jogo e ainda temos tempo para aprofundar tudo ao pormenor. O mais importante passará por nos mantermos fiéis ao nosso estilo de jogo, sem descurar, no entanto, os pontos fortes do nosso adversário. Vamos estudá-lo bem, mas, pelo que se vê e ouve, é uma grande equipa, com excelentes jogadores.

Tendo em conta o momento, considera que o FC Porto parte como favorito?

Penso que é 50/50; temos as mesmas probabilidades do Villarreal. A excelente campanha que estamos a realizar não nos dá favoritismo. Teremos de demonstrar em campo que somos mais fortes e vamos trabalhar para isso. Aproveito a oportunidade para pedir o apoio do nosso público para este jogo. Espero que encham o estádio, porque ainda há muita coisa para conquistar.

São muitas as pessoas que dizem que este FC Porto pertence à Champions e não à Liga Europa...

Na próxima época vamos ser, de certeza, da Liga dos Campeões... Ganhá-la? É sempre imprevisível, não sabemos o que se vai passar. Neste momento, estamos na Liga Europa, que é uma taça importante. Não vamos pensar já na próxima época, porque ainda há muito para vencer este ano se quisermos, realmente, entrar para a história.

Braga ou Benfica. Que equipa prefere na final?

Todos têm as mesmas hipóteses. Mas o que eu queria mesmo era estar na final...

"Não sei qual é o perfume dos adversários"

Afinal, qual é o segredo de André Villas-Boas?

É o trabalho e a confiança que nos transmite para darmos o melhor em campo. Para além das questões técnico-tácticas, considero que isso é o mais importante.

Tendo em conta que ele foi observador, continua a preparar tudo ao pormenor?

Prepara-nos muito bem, mas não conheço o perfume dos adversários... Ele consegue sempre identificar os pontos fortes dos nossos rivais e, quando entramos em campo, sabemos tudo o que temos de fazer para vencer os jogos.

No início, criou-lhe alguma confusão o facto de ele ser tão novo?

Não, da mesma maneira que aos jogadores jovens não faz qualquer tipo de confusão ter um treinador mais velho. Não me fez confusão nenhuma, até porque ele já tinha demonstrado todo o seu valor na Académica, que estava a atravessar uma fase menos positiva antes de ele ter chegado. Para reforçar essa ideia, basta ver o que ele está a alcançar no FC Porto, que é apenas mais uma demonstração do seu valor.

"Até a minha filha já sabe a música"

A contratação de João Moutinho foi recebida com entusiasmo pelos adeptos do FC Porto, de tal forma que o médio teve direito a uma música personalizada logo no primeiro jogo que realizou pelos dragões. "Confesso que, quando a ouvi pela primeira vez, não percebi muito bem o que os adeptos estavam a cantar. Mas, depois, quando acabou esse jogo, fui logo ver ao Youtube. Achei extraordinária e, felizmente, concretizou-se... Estou agradecido por tudo e prometo continuar a dar o máximo para oferecer mais alegrias aos adeptos". E, agora, será que Moutinho já consegue cantar a música sem recorrer a uma cábula? "Claro que sim. Já a sei de cor. Até a minha filha, que nem sabe falar, já a conhece porque eu estou sempre a cantar em casa".

"É preciso saber conquistar a Taça no relvado"

Nunca o FC Porto conquistou três Taças de Portugal consecutivas, mas depois de vencer o Benfica no Estádio da Luz, esse é um objectivo que ficou mais próximo. No entanto, ainda falta discutir a final com o Guimarães. Moutinho não adivinha facilidades para esse jogo, nem tão pouco para todos os outros que sobram. "Se nos desconcentrarmos dos nossos objectivos nesta fase final da época de certeza que ninguém falará de nós... Temos jogos importantes pela frente, a começar já pelo da próxima quinta-feira", explicou, antes de falar especificamente das expectativas que tem para o embate do Jamor. "É mais uma final que queremos vencer, tal como acontecerá com o Guimarães. Na forma que estamos actualmente, sabemos que temos capacidade para superar qualquer adversário, mas não basta afirmá-lo. Não pode ser só uma convicção que sai da boca para fora. Por isso, temos de conquistar a Taça no relvado".

"Ausência do Mundial? Queiroz que explique, se quiser"

O que sentiu quando teve conhecimento que iria ficar de fora do Mundial da África do Sul?

Foi uma das maiores desilusões da minha carreira, juntamente com a derrota pelo Sporting na final da Taça UEFA; aliás, nessa época, podíamos ter vencido o campeonato e a Taça UEFA no Sporting e perdemos tudo na mesma semana. Foi uma grande desilusão. Mas, e regressando à Selecção, sem dúvida que foi uma grande frustração não ter ido ao Mundial, sobretudo depois de ter estado presente em todas as convocatórias da Selecção Nacional.

Carlos Queiroz admitiu recentemente que se arrependeu de não o ter levado ao Mundial...

Ele é que terá de justificar as suas palavras. Tentei olhar sempre para a frente porque e, sendo novo, acredito que ainda vou a tempo de ter mais oportunidades para alcançar o objectivo de estar presente num Campeonato do Mundo.

Carlos Queiroz explicou-lhe por que não o chamou?

Não, nem tinha de o fazer. Foram as ideias dele. Fiz os possíveis por estar nessa convocatória, mas se achou que não era a melhor opção ele é que deve explicar os motivos, se quiser.

Agora, com Paulo Bento, parece indiscutível na Selecção Nacional. Acredita que se fixou definitivamente?

Esse sempre foi o meu objectivo. Todos os jogadores que jogam num grande clube têm essa ambição. Trabalho diariamente para ajudar a minha equipa, mas quando vou à Selecção tento manter o mesmo nível

Portugal vai conseguir a qualificação para o próximo Campeonato da Europa?

Claro que sim. Todos acreditamos nisso, sobretudo pelo que temos vindo a fazer desde que o mister Paulo Bento assumiu o comando técnico. Temos feito grandes resultados e realizado grandes jogos. Queremos muito lá estar.

"Ausência do Mundial? Queiroz que explique, se quiser"

O que sentiu quando teve conhecimento que iria ficar de fora do Mundial da África do Sul?

Foi uma das maiores desilusões da minha carreira, juntamente com a derrota pelo Sporting na final da Taça UEFA; aliás, nessa época, podíamos ter vencido o campeonato e a Taça UEFA no Sporting e perdemos tudo na mesma semana. Foi uma grande desilusão. Mas, e regressando à Selecção, sem dúvida que foi uma grande frustração não ter ido ao Mundial, sobretudo depois de ter estado presente em todas as convocatórias da Selecção Nacional.

Carlos Queiroz admitiu recentemente que se arrependeu de não o ter levado ao Mundial...

Ele é que terá de justificar as suas palavras. Tentei olhar sempre para a frente porque e, sendo novo, acredito que ainda vou a tempo de ter mais oportunidades para alcançar o objectivo de estar presente num Campeonato do Mundo.

Carlos Queiroz explicou-lhe por que não o chamou?

Não, nem tinha de o fazer. Foram as ideias dele. Fiz os possíveis por estar nessa convocatória, mas se achou que não era a melhor opção ele é que deve explicar os motivos, se quiser.

Agora, com Paulo Bento, parece indiscutível na Selecção Nacional. Acredita que se fixou definitivamente?

Esse sempre foi o meu objectivo. Todos os jogadores que jogam num grande clube têm essa ambição. Trabalho diariamente para ajudar a minha equipa, mas quando vou à Selecção tento manter o mesmo nível

Portugal vai conseguir a qualificação para o próximo Campeonato da Europa?

Claro que sim. Todos acreditamos nisso, sobretudo pelo que temos vindo a fazer desde que o mister Paulo Bento assumiu o comando técnico. Temos feito grandes resultados e realizado grandes jogos. Queremos muito lá estar.












Carlos Gouveia e Pedro Marques da Costa

Capas de 25 de Abril de 2011

sábado, 23 de abril de 2011

Capas de 23 de Abril de 2011

Jorge Maia: A medida das coisas

Para se perceber exactamente a dimensão daquilo que André Villas-Boas tem conseguido esta época podem usar-se várias medidas. Os jogos que o FC Porto leva a ganhar consecutivamente no campeonato, por exemplo. Ou o 4-1 que regista nos confrontos directos com o antigo campeão - e vencedor do prémio miss fotogenia atribuído por uma parte da crítica esta temporada - a que corresponde um valor acumulado de 12-4 em golos. Ou o recorde de 77 pontos no campeonato a que corresponde uma vantagem de 19 para o segundo. Ou o registo cem por cento vitorioso fora de portas na Liga Europa. Ou então, pode usar-se como medida esses números todos e ainda a forma como se chegou até eles no mesmo ano em que se perdeu "apenas" o melhor jogador do campeonato inglês. Chegar até onde o FC Porto chegou sem que ninguém tenha sentido a falta de Raul Meireles - ou de Bruno Alves, já agora - provavelmente diz mais sobre a dimensão daquilo que André Villas-Boas está a construir no FC Porto do que uma página cheia de números.

Pinto da Costa: Ainda temos mais para ganhar

No dia 23 de Abril de 2012, precisamente de hoje a um ano, Pinto da Costa espera inaugurar o museu do clube, espaço onde estarão expostos os 51 troféus conquistados pelo presidente do FC Porto no futebol profissional. Hoje, dia em que completa 29 anos à frente dos destinos dos dragões, Pinto da Costa pode orgulhar-se de já ter ultrapassado a barreira da meia centena de títulos, mas também de ter triplicado as conquistas do clube nos 89 anos que o antecederam. O JOGO falou com o presidente do FC Porto sobre a passagem de mais um aniversário à frente dos destinos do clube e sobre os 51 títulos acumulados ao longo de uma carreira que já é a mais bem-sucedida do futebol europeu. "Não faço a mínima ideia de quantos títulos conquistei, não mantenho nenhuma contabilidade actualizada, mas acredito que seja assim: cinquenta e um", afirmou quando convidado a comentar o registo acumulado. "Mas esses números fazem parte da história, e estou mais preocupado com o futuro do que com o passado. Este ano, já ganhámos coisas importantes, mas ainda temos mais para ganhar. Como a Taça de Portugal, da qual muitos nos quiseram afastar prematuramente", recordou, para avisar logo a seguir: "Não basta ter um par de papagaios na televisão para nos derrotarem; pelo contrário, dão-nos mais força para vencer."

Entretanto começam a faltar adjectivos para descrever os feitos desportivos de Pinto da Costa, tal a facilidade com que ele os alcança, seja com treinadores novos, velhos, experientes, estrangeiros ou portugueses. André Villas-Boas, que estava catalogado como novo e inexperiente quando chegou no início da época ao Dragão, foi o decimo a conquistar o Campeonato Nacional sob a sua liderança. "Também não sabia que o André foi o meu décimo campeão, mas fico feliz. Quando escolho um treinador, assumo a responsabilidade pelo seu sucesso. Quem vem para este clube tem sempre grandes ambições, e felizmente foram poucos os que não as satisfizeram", referiu Pinto da Costa. Na história do FC Porto escrita por ele, há espaço para apenas dois treinadores que saíram do clube sem qualquer troféu; o primeiro foi Quinito, em 1988/89, enquanto o segundo foi José Couceiro, já em 2004/05. Há ainda o caso de Luigi del Neri, embora o treinador italiano tenha abandonado o FC Porto sem realizar qualquer jogo oficial. Três excepções num extenso quadro de gente que entrou no clube sem títulos e que saiu de lá com um estatuto reforçado pelas vitórias. Uns mais do que outros, é certo, até porque também houve quem não tenha conseguido vencer o campeonato ao lado de Pinto da Costa, mas que, mesmo assim, fez questão de assinalar a sua passagem pelo clube com outras conquistas: José Maria Pedroto (uma Taça de Portugal e uma Supertaça), Octávio Machado (uma Supertaça), Victor Fernández (uma Taça Intercontinental e uma Supertaça) e até Rui Barros, treinador interino que conquistou uma Supertaça.

Esta temporada, Pinto da Costa já festejou mais dois títulos - Supertaça e Campeonato Nacional - e tem mais dois para festejar. Para já seguem-se as meias-finais da Liga Europa e a final da Taça de Portugal, duas provas que repousam nas mãos do treinador mais jovem com que Pinto da Costa trabalhou. "Houve quem dissesse que contratei André Villas-Boas à pressa e outros tantos que questionaram a sua maturidade, mas ele mostrou a uns e a outros que é muitíssimo competente, que tem um grande talento e que o espera uma grande carreira." Certezas que Pinto da Costa sublinha e que o levam a garantir que, para ele, Villas-Boas sempre foi um valor seguro. "Para mim, nunca constituiu um risco, porque é um valor seguro. Tal como Jorge Jesus, por exemplo", fez questão de acrescentar, abrindo a porta à pergunta: afinal, como vê as críticas que se têm multiplicado nos últimos dias ao técnico que venceu o campeonato anterior? "Sou um apreciador dele, todos sabem, mas confesso que não posso avaliar a sua responsabilidade no actual momento do Benfica. Para isso, teria de saber se foi ele o responsável pela venda de Ramires e Di María no início da época. E se também aprovou a saída de David Luiz em Janeiro ou se foi o responsável pelo afastamento dos sócios e pela vergonha que eles sentiram com os apagões e outros. Se foi ele, então sim, é o responsável; se não foi, o responsável deve ser outro."


51

Pinto da Costa já conquistou 51 troféus no futebol profissional durante os 29 anos de presidência no FC Porto. Antes da sua chegada ao clube, os portistas tinham "apenas" 16 títulos na sua história...

Jorge Maia e Pedro Marques Costa n' O Jogo.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Jorge Maia: Espremer a epístola

Tenho de me penitenciar: afinal, Jesus tinha razão. Contestei neste espaço, há algumas semanas, a validade de uma frase que o treinador do Benfica repetiu à exaustão no início da temporada e que inevitavelmente ecoou nas páginas dos jornais até todas as evidências a denunciarem como um completo disparate. Ora, no fim de contas, não era um disparate, pelo menos não completo, tinha apenas sido aplicada à competição errada. De facto, tal como Jesus disse e os seus apóstolos repetiram, isto não é como começa, é como acaba, desde que, é claro, isto seja a Taça de Portugal. A esta distância, não deixa de ser curioso perceber que o triunfo do Benfica na primeira mão, que muitos garantiram a pés juntos haveria de influenciar o resto da época, pondo até em causa a vantagem que o FC Porto tinha no campeonato na altura, nem sequer tenha influenciado decisivamente o desfecho da eliminatória. A prova, afinal, de que Jesus, como Deus, também escreve direito por linhas tortas: isto não é como começa, é como acaba.

Capas de 22 de Abril de 2011

Desnorte na Bola

Francisco José Viegas n' A Bola


quarta-feira, 20 de abril de 2011

Taça de Portugal -FCPorto na final

Benfica 1 - FCPorto 3.








André Villas-Boas - Perder um jogo com o Benfica já foi suficiente e não gostei

Esta eliminatória da Taça está 2-0, a favor do Benfica; o duelo particular com Jesus está 3-1, favorável a Villas-Boas. O treinador portista acredita que pode anular a desvantagem e confessa que a derrota da primeira mão lhe deixou a certeza de não querer repetir a experiência.


Apesar da desvantagem, por ter sido campeão e por ter vencido na Luz, encara esta eliminatória com 50-50 de favoritismo?
Se estivermos ao nosso melhor nível, podemos garantir um resultado positivo. Se será ou não suficiente para passar a eliminatória, não sei. O Benfica é uma equipa extremamente competitiva e competente; os desafios costumam ser renhidos e difíceis de ganhar para ambos. A nossa motivação é total, porque se trata do acesso a uma final, mas temos de perceber que é preciso contrariar a desvantagem logo desde o início para que possamos tentar disputar esta eliminatória na parte final do jogo.

É diferente preparar a equipa para vencer e prepará-la para ter de vencer por mais de dois golos?
Nas eliminatórias que tivemos na Liga Europa não passámos por nenhuma situação de reviravolta. É a primeira vez que nos confrontamos com a situação de ter de dar a volta a um resultado. Impossível não é, obviamente. Será importante dar um sinal forte desde o início, o que não significa que não possamos ter capacidade emocional para reagir tarde e mudar nessa altura o rumo das coisas. Estamos confiantes e temos uma identidade sólida de muitos anos. Esperamos que essa identidade nos permita fazer golos e inverter o rumo da eliminatória.

A Taça é ou não prioridade?
Entramos em todos os objectivos para ganhar e este não foge à regra. Há clubes que vão ficando pelo caminho, mas queremos ter uma palavra a dizer. O ano passado vencemos a competição, há dois anos também; ainda podemos vencê-la este ano. Na época passada, o Benfica não esteve na final e também caiu nessa caminhada da Taça. Se passarmos, será óptimo, porque podemos ter hipótese de garantir a dobradinha. Se não acontecer, o objectivo principal, que era o campeonato, como acontece em qualquer clube do mundo, está ganho.

O facto de partir em desvantagem é, por si, um incentivo para que o FC Porto se transcenda?
Pode ser. Tudo parece encaminhado para que o Benfica passe à final e o FC Porto tem esta possibilidade de mudar um pouco o destino. É uma boa oportunidade para nos transcendermos, mas sem cometer erros, porque quem muito se quer transcender acaba por esquecer a realidade das coisas. Não vamos demasiado acelerados. Correndo bem o jogo, podemos ganhá-lo. Mas, é preciso perceber que ganhar pode não ser suficiente. Tudo tem de correr na perfeição. Transcendermo-nos em demasia pode levar a erros que não podemos cometer.

Falou da necessidade de a equipa se transcender. Esta é melhor fase para o pedir? Afinal, foi campeão há pouco tempo, venceu na Luz, tem quebrado uma série de recordes...
Acima de tudo, como disse, é uma boa oportunidade para contrariar o que se espera que aconteça. Se o que se espera é ter o Benfica na final, será uma boa oportunidade para provar o contrário. Não basta transcendência, será preciso competência e sabedoria. Jogaremos 90 ou 120 minutos.

Duas perguntas: se o facto de ser Roberto o guarda-redes do Benfica pode ser uma vantagem para o FC Porto e se, enquanto treinador, fica particularmente irritado ao perder com o Benfica.
Não vou responder à primeira parte da pergunta. Se fico irritado por perder com o Benfica? Perder um jogo já foi suficiente e não gostei, como qualquer adepto do FC Porto e como qualquer treinador que defende as cores de um clube. Ninguém gosta de perder, seja contra quem for, e perdemos com o Benfica no Dragão. Pode acontecer em qualquer jogo; perder, ganhar ou empatar é normal. Ganhar pode é ser insuficiente para garantir o objectivo de estar na final...

"Ficar a 19 pontos é uma frustração..."

O FC Porto queixou-se de 15 erros no jogo de campeonato que venceu na Luz e, anteontem, o director de comunicação do Benfica disse ficar à espera de nova conferência portista para avaliar o trabalho de Artur Soares Dias no clássico com o Sporting, que os portistas venceram. Villas-Boas respodeu à provocação.


Estamos a praticamente 24 horas do jogo. Parece-lhe normal não haver ainda árbitro designado quando já o há para a final da Taça da Liga, que é só no sábado?
É um bocado peculiar, tal como a distância entre os dois jogos nesta eliminatória. Talvez tenha que ver com a disponibilidade dos árbitros ou talvez seja uma defesa do árbitro, tendo em conta o clima de suspeição à volta do Artur Soares Dias [árbitro do FC Porto-Sporting]. Desejamos é que o jogo lhe corra bem.

Que comentário lhe merece a intervenção do director de comunicação do Benfica, que disse esperar uma conferência de Imprensa do FC Porto para falar dessa arbitragem do jogo com o Sporting?
Ficar a 17 pontos é diferente de ficar a 19 pontos, que será a maior diferença da história. É uma frustração natural de um clube que investiu da forma como o Benfica investiu; quaisquer dois pontos são uma óptima chama de motivação e, se calhar, era dessa motivação que andavam à procura, tentando justificar o injustificável. O melhor é mandar na sua própria casa e não mandar recados para a casa dos outros.

"Não me quero autovangloriar prefiro homenagear a minha equipa"

Se não conseguir os objectivos neste jogo, não vai dizer que tem a equipa mais desgastada?
Não, porque fisicamente temos estado a um nível fora do normal. Quem vem com uma viagem de seis horas da Rússia devia ter direito a jogar na segunda-feira, mas não pôde . Mesmo assim, apresentou-se com tremenda agressividade mental e física num clássico, onde supostamente pouco havia para conquistar - e eu refuto isso, porque há muito a ganhar ainda. Apresentar-se àquele nível, sobretudo depois do desgaste no sintético de Moscovo, é fruto do talento dos jogadores, mas também é mérito da minha equipa técnica, que vai gerindo a recuperação. Não me quero autovangloriar; prefiro prestar uma homenagem mais do que justa à minha equipa.

Mas não teria sido mais confortável fazer descansar quatro ou cinco jogadores?
Apresentamos as convocatórias com quem nos dá máximas garantias. E eram aqueles que foram chamados que as davam, como se viu.

"Castigo? Cada um é responsável pelo que faz"

Merece-lhe algum comentário a discrepância entre o castigo proposto pela instrutora do processo a Jorge Jesus e o que lhe foi efectivamente aplicado pela CD da Liga? Por outro lado, ter Jesus no banco pode trazer mais emoção ao duelo táctico entre os dois?
Os clássicos são vividos com grande intensidade e fico satisfeito por o defrontar mais uma vez. É uma grande oportunidade, e tenho tido já algumas durante a carreira. Esta não é uma luta entre os dois treinadores, mas sim entre dois clubes; duas grandes organizações. Tenho um respeito máximo pela sua competência e pela forma como as suas equipas jogam, não tenho dito outra coisa. Relativamente ao castigo, não atribuo grande importância a isso, porque a decisão está tomada, por muito que existam opiniões divergentes sobre o que poderia ter pesado. A realidade é que saiu aquele castigo e não tenho nada que ver com isso; cada um é responsável pelo que faz. Mas é, naturalmente, estranho para toda a gente.

Treinou grandes penalidades para a Luz?
Sim, treinámos hoje.

Nem Roma, nem... Real

André Villas-Boas garantiu não ter recebido qualquer proposta do Roma, notícia que, de há uns tempos para cá, tem sido recorrente. "Não é verdade", disse. E disse também que não recebeu sondagens de "nenhum clube". Mais à frente, perguntaram-lhe se já lhe passou pela cabeça enfrentar o Real de Mourinho na próxima Supertaça Europeia, caso vença a Liga Europa e Mourinho a Champions. "Nem sequer perspectivo isso. São demasiados "ses" para responder à pergunta".

Villarreal é da "verdadeira Liga Europa"

Villas-Boas assistiu à vitória do Villarreal sobre o Saragoça, preparando a meia-final da próxima semana e reforçou certezas quanto ao adversário. "É uma equipa que eliminou Nápoles, Bayer Leverkusen e Twente, que era líder na Holanda; teve uma fase de grupos com enorme qualidade de jogo. Estamos a falar de uma equipa que nos provoca um maior desafio; é uma final antecipada, com uma equipa que vem desde o início da competição, algo que deve ser valorizado. Será bom para UEFA ter na final pelo menos um representante da verdadeira Liga Europa". Sobre a hipótese de ter Belluschi nesse jogo, algumas reservas. "Temos de ir com calma, porque é preciso reintegrá-lo. Queremos muito o seu regresso, como o dos outros, mas, para já, ainda não está dentro das expectativas".






Hugo Sousa n'O Jogo.

Capas de 20 de Abril de 2011

terça-feira, 19 de abril de 2011

Jorge Maia: São trocas baldrocas

Mesmo por detrás dos maiores disparates, há quase sempre uma surpreendente centelha de genialidade. Tome-se a proposta de José Couceiro para mudar o lado dos bancos das equipas anfitriãs com o das visitantes nos jogos dos campeonatos nacionais de futebol. Assim à primeira vista parece apenas um disparate, mas se se tomar o FC Porto-Sporting de domingo como exemplo, percebe-se que há ali uma semente de génio a querer germinar. Afinal, talvez a forma mais fácil de o Sporting garantir uma vitória no Dragão fosse mesmo trocar os bancos de suplentes, mais os respectivos médicos, massagistas, delegados e, inevitavelmente, treinadores, um pelo outro. Aposto que pelo menos os adeptos sportinguistas assinariam de cruz uma proposta nesse sentido. Mais a sério, contudo, é óbvio que se o problema do Sporting fosse a posição do banco nos jogos fora de casa, certamente a equipa leonina não contaria cinco empates e três derrotas em Alvalade, nem teria mais pontos conquistados (22 contra 20) nos jogos realizados longe do seu estádio.

Capas de 19 de Abril de 2011