quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo

BOM 2010!

Capas de 31 de Dezembro de 2009


Ocasiões e ladrões


Há um provérbio que diz qualquer coisa como "a ocasião faz o ladrão". É um provérbio compreensivo e desresponsabilizador que, imagino, esteja bordado a ponto de cruz, encaixilhado e pendurado nos gabinetes de alguns administradores de empresas, mesmo ao lado dos diplomas dos cursos tirados enquanto, literalmente, o diabo esfrega um olho. Ora, como é evidente, não é a ocasião que faz o ladrão. O que faz o ladrão é o roubo. A ocasião é igual para toda a gente, o que cada um faz com ela é que distingue os ladrões dos outros. Mas serve tudo isto para dizer que, de acordo com Teodoro Fonseca, empresário de Hulk, há quem veja nas fases disciplinarmente mais controversas do jogador brasileiro a oportunidade para roubá-lo ao FC Porto. E o verbo roubar faz sentido aqui porque a ideia é tentar levar o brasileiro a um preço muito abaixo do seu real valor de mercado, aproveitando a ocasião. Ora, embora alguns processos judiciais recentes demonstrem o contrário, é preciso ser minimamente inteligente para ser ladrão. E nenhum ladrão minimamente inteligente acredita que o FC Porto possa vender Hulk barato. Independentemente da ocasião.

Jorge Maia n' O Jogo.

O melhor da era Jesualdo


Se Jesualdo Ferreira for adepto da tradição das doze passas para assinalar a mudança de ano, é provável que gaste uma delas com um desejo muito simples: que o ano de 2010 seja, no mínimo, igual ao de 2009. Soa a balanço típico da época, com as ideias do costume - e é basicamente isso... - mas parte de um pressuposto novo e incontornável: futebolisticamente, Jesualdo não tem melhor ano no currículo. Além de mais um campeonato, o treinador resolveu a incompatibilidade que tinha com a Taça de Portugal e, para arrumar de vez com o assunto das incompatibilidades, já dentro desta época, pôs as mãos na primeira Supertaça da carreira.

Faltou-lhe a Taça da Liga, mesmo que se diga que ela ainda não se entranhou na rotina de títulos, e faltou também chegar onde chegou o treinador do Barcelona, Pep Guardiola: ao topo da Europa e do mundo, mas isso é capaz de exigir mais do que uma dúzia de passas. De qualquer forma, como se lembra aqui ao lado, até o que fez na Liga dos Campeões é suficiente para acrescentar argumentos à ideia central: 2009 é o melhor ano de Jesualdo Ferreira, que, de resto, passou a ser o treinador que mais anos consecutivos acumulou à frente da equipa portista desde que Pinto da Costa assumiu a presidência.

Enumeradas as generalidades que contribuem para o balanço sem paralelo, há detalhes dentro das grandes vitórias do ano que podiam ter sido bem melhores - e esta conclusão continua a basear-se no trajecto de Jesualdo no FC Porto. Empatou e perdeu menos jogos em 2008 do que em 2009, por exemplo (nove empates e nove derrotas no ano que agora termina, contra quatro e oito no anterior . Em 2007 tinha mais derrotas. Também é verdade que fez menos jogos em 2008 do que em 2009, o que obriga a desempatar as contas em forma de percentagem: 65,3 por cento de vitórias em 2009 - em 52 jogos - contra 73,3 por cento em 2008 - em 45 jogos. Resta-lhe o consolo de saber que ter terminado 2008 no terceiro lugar, situação que se repete agora, não hipotecou o ano seguinte. É capaz de ser um bom princípio de (e para) 2010...

Três títulos num ano de sucesso em que ganhou a primeira taça

Pode considerar-se 2009 como o ano de todos os títulos para Jesualdo Ferreira. Claro que não fez o pleno - só o Barcelona foi capaz de tal proeza - mas, mesmo assim, nunca tinha conseguido festejar tanto. Ao "habitual" campeonato nacional, o professor juntou as conquistas da Taça de Portugal e da Supertaça Cândido de Oliveira, provas que lhe vinham escapando desde que se sentara no banco do FC Porto. Faltou apenas a Taça da Liga e... a Champions.

34

As vitórias alcançadas pelo FC Porto no ano civil de 2009, em 52 jogos oficiais divididos por duas temporadas. Nunca foram conseguidos tantos triunfos num ano com Jesualdo Ferreira no banco.

96

Os adeptos do FC Porto estiveram perto de comemorar uma centena de golos ao longo do ano. Farías foi quem mais os fez festejar com 19 golos. Hulk (12) e Falcao (11) fecham o pódio dos artilheiros azuis e brancos.

159

Os jogos de Jesualdo Ferreira desde que chegou ao FC Porto, em Agosto de 2006. Soma 107 triunfos, 23 empates e 29 derrotas em todas as competições oficiais. Em Portugal, só ainda não conquistou a Taça da Liga.

12

Incluindo nestas contas o regresso de Nuno André Coelho, o FC Porto contratou uma dúzia de jogadores em 2009. Um deles quase não aqueceu o lugar pois já não mora no Dragão: Cissokho, entretanto vendido ao Lyon.

Hugo Sousa e Carlos Gouveia n' O Jogo.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Capas de 30 de Dezembro de 2009


Atenuantes e circunstâncias


A Comissão Disciplinar (CD) da Liga, cumprindo o seu dever de informação e certamente investida das melhores e mais puras intenções, divulgou recentemente alguns números relativos à sua actividade durante as últimas três temporadas, em particular no que diz respeito aos três grandes. E qual foi a conclusão? A de que o FC Porto é o rei do fair play entre os crónicos candidatos ao título, e a uma distância considerável dos rivais. Não só os jogadores do FC Porto cumpriram muito menos jogos de castigo (25) do que os seus congéneres do Benfica (43) e do Sporting (42) como essa diferença de comportamento disciplinar foi uma constante ao longo das últimas três temporadas. Uma constante que, de resto, se reflecte também no valor das multas cobradas aos três grandes, com o FC Porto (64 mil euros) a pagar cerca de metade do valor despendido pelo Benfica (124 mil euros). Números reveladores que reflectem também a preocupação manifestada desde sempre por Jesualdo Ferreira com o comportamento disciplinar dos seus jogadores. Números que, certamente, a CD, investida das melhores e mais puras intenções, considerará como atenuantes em processos futuros. Pois...

Jorge Maia n' O Jogo.

Liga reconhece FC Porto como rei do fair play


Numa espécie de balanço localizado da sua actuação ao longo das últimas três temporada, a Comissão Disciplinar da Liga divulgou alguns números relativos à sua actividade no que concerne os três grandes: FC Porto, Benfica e Sporting. De acordo com os mapas divulgados pela CD, o FC Porto, que de resto foi campeão nas três épocas consideradas, foi também, e invariavelmente, o rei do fair play. Os jogadores do FC Porto foram os menos punidos com jogos de suspensão, apenas 25, no conjunto das três épocas, contra 43 do Benfica e 42 do Sporting. Aliás, o bom comportamento em termos disciplinares dos jogadores do tetracampeão nacional foi uma constante ao longo das temporadas consideradas pela CD, registando sempre menos jogos de suspensão do que os atletas dos clubes rivais. Da mesma forma, o FC Porto foi a equipa menos penalizada com o pagamento de multas ao longo das últimas épocas. Os campeões nacionais pagaram, no total, pouco mais de 64 mil euros, praticamente metade do valor despendido pelo Benfica (164 mil euros) e consideravelmente menos que o Sporting (78 mil euros), sendo que para estes valores contribuem não só as punições a jogadores, mas também a clubes, técnicos e dirigentes.

N' O Jogo.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Andebol - FCPorto vence Torneio de Limburg


O FC Porto Vitalis conquistou o primeiro lugar no Torneio de Limburg, prestigiada competição de andebol que se realizou na Holanda. Na partida decisiva, os azuis e brancos derrotaram o Polva Servitti, da Estónia, por 35-25. Ao intervalo, a equipa de Ljubomir Obradovic já vencia por 17-13.

Para além do excelente desempenho colectivo, destaque para Filipe Mota, que foi considerado o melhor atacante da prova, e para Hugo Laurentino, que alcançou o estatuto de melhor guarda-redes.

Capas de 29 de Dezembro de 2009


Uma questão de justiça


Dificilmente a Comissão Disciplinar da Liga tomará uma decisão sobre os processos disciplinares a Hulk e Sapunaru nos próximos dias. Os processos disciplinares são coisas complexas, que exigem a nomeação de instrutores, recolha de provas, audição de testemunhas e por aí fora. Não são coisa para se resolver em três dias, especialmente quando alguns deles não são úteis, por muito que me custe desconsiderar dessa forma o dia de Natal. Ora, sendo certo que não haverá decisões em breve, convém que eles sejam céleres. Porque, para já, há dois jogadores suspensos e convém perceber rapidamente se o estão justa ou injustamente. Aliás, parece-me que foi precisamente com o objectivo de pressionar a celeridade destes processos que o FC Porto propôs retirar dos regulamentos a limitação temporal à suspensão preventiva. Quem tiver memória recordará que, antes, os jogadores podiam jogar enquanto decorriam os processos disciplinares e que estes se prolongavam indefinidamente para chegarem à inevitável e cirúrgica conclusão na véspera de um qualquer jogo importante. Ora, no futebol, como no resto, a justiça também precisa de ser célere para ser justa.

Jorge Maia n' O Jogo.

A Luz ao fundo do túnel


O futebol português parece ter entrado agora na fase dos túneis. Tem em comum com as anteriores — a fase das cotoveladas e a dos sumaríssimos — o mesmo alvo, mal escondido com o rabo de fora: o FC Porto. No passado, como se recordarão, só havia sumaríssimos para jogadores do FC Porto e também só eles é que usavam os cotovelos, mesmo que imaginariamente. Incontáveis programas de televisão gastavam horas a passar ao ralenti imagens envolvendo jogadores portistas até conseguirem «provar» que tinha havido cotovelada. Não por acaso, os alvos predilectos foram sempre jogadores que, numa ou noutra época, eram decisivos no plantel azul-e-branco: McCarthy, Deco, Quaresma. Não sei se já repararam mas, assim que eles se foram embora, desapareceram as cotoveladas do futebol português e morreram os sumaríssimos.
E eis então que chegamos à fase do túnel. O alvo principal desta vez chama-se Hulk — que, embora esteja em crise de exibições, tem o potencial por todos bem conhecido de, quando lhe dá na gana, virar a história de um jogo. E quem tem esse potencial também pode virar a história de um campeonato. O Sapunaru ou o Helton todos sabem que não incomodam por aí além. Mas o Hulk, sim: tirar o Hulk ao FC Porto até final do campeonato é o mesmo que tirar o Di María ao Benfica. Vale a pena, então, empreender na nova teoria dos túneis e criar doutrina — a qual, como de costume, nascerá e morrerá depois de cumprida a sua função de diminuir drasticamente o potencial competitivo do FC Porto.

O mais curioso disto tudo é que o tuning começou na época passada, com o Benfica, e assim continuou esta época. As confusões nos túneis envolveram sempre jogadores do Benfica e jogos onde o Benfica participou. Pura coincidência. Já no ano passado, depois de um jogo na Luz, o nacionalista Rúben Micael (que bem que ele ficava de azul-e-branco!) desabafou: «Passam-se coisas estranhas no túnel do Estádio da Luz, que mereciam ser investigadas». Investigar o túnel da Luz? Está quieto, nessa não cairia o CD da Liga!

Durante toda esta semana, no rescaldo do Benfica-FC Porto, os jornalistas conotados com os interesses do Benfica foram preparando o terreno para uma «justiça exemplar», adequada aos horrendos crimes que três jogadores portistas terão cometido no túnel da Luz. Primeiro, sentenciando que a coisa era tão grave que, no mínimo, iria haver jogadores suspensos por seis meses e, no máximo, por seis anos! E na terça-feira já estavam municiados com a informação de que a suspensão preventiva dos jogadores portistas era de duração indeterminada— porque assim tinha sido estatuído, por proposta do próprio FC Porto, aliás, com a abstenção do Benfica. Esta informaçãozinha bem oportuna, escorregada para os jornais, deixou-me logo de sobreaviso do que se prepara. Pinto da Costa faz bem em ir já ao mercado ou ao Olhanense, porque tudo está a ser devidamente montado para que o Hulk não jogue mais esta época. Há, sobretudo, uma coisa impensável e inaceitável: que o Benfica não seja campeão este ano. Porque se isso acontece, a própria falência é uma hipótese bem séria.

Antes, porém, de os justiceiros habituais entrarem em acção — além do mais, com um longamente reprimido desejo de vingança da vergonhosa e total derrota dos seus planos de encostar o FC Porto, despojá-lo dos títulos conquistados, retirá-lo da Europa e enviá-lo para a segunda Liga para melhor desimpedir o caminho ao Benfica, graças ao fabricado «Apito Dourado» — convém, talvez, parar para pensar um pouco. Ou, ao menos, para fazer umas perguntas, que julgo pertinentes para a investigação. A saber:

1 Os seguranças (stewards) têm ou não o direito de estar no túnel de acesso aos balneários? Se têm esse direito, a que título lhes é concedido? E, se o não têm, será que, da parte do Benfica, tudo se resolve com uma multa de 250 euros?

2 Houve ou não provocação dos seguranças a membros da comitiva azul-e-branca, no dito túnel, e antes ou após o jogo?

3 Nomeadamente, é verdade ou não que o segurança alegadamente agredido por Sapunaru começou logo por provocar Reinaldo Teles antes do jogo se iniciar, quando os jogadores foram para o aquecimento? E voltou a fazê-lo depois do jogo terminado?

4 Se houve provocações, eles partiram espontaneamente do ou dos seguranças ao serviço do Benfica, ou foram premeditadas e por quem?

5 Se o relato da imprensa desportiva está certo, isso implica que os jogadores do FC Porto, todos eles, atravessaram o túnel após o jogo e recolheram-se na sua cabine, sem quaisquer incidentes, só depois tendo saído da cabine para verem o que era a confusão que decorria no túnel? Ou seja: não agiram nem premeditadamente nem por iniciativa própria, mas apenas por reacção a qualquer coisa que viram ou ouviram?

6 E que tremenda confusão se terá então armado no túnel que chamou a atenção dos jogadores portistas, que já estavam recolhidos à sua cabine? E porque não chamou também a atenção dos jogadores ou elementos da comitiva do Benfica?

7 O filme de terror, tão propagandeado pela imprensa próxima do Benfica, contém apenas cenas escolhidas, ou antes tudo o que aconteceu no túnel, desde que o FC Porto chegou às instalações da Luz?

8 Existe alguma disposição penal ou disciplinar em toda a ordem jurídica portuguesa que preveja a suspensão prévia sem limite de tempo de um suspeito ou arguido? Se existe, resta alguma dúvida de que ela é, obviamente, inconstitucional?

9 De igual modo, existe alguma pena disciplinar (seja pena principal ou acessória) que suspenda o direito ao trabalho durante mais do que trinta dias? E se o Tribunal Constitucional for chamado a julgar um estatuto disciplinar tão idiota como o que foi parido pelos juristas do futebol português, com penas de impedimento de jogar por seis meses ou seis anos, num País onde a Constituição estabelece que ninguém pode ser privado do direito ao trabalho, o que acham que os juízes farão à coisa?

10 Faz algum sentido para alguém (tirando para estas luminárias jurídicas do nosso futebol), que, se um jogador agride outro, durante o jogo e à vista de toda a gente, seja expulso e fique um ou dois jogos sem jogar, se agride um árbitro fique seis meses sem jogar, mas que, se agride alguém que não faz parte do jogo, fora dele e longe da vista de todos, possa ser suspenso de seis meses a seis anos? Qual é a lógica desta absurda disparidade de critérios? Agredir um segurança num túnel é cem vezes mais grave do que agredir um adversário ou o árbitro durante o jogo? E a agressão é mais grave se cometida perante cinco testemunhas do que se cometida perante cinquenta mil?

Claro que nada disto faz sentido algum. São apenas leis idiotas, paridas por juristas de segunda categoria e aprovadas ao desbarato na confusão das Assembleias Gerais da Liga. O valor dos nossos juristas do futebol ficou exuberantemente demonstrado quando, depois de tantas e tão judiciosas decisões no «Apito Dourado», eles viram (sem estremecer de vergonha, é certo) as suas sentenças serem todas estilhaçadas pelos sucessivos tribunais, com juízes a sério e sem manobras clubísticas ocultas. O que daqui vai sair, com grande grau de probabilidade, é que, depois de terem estreado com o FC Porto estas disposições disciplinares dignas do Código de Costumes da Arábia Saudita, os que assinaram isto de cruz vão deitar as mãos à cabeça e revogar tudo. Só que, entretanto, os espertos do costume já terão conseguido o seu cordeiro imolado. Tal qual como sucedeu com os célebres sumaríssimos.

É a Luz ao fundo do túnel.

Miguel Sousa Tavares n' A Bola.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

PARABÉNS JORGE NUNO PINTO DA COSTA

E QUE CONTE MUITOS E MUITOS SENHOR PRESIDENTE.

Capas de 28 de Dezembro de 2009


Enclausulados na lógica


Há uma cláusula prontinha a desmentir-me, claro, mas nem sempre as cláusulas eliminam a lógica. E a lógica diz-nos coisas muito simples: nenhum clube, seja ele qual for, gosta de as pagar por inteiro, e muito menos a pronto, e é raro que o façam à revelia de quem vende (bem sei que haverá sempre a excepção Florentino Pérez, o excepcional negócio de Figo, por exemplo, na especialíssima rivalidade entre Real e Barcelona...). Feito o parêntesis, e prosseguindo na lógica - apesar da cláusula, do Real Madrid, de Florentino e etc.... -, estranha-se a hipótese de Bruno Alves poder deixar o FC Porto nesta altura. Sim, mesmo só a hipótese. Ainda que as cláusulas encravem a lógica, e num rápido exercício de memória, só me lembro de três jogadores da equipa habitual negociados pelo FC Porto em Janeiro: Doriva (Sampdória), Jorge Costa (Charlton) e Derlei (Dínamo). E todos com uma justificação: o primeiro, dizem, após peixeirada; o segundo por incompatibilidade com o treinador; e o terceiro pela proposta, mas já sem o fulgor de outros tempos e com a imagem algo desgastada no clube.

Hugo Sousa n' O Jogo.

Aniversário em terceiro já acabou em primeiro


O aniversário de Pinto da Costa costuma andar de mãos dadas com o primeiro lugar da equipa. Hoje, contudo, tal não se verifica. O presidente portista comemora o 72º aniversário, mas sem a "prenda intercalar" da equipa, que segue no terceiro lugar da Liga Sagres.

Fazendo a retrospectiva dos 27 anos de presidência, esta não é a primeira vez que Pinto da Costa comemora o aniversário sem estar na liderança do campeonato; é a nona. Na época passada, a equipa também estava na terceira posição, mas conseguiu terminar a prova em primeiro lugar. Na época de 1985/86, o presidente também passou o aniversário em terceiro lugar (em igualdade pontual com os dois primeiros) e acabou o campeonato a festejar. Duas situações que só não passam a regra devido à época de 2001/02: a equipa estava em terceiro lugar, quando o presidente comemorou o aniversário, e em terceiro lugar ficou, quando o campeonato terminou.

O mais normal nos 27 anos de liderança é Pinto da Costa assinalar o aniversário em primeiro lugar. Fê-lo em 19 situações, fruto do domínio mais ou menos constante da equipa nas duas últimas décadas do futebol português. Por cinco vezes passou o aniversário com a equipa em segundo lugar.

Nascido em 28 de Dezembro de 1937, Pinto da Costa entrou para a presidência do FC Porto no dia 23 de Abril de 1982, sucedendo a Américo de Sá. É o trigésimo presidente dos azuis e brancos e apresenta um currículo invejável. Nenhum outro presidente do clube tem tantos títulos conquistados. Na sua liderança, a equipa portista venceu 17 campeonatos, dez Taças de Portugal, 15 Supertaças Cândido de Oliveira, sagrou-se duas vezes campeã europeia, conquistou uma Taça UEFA e uma Supertaça europeia e ainda arrecadou duas Taças Intercontinentais. Ou seja, nada ficou por conquistar.

Tomaz Andrade n' O Jogo.

O último dinossauro à face da Terra


Pinto da Costa celebra hoje 72 anos

Ele aí está, génio de diversas faces

NÃO é fácil encontrar no futebol mundial figura de longevidade tão pronunciada e efectiva como Pinto da Costa. Nos tempos recentes não existe mesmo quem o iguale, mas num desvio temporal expressivo chega-se ao nome de Santiago Bernabéu, que foi presidente do Real Madrid durante 35 anos consecutivos (1943 até falecer, em 1978) ou ainda à poderosa família Agnelli, sempre ligada à Juventus.
No desporto em geral, também é difícil desvendar gente a percorrer tantos anos de presidência com a mesma pujança e sem vacilar às armadilhas do tempo e de outra espécie. Juan Antonio Samaranch, que presidiu ao Comité Olímpico Internacional durante 21 anos é uma dessas grandes figuras de topo, clube onde alinha também a mítica presença de João Havelange, líder da FIFA entre 74 e 98, e ainda cheio de saúde aos 93 anos.

Pinto da Costa, que hoje celebra 72 anos, terá em si um pouco de cada um deles, em termos de presença efectiva e de representatividade social, ainda que a sua expressão seja mais local do que universalista, como ele sempre desejou. Na maioria das vezes ele não é presidente de um clube de um país chamado Portugal, é líder de um clube chamado FC Porto. E essa posição choca na universalidade que o próprio cube foi conquistando pelo mundo fora, face aos títulos europeus e mundiais.

AMORES E ÓDIOS ETERNOS

Pinto da Costa, que nasceu a 28 de Dezembro de 1937, não será tão consensual no meio desportivo quanto Samaranch ou Havelange, que passaram pelo seu tempo dourado sem sopros de contestação, mas em contrapartida desperta mais emoções vivas que os antigos líderes do COI e da FIFA alguma vez despertaram. PC não é uma figura consensual no futebol português, nunca foi e só o será quando amolecer e se entregar, o que não parece ser o caso, pois vai avançar para mais três anos de presidência. Os títulos conquistados, a defesa do clube por todos os meios, garantiram-lhe amores eternos mas também ódios de estimação que vai transportando consigo. A sua vida, aliás, tem sido assinalada por curvas e contracurvas e por alguns episódios que o colocaram em posição nebulosa.

Acérrimo defensor do clube, da cidade e da região, o líder portista convoca por vezes essa condição regionalista para se expressar e esgrime a espada de um clube contra o mundo. Aí faz do Porto, clube, cidade e região, uma aldeia de Asterix dos tempos modernos, onde ninguém pode ousar entrar. Amando-o ou odiando-o, há um facto que não pode ignorar-se. Pinto da Costa será hoje o mais velho presidente de um clube de futebol em actividade: sempre são 72 anos. Provavelmente, ainda não chegou o tempo de se dedicar ao turismo sénior.


27 anos de presidência
Pinto da Costa subiu à presidência do FC Porto em Abril de 1982 e os sucessivos mandatos projectam-no para 27 anos de liderança efectiva, que podem estender-se a mais de três décadas caso se verifique, como parece ser a realidade, a candidatura para nova eleição. Quando subiu à cadeira do poder chegava aos 45 anos, mas não surgiu no clube em salto meteórico, foi tudo planeado a partir de idade quase juvenil, ainda não tinha 20 anos é já ocupava lugar de vogal na secção de hóquei em patins. Nunca mais se quebrou, desde aí, a ligação com o clube, foi sempre a subir. Apesar da idade que hoje celebra, Pinto da Costa ainda parece decidido e sem dar sinais de fraquejar. É um caso de longevidade brutal, apenas superado pelo realizador, também portuense, Manoel de Oiveira, que completou 101 anos a 11 de Dezembro e continua a filmar.

N' A Bola.


domingo, 27 de dezembro de 2009

Capas de 27 de Dezembro de 2009



Ano novo e onze também


Ainda não é certo que o FC Porto tenha reforços em Janeiro, mas, com ou sem eles, já há uma garantia para esse mês: Jesualdo Ferreira vai ter mesmo de refazer o onze, numa roda-viva de oportunidades para jogadores pouco utilizados na primeira metade da época. Há uma parte óbvia a reforçar essa obrigatoriedade: Sapunaru e Hulk estão preventivamente suspensos depois das expulsões no túnel da Luz, saltando das escolhas do treinador.

Azar de uns, sorte de outros. Varela será um dos beneficiados óbvios, cimentando um estatuto que as últimas exibições tinham ajudado a justificar. Mas há mais. Mariano, desaparecido dos últimos combates - apenas 56 minutos de rodagem nos meses de Novembro e Dezembro, o que não deixa de ser curioso num jogador que esteve sempre entre as primeiras opções de Jesualdo -, pode também ganhar novo fôlego como alternativa.

Por outro lado, Janeiro será o mês das oportunidades porque acrescenta ao calendário portista pelo menos quatro jogos de competições que Jesualdo Ferreira costuma aproveitar para rodagens e experiências: três jogos da Taça da Liga e um ou dois na Taça de Portugal, dependendo do resultado com a Oliveirense. Para estes compromissos oficiais, há uma lista longa de pretendentes: Beto, obrigado a ter rotinas de jogo para convencer Carlos Queiroz a integrá-lo na lista do Mundial; Nuno André Coelho, uma das revelações da última temporada que se eclipsou na bancada; Prediger, forte investimento com pouco retorno em campo; Miguel Lopes (um caso especial que merece tratamento aqui ao lado); Maicon, Valeri ou Tomás Costa, que ficou de fora das últimas cinco convocatórias.

Sendo um mês de reabertura de mercado, Janeiro gera sempre a expectativa de reforços e, consequentemente, de novidades na equipa. Pinto da Costa garantiu não estarem previstas contratações, mas as situações de Sapunaru e, sobretudo, de Hulk podem mudar a estratégia e forçar o FC Porto a encontrar soluções...

Hugo Sousa n' o Jogo.

Coletes à prova de bala


José Mourinho diz, numa entrevista, ontem, ao Público, que dois anos no FC Porto o habituaram mal. Falava a propósito da necessidade que sente de dar o peito às balas nos clubes por onde tem passado e de como lhe sabia bem ver aparecer alguém com um colete à prova de balas como acontecia no FC Porto. Mas também podia falar de outras coisas. Da forma como dois anos a ganhar tudo e mais alguma coisa podem habituar mal. De como lhe faziam todas as vontades. Ou de como lhe perdoaram todos os excessos. Mas admito que seja importante para um treinador sentir-se protegido. Mesmo um treinador que gosta de dar o peito às balas e ainda lhe desenha um alvo colorido por cima. Jesualdo Ferreira, por exemplo, havia de gostar de um colete à prova de balas. Afinal, passou os últimos anos a dar o peito a todas as balas, até às que nem sequer eram para ele, e continua a ser o alvo preferido de qualquer pretendente a "sniper". Adeptos do FC Porto, adeptos dos rivais, críticos, até padres nos seus sermões aproveitam para praticar tiro ao alvo com o treinador do FC Porto. Há três anos que é assim. E há três anos que Jesualdo Ferreira é campeão. Sem coletes.

Jorge Maia n' O Jogo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Capas de 23 de Dezembro de 2009


Estados de espírito


O futebol é uma modalidade bipolar. Há uma semana o Benfica estava à beira de um ataque de nervos depois de ter visto esfumar-se a vantagem que chegou a ser de cinco pontos para o FC Porto, chegando ao clássico da Luz com apenas um de vantagem. No Dragão, e exactamente pelos mesmos motivos, o estado de espírito era o inverso, sendo lícito falar de uma espécie de euforia. O problema com os estados depressivos, tal como acontece com os estados eufóricos, é a tendência para o exagero. No primeiro caso, exageram-se os defeitos, no segundo as qualidades. Ora, como é bom de ver agora, nem o Benfica estava tão mal como o estado depressivo dos adeptos encarnados os fazia supor, nem o FC Porto tão bem como o estado eufórico dos adeptos portistas os fazia imaginar. De resto, se isso era verdade há uma semana, também é agora. Os dois clubes e os respectivos adeptos trocaram de estado de espírito. Uns estão eufóricos, outros deprimidos, mas nem os primeiros estão tão bem como supõem, nem os segundos tão mal como imaginam.

Jorge Maia n' O Jogo.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Capas de 22 de Dezembro de 2009


O álibi babá


Antes de mais, convém sublinhar que também eu acho que o Benfica foi a melhor equipa a pisar o relvado alagado do Estádio da Luz no domingo. Dito isto, é importante dizer que o FC Porto, ficando muito, mas mesmo muito, aquém das suas capacidades, não foi a pior. A pior foi a de arbitragem. E o mais grave é que isso, ao contrário do que aconteceu com a sofrível exibição dos tetracampeões nacionais, nem sequer foi uma surpresa, mas tão só a confirmação das piores expectativas em relação à nomeação de Lucílio Baptista para o clássico. Há o lance do golo, precedido por um fora de jogo de Urreta. Há as grandes penalidades discutíveis de César Peixoto sobre Hulk e de Cardozo que toca a bola com o braço. Há a grande penalidade indiscutível de Cristian Rodríguez que resulta de um canto que não devia ter sido assinalado por ter sido Weldon a pôr a bola fora. Há uma falta de Maxi Pereira sobre o mesmo Rodríguez que Lucílio aproveita para apitar para intervalo. E há mais. Há o suficiente para as duas equipas se poderem queixar e ambas com razão. Aliás, há anos que Lucílio Baptista tem o álibi do erro a seu favor: erra para os dois lados, mas no fim, quase sempre, ganha o Benfica.

Jorge Maia n' O Jogo.

Caixão, espelho


A parábola conta-se no mundo dos negócios: que, de um momento para o outro, empresa que andara anos a fio em esplendor o perdera, entrara em tropeço à beira da falência. E que portanto toda a sua gente se desmotivara, queixando-se do destino, da má sorte – e sobretudo uns dos outros. Até que alguém descobriu forma de fugir do caos, da desgraça. Era manhã e ao chegarem – enxergaram todos cartaz preso ao portão que dizia: «Quem nos lançou para o abismo está em velório no pavilhão desportivo, vá vê-lo!»
Corriam para lá em ânsia e o que encontravam era um caixão aberto – com um espelho gigante dentro. Olhavam, reviam-se e, em absoluto silêncio, percebiam, sibilina, a mensagem que aparecia, escrita, em baixo: «Não há ninguém mais capaz de limitar o crescimento do que quer que seja, o nosso sucesso, que nós próprios.»

É assim nos negócios, na vida – e no futebol. Que se joga na alma, na cabeça, muito mais do que Jesualdo Ferreira deve achar, desconfio. Sempre que tem de defrontar equipa grande monta a sua como se a tirasse do vazio que dentro de si encheu de cautelas, medos e desconfianças. Espírito que se espalha, em mancha de óleo, toca os jogadores, por mais geniais que eles sejam – e depois é para cada um, a equipa inteira, o que o calor é para o toco de cera: dá a ilusão breve da luz mas logo a derrete, apaga. Foi o que aconteceu contra o Benfica. Não sei se com outra atitude, outro carácter – o FC Porto não teria perdido na mesma. Mas sei que com outra atitude, outro carácter – o FC Porto não teria sido o que foi: o mais deprimente que vi na Luz pelo menos este século, fio de fumo a enovelar-se, sempre a perder-se. E foi isso que ainda tornou mais patética a insinuação de JF falando de meia hora em que não conseguiu jogar — e a presunção da segunda parte do FC Porto melhor do que o Benfica. Ouvi e não me ri, pensei apenas: está na hora de Jesualdo dar espreitadela ao caixão com o espelho da parábola e de levar o Hulk com ele...

António Simões n' A Bola.

Autópsia de uma justa derrota


1 Nunca tinha visto tal coisa: a semana inteira antes do jogo só deparei com benfiquistas possuídos por uma falta de optimismo total, com nenhuma fé noutra coisa que não fosse uma inevitável derrota às mãos do FC Porto. Poucas horas antes do jogo, um ilustre benfiquista descarregava no treinador e no presidente a responsabilidade pela derrota, que dava como certa. E, quando lhe disse que não compreendia o pessimismo dele, respondeu-me: «Não é pessimismo, é já resignação». Concluí que os benfiquistas estavam borrados de medo do Porto e, recuando aos tempos de infância, senti isso como uma doce desforra: antes de entrar em campo na Luz, o FC Porto já estava a ganhar. E, pelas exuberantes manifestações de alegria de adeptos e jogadores, com tão magra e sofrida vitória, percebi que os benfiquistas têm mais medo do Porto do que de um terramoto de escala 6,1: pareciam sobreviventes de uma catástrofe anunciada, rejubilando por ainda estarem vivos. E confirmei depois, pela euforia sem limites da imprensa desportiva, que o Benfica tinha conseguido uma extraordinária proeza: vencer o FC Porto por 1-0 na Luz. Agradecemos a homenagem.

2 Foi um Benfica-Porto excepcionalmente tranquilo. Não houve declarações incendiárias de parte a parte antes do jogo, não houve incidentes nas bancadas, não houve mau perder nem arrogância na vitória, e, apesar das miseráveis condições do relvado e do mau tempo, não foi um jogo duro nem excessivamente faltoso. Não houve, que me lembre, uma única entrada violenta ou maldosa. Alguns sururus, perdas de tempo e lesões simuladas (dos benfiquistas a defender a magra vantagem) não passaram nunca dos limites normais e aceitáveis. É verdade que antes do jogo, Pinto da Costa foi alvo de uma tentativa de emboscada de uns quantos energúmenos — que a polícia evitou, sem todavia os deter ou identificar. E também, após o jogo, lá houve mais uma confusa história de túnel — desta vez, ao que parece, sem a presença de jogadores do Benfica, mas apenas de stewards ao seu serviço e que conseguiram a proeza de fazer expulsar dois jogadores portistas, já fora do campo e do olhar de testemunhas. Mas, daquilo que se viu, foi só um jogo de futebol e ainda bem.

3 Também não houve «casos de jogo», como quase sempre há. Lucílio Baptista — cuja nomeação considerei uma provocação ao FC Porto — acabou por ver a vida facilitada pelos jogadores e teve uma arbitragem técnica e disciplinarmente razoável, sem influência no desfecho. É verdade que os portistas reclamaram dois penalties na primeira parte, mas sem razão aparente, e é verdade que os benfiquistas reclamaram um na segunda parte e com razão, mas ele resultou directamente da cobrança de um canto que o não era.

4 Enquanto se pôde jogar futebol naquele piso, foi um jogo intenso e bem disputado — a milhas do soporífero Sporting —Benfica de há umas semanas atrás. Claramente, estavam em campo as duas melhores equipes portuguesas do momento, e só não mostraram mais porque o relvado o não deixou.

O Benfica mereceu a vitória, justamente porque jogou melhor enquanto se podia jogar bem. E se o FC Porto jogou mais na segunda parte, foi apenas mais e não melhor. O golo do Benfica, se bem que concluído exemplarmente por Saviola, foi inteiramente fortuito: o David Luiz quis apenas aliviar a bola de qualquer maneira e acabou por isolar com um passe mortal o melhor jogador deste Benfica. Mas, quando o golo apareceu, já se adivinhava e já era merecido. Em toda a primeira parte, jamais o Porto criou um único lance de perigo e passou o tempo todo a transviar passes, a perder bolas no meio-campo e a permitir sistematicamente que o Benfica ganhasse a segunda bola — como sucedeu no golo. Na primeira meia-hora da segunda parte, empurrou, é facto, o Benfica lá para trás e podia também, num golpe de sorte, ter chegado ao golo. Mas apenas dispôs de duas ocasiões para isso e depois, como disse Jesualdo Ferreira, nos últimos vinte minutos já não houve jogo («o Benfica soube gerir o tempo», confessou Jorge Jesus).

Tudo visto e revisto, não tenho dúvida que a grande maioria dos portistas pensa como eu, que a derrota foi justa e não há nada a opor a ela. É isso, aliás, que nos distingue, enquanto adeptos, dos outros: nós sabemos ver futebol, sabemos reconhecer quando a nossa equipa joga mal e não merece ganhar. E onde nós vamos, desde que não nos provoquem, não há incidentes.

5 E porque razão jogámos mal e perdemos? Por duas razões coincidentes e que já aqui anotei antes: porque o Benfica tem muito melhor equipa que no ano passado e nós temos pior equipa. Acima de tudo, e como há muito venho dizendo, porque não temos meio-campo.

Qual era o meio-campo do FC Porto no ano passado? Fernando (que foi uma das revelações do campeonato), Raul Meireles (que fez a sua melhor época de sempre) e Lucho González. Qual é o meio-campo do FC Porto este ano? Fernando (a jogar pior e quase só atrás, a defender), Raul Meireles (a léguas do que fez no ano passado, excepto na Selecção) e um trio, que alterna entre si, formado por Guarín ou Valeri ou Belluschi, e que alguém muito optimista imaginou que poderia, algum deles, substituir Lucho. Para além disso, o FC Porto tem o Cristian Rodriguez transformado, não numa unidade a menos, mas numa nulidade a mais, e perdeu um jogador tão decisivo e vibrante como o Lisandro, substituído por Falcao — que é um bom jogador, mas não tem comparação alguma com o argentino.

Com este panorama, é preocupante ouvir Pinto da Costa (que, como se sabe, é quem faz e desfaz a equipa todos os anos), afirmar que não há necessidade alguma de ir ao mercado, em Janeiro. E não deixa de ser irónico que ele, que todas as épocas vai ao mercado de Verão comprar uma profusão de sul-americanos dos quais nunca se aproveita mais do que um ou dois, servindo os restantes para arruinar a gestão corrente da SAD, agora se arme em poupadinho, enquanto que eu, que sempre o critiquei por isso, agora, sim, ache, que o FC Porto precisa urgentemente de ir ao mercado comprar, não um, mais dois grandes médios criativos de ataque. Se é que queremos evitar outra vez fazer o papel de «sitting duck» contra o Arsenal e se é que queremos evitar o Benfica campeão.

6 Com esta escassez de soluções e face a um meio-campo benfiquista com quatro jogadores, Jesualdo resolveu bater-se com o marcha-atrás Fernando, o intermitente e basicamente apagado Meireles e o inacreditável Guarín — outra teimosia sua, no género do Mariano. Ou seja, entregou o ouro ao bandido, logo de entrada, e depois queixou-se de que a equipa não saía organizadamente para a frente nem ligava o jogo! Pudera, bastava olhar para a cara do Guarín para se perceber o total desnorte técnico e táctico do rapaz, tão perdido num Benfica-Porto como eu estaria a fazer de barítono no S. Carlos! Desta vez, pelo menos, não foi preciso esperar os habituais 60 minutos para que Jesualdo Ferreira realizasse o seu tremendo erro de casting: bastaram 45. Mas fatais.

7 Benfica e FC Porto também se bateram previamente no mercado financeiro, ambos anunciando, com rufar de tambores, duas operações financeiras geniais. O Benfica, realizando uma Assembleia-Geral, onde umas dezenas de sócios aprovaram qualquer coisa que não entenderam bem, passada entre o clube, a SAD e o Benfica Estádio; e o FC Porto anunciando o retumbante «sucesso» de mais um empréstimo obrigacionista colocado na bolsa. É natural que os adeptos não se preocupem muito a tentar entender estas «nuances» das administrações dos seus clubes — o que lhes interessa são as vitórias em campo e pouco mais. Então, expliquemos, sucintamente, o que se passou. No Benfica, o que se passou é que o clube deu o estádio da Luz à SAD, para que esta deixasse de ter capitais próprios negativos — o que, legalmente, provocaria a sua extinção. Quer isto dizer que, se um dia a SAD não tiver como pagar as dívidas, marcham primeiro os jogadores (cujos passes lhe pertencem) e depois o estádio… e o clube fica sem nada. No FC Porto, sucedeu que a SAD contraíu um empréstimo de 18 milhões de euros para pagar outro empréstimo que tinha contraído três anos antes, mais os respectivos juros. E contrair dívidas para pagar dívidas é uma forma clássica de fazer aumentar a dívida. Quanto ao «tremendo sucesso» ficou a dever-se apenas à taxa de juro que a SAD do FC Porto aceitou pagar por esta nova dívida: 6% ao ano — quando as taxas do mercado variam entre 1,25 e 2%. Uma excelente operação!

Miguel Sousa Tavares n' A Bola.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Liga Sagres - Porto perde

Benfica 1 - FCPorto 0.

FELIZ NATAL!


Capas de 20 de Dezembro de 2009


Empate não é bom


Conferência de imprensa de Jesualdo Ferreira n' O Jogo:

Jogar, jogar e jogar - é só isso que Jesualdo Ferreira quer. O treinador desejava que chegasse rapidamente a hora do jogo, até porque dizia ter a equipa preparada para enfrentar o clássico. Mas disse mais: não considera que o empate seja um bom resultado para o FC Porto. Sobre o adversário, tinha duas certezas: está muito forte e... vai contar com Ramires.


Tem a equipa preparada e pensada para o jogo com o Benfica?


Queria era já estar a jogar. Vocês [comunicação social] têm um jogo mediático, é natural, porque é o vosso trabalho. Nós, profissionais, temos um jogo importante, como são todos os outros. Por isso trabalhámos da mesma maneira e, chegada esta altura, queremos é jogar, não queremos falar muito.


Mas já tem o onze na cabeça?

Já, mas não digo qual será.

O FC Porto tem todo o plantel disponível, o Benfica não. Isso é uma vantagem para a sua equipa?

Para nós, é uma vantagem ter todo o plantel disponível. O FC Porto joga sempre com a melhor equipa. Um campeonato tem 30 jornadas e estende-se durante 10/11 meses; há momentos em que as equipas têm todos os jogadores disponíveis e outros em que faltam alguns. Sempre que há um jogo, todos os treinadores colocam os melhores em campo. Foi sempre assim que aconteceu com o FC Porto e continuará a acontecer com todos. Neste momento temos os melhores jogadores disponíveis, e amanhã [hoje] jogará a melhor equipa. Vamos fazer o nosso jogo, e não tenho mais comentários a fazer sobre esse assunto.

O que pensa desta equipa do Benfica?

É uma equipa forte. Muito forte. Mas a minha perspectiva é esta: jogar, jogar e jogar. Já lá queríamos estar e, se o jogo fosse daqui a uma hora, era melhor. Queremos muito jogar e estamos preparados.

Está ansioso?

Eu? Não... [pausa] Não há ninguém que não sinta paixão pelas coisas. As pessoas têm comportamentos diferentes, mas o meu é sempre o mesmo. Já me conhecem para saberem que é assim. É um jogo de emoções, é um jogo em que por vezes se perde a racionalidade, é um jogo de tudo ou nada. Mas não para mim. Quem souber lidar melhor com estas questões e quem estiver no jogo de uma forma mais equilibrada, certamente poderá tirar vantagens. Como não jogo, infelizmente, têm de ser os jogadores a terem capacidade para encarar este quadro...

O empate seria um bom resultado?

Para o FC Porto, não.

Este é também um jogo psicológico?

É sempre.

Mas mais do que os outros?

Não, é igual. Os comportamentos é que são diferentes.

Pedro Marques da Costa n' O Jogo.

Formação - resultados de ontem


Sub-13: Campeonato Distrital de Juniores D (I Divisão)
FC Porto-Trofense, 2-1
(João Bernardo, 34m; Eduardo Pinheiro, 45m)

Sub-13: Campeonato Distrital de Juniores D (II Divisão, Série 2)
Cruz-FC Porto, 0-4
(Bruno Almeida, 11m; André Salgado, 21 e 44m; João Gonçalves, 37m)

Sub-12: Campeonato Distrital de Juniores D (II Divisão, Série 4)
Águas Santas-FC Porto, 0-1
(Bola, 19m)

Sub-12: Campeonato Distrital de Juniores D (II Divisão, Série 1)
Leverense-FC Porto, 0-3

Sub-11: Campeonato Distrital de Juniores E (Futebol de 7, Série 5)
Leixões-FC Porto, 0-16

Andebol - Porto ganha


Em mais um clássico do andebol português, o FC Porto levou a melhor sobre o Sporting, somando, em casa do adversário, mais um triunfo no campeonato, desta feita a contar para a 12ª jornada. Os Dragões venceram por 20-26, consolidando assim a liderança na prova.

A equipa orientada por Ljubomir Obradovic entrou com grande segurança na partida, chegando ao intervalo a ganhar por sete golos de vantagem (8-15).

No segundo tempo, o adversário correu atrás do prejuízo, não sendo capaz, contudo, de colocar em causa a vitória azul e branca, que acabou por se confirmar no final dos 60 minutos.

Os golos do FC Porto Vitalis foram apontados por Dario Andrade (7), Ricardo Moreira (6), Wilson Davyes (4), Tiago Rocha (3), Filipe Mota (2), Inácio Carmo (2), Gilberto Duarte (1) e Pedro Spínola (1).

Basquetebol - Porto perde


O FC Porto Ferpinta perdeu, este sábado, na Luz, por 78-72, em jogo da sétima jornada da Liga.

Numa partida extremamente equilibrada e com o desfecho em aberto a um minuto do final, o portista Julian Terrell distinguiu-se como MVP, somando um duplo-duplo de 20 pontos e 11 ressaltos, a que acrescentou 2 roubos de bola e 2 desarmes de lançamento.

Os Dragões alinharam e marcaram assim: João Figueiredo (5), Carlos Andrade (10), Nuno Marçal (3), Greg Stempin (14) e Julian Terrell (20); André Bessa (5), Jeremy Hunt (12), Rui Mota (0), Jorge Coelho (2), David Gomes (1).

Ao intervalo: 41-38
Por períodos: 22-21, 19-17, 18-15, 19-19

Hóquei em Patins - Porto empata na Liga Europeia


O FC Porto Império Bonança empatou este sábado 1-1 no recinto dos italianos do Viareggio, em encontro da segunda jornada da Liga Europeia.

A equipa da casa adiantou-se no marcador por intermédio de Alberto Orlandi. Na segunda parte, Pedro Gil restabeleceu o empate com que terminou a partida.

Depois de ter goleado os alemães do ERH Iserlohn por 15-3, na primeira jornada, o FC Porto Império Bonança soma agora quatro pontos.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Capas de 19 de Dezembro de 2009


Luzes e sombras


Ontem, instantes depois de o sorteio para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões ter ditado o Arsenal como adversário do FC Porto na próxima fase da Liga Milionária, as televisões e as rádios encheram-se de comentadores que garantiam que os ingleses são um adversário acessível. Ora, "acessível" é uma palavra complicada de usar, quando está em causa o Arsenal. Os ingleses têm receitas anuais de 265 milhões de euros, excluindo transferências de jogadores. Cinco vezes mais do que o FC Porto, por exemplo. Na verdade, o Arsenal é um gigante comparado com a larguíssima maioria dos clubes europeus e um verdadeiro colosso quando confrontado com a realidade portuguesa. E, no entanto, ninguém parece ter dúvidas de que é "acessível". É verdade que, na comparação com o FC Porto, o Arsenal não parece assim tão medonho e assustador. A questão é que essa impressão resulta muito mais da enorme sombra que o FC Porto projecta na Europa do futebol do que de qualquer falta de brilho dos ingleses.

Jorge Maia n' O Jogo.

"Prontos para ganhar"


Fernando fez a chamada antevisão do clássico da Luz politicamente correcta, sem excessos, por vezes como que debitada ao melhor estilo de um gravador, quase sempre a bater nas mesmas teclas, flectindo o discurso perante questões que pudessem suscitar polémica, evitando sempre colidir com o que quer que fosse. Resumindo: teve uma "actuação" monocórdica. Mas vamos lá à bola.

Colocado perante o favoritismo do FC Porto, o médio brasileiro optou por uma táctica de contenção: "O FC Porto trabalha sempre para ganhar os jogos, e este é mais um em que vamos estar preparados para ganhar." Insistiu-se uma segunda vez: "O FC Porto trabalha em todos os jogos para vencer e vai estar preparado para ganhar o jogo." Terceira tentativa: "O FC Porto trabalha sempre para ganhar e para fazer um bom jogo." Em frente...

O clássico surge num momento em que os azuis e brancos estão a subir de rendimento, e Fernando espera que a equipa se mantenha ao mesmo nível: "Estamos a fazer um bom trabalho, é verdade que, nos quatro últimos jogos, as coisas nos correram bem, e esperamos fazer outro bom jogo."

Depois foi a vez de abordar o Benfica e, mais uma vez, o assunto parece que tinha espinhos: "Trabalho no FC Porto e só me diz respeito falar no FC Porto." Fez-se uma variação sobre a questão, misturando as várias ausências na equipa encarnada, em especial a de Di María, que brilhara contra o AEK, na Liga Europa, na véspera: "Independentemente de estar este ou aquele jogador, o FC Porto vai jogar bem e estará preparado para defrontar os jogadores que eles tiverem e conseguir os três pontos." E a nomeação de Lucílio Baptista? "Não vou falar sobre o árbitro."

Contra o Olhanense, o Benfica sofreu dois golos de bola parada, mas Fernando relativizou o assunto: "O FC Porto faz golos de várias formas, não só de bola parada, tem outros meios para fazer golos." Mas será que vencer na Luz poderia conferir uma vantagem psicológica ao FC Porto para o resto do campeonato? "Em todos os jogos que o FC Porto disputar, será sempre bom ganhar, e este vai ser mais um jogo em que vamos jogar para ganhar, sem olhar ao adversário. Esperamos somar mais três pontos nesta fase para conseguirmos o objectivo maior, que é o primeiro lugar."

António Soares n' O Jogo.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Liga dos Campeões - sorteio

O FCPorto defronta o Arsenal nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões.

Capas de 18 de Dezembro de 2009


Interrogações que fazem sentido


O maior elogio que se pode fazer ao crescimento do FC Porto nos últimos jogos passa por interrogações muito simples: qualquer que seja a fórmula usada na tentativa de antecipar o onze da Luz, tudo parece fazer sentido. Juntar Varela, Hulk e Rodríguez na frente: por que não? Jogar com Hulk e Varela, aproveitando Rodríguez mais atrás para reforçar o meio? Faz sentido. Apostar em Falcao? Evidentemente que sim. Belluschi no meio? É capaz. Preferir Guarín para dar resistência? Nunca se sabe, nunca se sabe. Enfim, as fórmulas multiplicam-se e nenhuma parece ser absurda, tornando esta, talvez, na semana mais imprevisível no que toca à antecipação de um onze do FC Porto, convenientemente baralhado. Aliás, para cúmulo, até faz sentido dizer que Jesualdo apostará num 4x3x3 que, em simultâneo e bem vistas as coisas, até pode ser um 4x4x2.

Hugo Sousa n' O Jogo.

"Vamos desmascarar factos que vão indignar"


Pinto da Costa prometeu, ontem, no jantar organizado pela comissão que apoia a sua recandidatura à presidência do FC Porto, "desmascarar" atitudes e comportamentos capazes de deixar o País "estupefacto e indignado", isto na sequência de críticas que fez, não só aos que procuram sistematicamente desestabilizar o clube, mas também às perseguições dos últimos tempos - "foram muitas lutas e coisas difíceis de engolir", sublinhou. O presidente portista pediu "paciência", porque essas prometidas revelações ainda podem demorar. "Largos dias têm cem anos e o próximo dia 28 [data do aniversário de Pinto da Costa] não deve ser o meu último aniversário. Vamos continuar a ter paciência para esclarecer e desmascarar certos comportamentos, atitudes e intenções de factos que vão indignar os portugueses", repetiu.

À margem dessa promessa, Pinto da Costa voltou a dar um sinal claro e firme de que deverá mesmo recandidatar-se à presidência do FC Porto nas próximas eleições. "Serei o primeiro a admitir e a dizer chega. Mas, se não houver nada que me faça mudar de opinião, continuarei a dirigir o FC Porto com o vosso apoio", referiu o líder portista, em resposta ao pedido de continuidade reforçado ontem por Fernando Cerqueira, presidente Comissão de Apoio à Recandidatura de Pinto da Costa, num jantar de Natal organizado no Estádio do Dragão. "Quero garantir-vos, aqui, que continuarei a ser eu mesmo. Quando sentir que não tenho vontade, nem capacidade para denfender os interesses do FC Porto, serei o primeiro a admiti-lo", rematou.

Pedro Marques Costa n' O Jogo.

Eterno branqueamento


SE não temos grandes árbitros é porque a sua ascensão na carreira depende de observadores comprometidos, o que os obriga a inúmeros compromissos. Aqueles que chegam ao topo são sobreviventes: fazem concessões, transigem com cinismo e compreendem de onde sopram os ventos.
Esses ventos sopram hoje do lado do Benfica e com uma intensidade que lembra os anos 60. O que está em jogo, esta época, é mais do que o título: é a exequibilidade da aposta no «tudo ou nada». Depois de anos de fracassos desportivos, os seus dirigentes não têm margem de erro, porque hipotecaram os rendimentos futuros e convocaram enormes recursos de investidores e patrocinadores.

Se tudo lhes correr de feição, o clube será campeão, estará na Champions, realizará mais-valias com jogadores, atrairá maiores receitas de bilheteiras, recuperará o seu antigo prestígio internacional, reembolsará os investidores, compensará os patrocinadores e poderá entrar num ciclo virtuoso, ombreando com o FC Porto.

Se, contudo, as coisas correrem mal, a aposta será irrepetível: o Benfica terá de desinvestir à pressa e ficará reduzido, nas épocas vindouras, à irrelevância desportiva e, quiçá, à insolvência.

Há um mês, o panorama era prometedor. Com o Sporting em decadência e o FC Porto em ajustes, o Benfica somava vitórias gordas e jogava bom futebol. Havia, é certo, quem questionasse a sustentabilidade do apuro de forma, mas os resultados iam calando esses cépticos.

De repente, o panorama mudou, porque a equipa parece acusar o esforço prematuro do princípio da época. O Benfica optou, então, pela vitimização e por dramatizar o discurso. Tudo isso é mais fácil em tempo de crise para a imprensa e para os media, que não querem correr o risco de hostilizar os anunciantes e clientes que fazem parte dos «seis milhões». Acentuou-se, assim, o branqueamento, que propicia o clima de intimidação que já vinha de épocas anteriores, com o propósito nítido de condicionar as arbitragens.

Viu-se como Pedro Henriques foi afastado, há mais de um ano, e desde que não assinalou, a pedido, um inexistente penalty, dos grandes jogos. Vê-se como Jorge Sousa passou de herói em Leiria a vilão depois do jogo de Braga, onde não participou no ciclone encarnado. Não admira, por isso, que Soares Dias não tenha conseguido, em Olhão, descortinar mais uma agressão de David Luiz, que a generalidade da imprensa também omitiu. O que admira é que nem assim tenha conseguido agradar aos benfiquistas...

A pressão encarnada vai, assim, continuar a semear vítimas, afastando os árbitros que não se fingem de vesgos, nem actuam de acordo com os interesses do Benfica. Resta saber se isso chega para concretizar o seu plano. Tem a palavra o FC Porto…


Emprestados
SE Ventura e Tengarrinha tivessem falhado como falharam (cada um do seu lado do campo, mas de forma igualmente clamorosa) contra o FC Porto, com quem têm contrato, estaria criado um clima de escândalo e não faltaria quem os acusasse de alterarem a verdade desportiva. Mesmo assim, ainda houve quem lembrasse que o Olhanense tem jogadores emprestados pelo FC Porto, e atribuísse a essa condição o facto de os algarvios terem realizado uma boa e esforçada exibição. Houve até um jornal que chegou ao cúmulo de, em subtítulo de capa, chamar de «armada portista» à equipa de Olhão e quem dissesse que os jogadores do Benfica foram provocados, numa tentativa clara de branquear a violência encarnada.

Opção lógica
O FC Porto cumpriu, frente aos sadinos, tudo o que era exigível. Não fez uma exibição brilhante nem encantou os adeptos enregelados, que compareceram no Dragão, mas Jesualdo fez o que devia fazer. Poupou jogadores, fez experiências, não correu riscos desnecessários. Afinal, o próximo jogo é na Luz… Não será o jogo do título, qualquer que seja o resultado, porque falta muito campeonato e vão surgir surpresas nos jogos que faltam. Mas o jogo da Luz é muito, muito importante. É verdade que surge num bom momento, mas não se justificam os excessos de optimismo que, aqui e ali, vou ouvindo aos adeptos. O FC Porto terá de estar concentrado, para dar aos adeptos o mais desejado presente de Natal.

Grande Pavão
JESUALDO FERREIRA teve a feliz ideia de homenagear o grande Pavão, que morreu em campo, no Estádio das Antas, ao 13º minuto da 13ª jornada do campeonato, quando defrontava precisamente o Vitória de Setúbal. Pavão foi um dos melhores jogadores de sempre, entre os muitos que vi actuar com a camisola do FC Porto. Merece, por isso, a recordação do seu amigo de infância. O futebol tem dias tristes e, para quem esteve nessa tarde nas Antas, as imagens da tragédia nunca serão esquecidas. Tem, também, momentos bonitos, quando os protagonistas se esquecem das incidências e das questões imediatas. Jesualdo aqueceu a minha noite, com as suas sentidas e bem medidas palavras.

Olhar Olhão
UM golo marcado em off-side, ainda que dificilmente perceptível, já em tempo de descontos, garantiu um pontinho ao Benfica, em Olhão. Jorge Costa optou por não falar sobre esse lance e sobre o critério disciplinar do árbitro. Curiosamente, após o jogo com o FC Porto, não se coibira a tecer críticas severas à arbitragem. Sinal dos tempos, em que até um homem corajoso não se inibe de reclamar por coisas menores, ainda para mais num jogo contra o clube do seu coração, mas não ousa falar de males bem maiores. Pelo menos teve o mérito de o confessar, invocando que tem família… É que o andor anda por aí e, em tempo de Natal, ninguém quer fazer figura de mártir no presépio benfiquista.

Rui Moreira n' A Bola.

A vida é como é


O mundo não vai parar este fim-de-semana, a menos que se corra para o título de 'campeão de Inverno'. A imprensa atribuirá o título se o Benfica ganhar o jogo de domingo e irá colorir as suas primeiras páginas com a paleta da glória e alguns pontos de exclamação; se o FC Porto ganhar, como espero, o ceptro não será atribuído e o destaque será dado às novas contratações do Benfica — contratações que, como se sabe, têm como finalidade retirar o clube da sua grave situação financeira, diminuir o passivo acumulado e mostrar ao mundo como são grandes e fartos os clubes portugueses. A vida é como é. Manda quem pode.
Nos tempos de Co Adriaanse, o treinador que ganhou o campeonato sem saber ler nem escrever, o FC Porto perdeu no confronto directo com o Benfica. Na altura, o treinador do molho holandês (um homem que conseguiu dizer, sem rir, que Diego não tinha talento especial) garantiu que não imaginava que era importante ganhar ao Benfica. Se calhar não é — mas ajuda um pouco, porque sempre são seis pontos a favor, juntando as duas voltas. Mas enfim, nestas contas nunca se sabe; diante dos tetracampeões, há equipas que se agigantam...

Sim, eu gosto de piadas sobre o Benfica. Ajuda, como diz David Luiz a outro propósito qualquer, a manter a pressão sobre o adversário. Lucílio Baptista também tem esse efeito, não tem?

O mundo seria mais tranquilo e os estádios bons para dormirmos a sesta, se reagíssemos como Carlos Carvalhal depois da derrota da sua equipa em Berlim, frente ao Hertha: «Em termos de qualidade de jogo acho que demos um salto em frente.» Isto equivaleria a dizer, depois de uma derrota categórica (o Hertha está em último na Bundesliga), que «até nem jogámos mal» ou «fiquei apenas ligeiramente insatisfeito». Rui Patrício também é um homem generoso e candidato ao prémio do optimista do ano: «Fizemos um excelente jogo, uma excelente exibição.» O resto da frase é: «Mas infelizmente perdemos.»

Francisco José Viegas n' A Bola.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Capas de 17 de Dezembro de 2009


Falar é fácil


O presidente do Benfica disse que era fácil vender alguns jogadores e fazer uma mais-valia de cem milhões de euros. Uma mais-valia, sublinhe-se. Ou seja, depois de descontados os valores que o Benfica terá pago por esses jogadores, depois de amortizados os ordenados e prémios por eles recebidos, seria fácil garantir cem milhões de euros de lucro com a venda, não de todos, mas de apenas alguns. Ora, até sou capaz de admitir que o Benfica faça uma mais-valia de cem milhões de euros em transferências, mas custa-me acreditar que seja fácil. Esta temporada, por exemplo, só dois clubes europeus atingiram a fasquia dos cem milhões de euros em receitas (não confundir com mais-valias) de transferências: o Manchester, que vendeu Ronaldo ao Real Madrid por 94 milhões de euros e o Inter, que vendeu Ibrahimovic ao Barcelona por 65. O FC Porto fez 66 milhões de euros com as vendas de Lisandro, Lucho e Cissokho e isso depois da conquista do tetracampeonato e de uma boa carreira na Liga dos Campeões. Seria fácil ao Benfica fazer cem milhões em mais-valias? Bem, falar também é fácil.

Jorge Maia n' O Jogo.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Capas de 15 de Dezembro de 2009


Uma questão de respeito


Numa entrevista publicada há alguns dias num jornal generalista, Daniel Alves, o lateral brasileiro do Barcelona dizia que, em Espanha, quando se fala do futebol português, "só há FC Porto" e acrescentava uma explicação para o fenómeno: "É a equipa que está sempre na Champions e todos os anos vende jogadores". Há cerca de uma semana, o FC Porto foi a Espanha impor a maior derrota de sempre nas competições europeias ao Atlético de Madrid no Vicente Calderón. Ontem, o sítio oficial do Real Madrid publicou uma sondagem sobre os potenciais adversários dos merengues nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões na qual o FC Porto aparece como o menos desejado. Ora, como dizia o poeta, isto anda tudo ligado. O respeito dos adeptos do Real Madrid foi conquistado a pulso pelo FC Porto com jogos como o que fez frente ao Atlético de Madrid, com mais de 15 presenças consecutivas na Liga dos Campeões e com a transferência regular de alguns dos melhores jogadores que passaram pelo futebol europeu nos últimos anos. Só por cá insistem em faltar-lhe ao respeito.

Jorge Maia n' O Jogo.

Estranha forma de jornalismo


1 A situação repete-se desde há anos e gostaria que alguém ma esclarecesse: porque será que de cada vez que há desordens nas bancadas durante um jogo de futebol transmitido na televisão, nós somos pudicamente postos visualmente à margem dos acontecimentos? Será que há «instruções superiores» para ocultar a violência nos estádios, de modo a fazer crer que essa coisas não existem por cá, ou de modo a não nos impressionar? Não sei, mas seria bom sabê-lo porque, para todos os efeitos, estamos perante um acto de censura, deliberado e em directo. E, perante um anti-jornalismo, que, confrontado com a notícia a acontecer nesse momento, opta por desviar o olhar e assobiar para o ar, fingindo que nada de importante se está a passar.
Sábado, em Olhão, viveu-se mais uma situação dessas, em que durante largos minutos, quinze ou vinte, o relator e o comentador da Sport TV iam fazendo vagas referências às «cenas lamentáveis» que se estavam a viver na bancada, sem ousarem dizer ao certo do que se tratava e, sobretudo, com o realizador a ter um extremo cuidado para evitar mostrar qualquer imagem da cena. E durante largos minutos, foi possível apenas ao espectador aperceber-se da gritaria que vinha das bancadas, da chegada de constantes reforços policiais e até mesmo da apreensão patente nos rostos de jogadores e árbitro — a certa altura, chegando mesmo a suspender o jogo por instantes. O pudor foi ainda levado ao ponto de ocultar quem estava a protagonizar os desacatos — embora não fosse difícil de adivinhar, visto que eles tinham começado logo após o golo inaugural do Olhanense. Mas, a certa altura, houve um ligeiro descuido do realizador e durante breves segundos lá foi possível ver uma entusiasmada claque benfiquista lançando cadeiras e tudo o que tinha à mão para cima da bancada dos sócios do Olhanense.

A esta hora, talvez o presidente do Olhanense já não esteja tão certo que foi uma boa decisão, «uma homenagem aos sócios do clube», renunciar a jogar antes no inútil monumento do Estádio dos Contribuintes do Algarve. Afinal de contas até, e como vem sendo habitual, a anunciada enchente que sempre se anuncia com as visitas do Benfica afinal traduziu-se em meia-casa, se tanto. Este é , aliás, um fenómeno curioso: porque será que quando o Benfica visita um clube «pequeno» se anuncia sempre uma enchente que depois nunca ou quase nunca se confirma? Será que há alguma relação entre isso e o comportamento habitual das claques benfiquistas?

2 Outra coisa que também já entrou nos hábitos futebolísticos nacionais são as declarações do presidente do Benfica na véspera destes jogos. Recebido e apaparicado nas Casas do Benfica ou nos Paços do Concelho locais, Luís Filipe Viera aproveita sempre para dar início ao jogo do dia seguinte ou dessa noite, com um pouco subtil jogo de pressão psicológica. E uma das coisas recorrentes nas suas jogadas prévias são as queixas de que estes adversários costumam jogar muito contra o Benfica — coisa que, para Vieira, é altamente suspeita... Também desta vez, em Olhão, o presidente do Benfica voltou a queixar-se da «motivação extra» dos adversários quando jogam contra o Benfica. Essa motivação extra (contra o Benfica e contra os outros grandes) que, aqui e em todo o lado, é reconhecida por jogadores e treinadores e saudada como coisa louvável por todos os comentadores, isso que, por exemplo, dá origem ao tal «espírito da Taça», para o presidente do Benfica é uma coisa lamentável e motivo de suspeitas. «Não podemos confirmar, mas sabemos o que se passa e como se fazem as coisas...» — disse ele, a propósito, e lançando mão dessa linguagem da insinuação tão cara ao futebol português.

Assim, o principal responsável pelo autoproclamado maior candidato ao título deste ano estranha e lamenta que o Olhanense, por exemplo, não facilite quando enfrenta o Benfica. Aqui está alguém que verdadeiramente contribui para o fair-play e para a «verdade desportiva».

O que valeu ao Benfica em Olhão foi, como é habitual também, os últimos minutos do jogo, um fiscal de linha desatento à posição de Nuno Gomes no golo do empate e um árbitro atento ao facto de domingo haver um Benfica-Porto, quando se encaminhou para Cardozo, depois de expulsar Djalmir, e pelo caminho mudou o vermelho a Cardozo para amarelo.

3 Para aqueles que insistem em continuar a não perceber, o FC Porto voltou a mostrar em Madrid porque razão é o único clube com dimensão europeia do nosso futebol. Com ou sem crise do Atlético, não é qualquer um que chega a Manzanares e dá uma lição de bola ao Atlético, acompanhada de um retumbante 3-0, que ainda podia ter sido mais. Quem conta no futebol espanhol viu certamente com muita atenção a portentosa exibição de Bruno Alves e aquele incrível golo a frio, o pânico que Hulk conseguia gerar entre a defesa colchonera, e a facilidade exuberante com que Fucile meteu ao bolso Simão Sabrosa, deixando-o reduzido ao habitual expediente de se atirar para o chão na área — que tão bons resultados dava com árbitros portugueses e ao serviço do Benfica, mas que na Europa só leva os árbitros a aconselhar-lhe juizinho.

As grandes equipas, como os grandes jogadores, são as dos grandes jogos. Esta época, a equipa tem sido medíocre nos jogos menos importantes (ainda anteontem, contra o Setúbal), mas, nos momentos a sério — como em Stamford Bridge, contra o Chelsea — nota-se a diferença. Mas, para ter um lugar certo entre o clube dos dez mais da Europa, faltam a esta equipa algumas peças essenciais: um guarda-redes de top e dois médios de ataque criativos. Depois, falta que Cristián Rodríguez comece a jogar qualquer coisa e que Fernando deixe de ser apenas um bom médio defensivo, alargue o seu raio de acção no jogo, perca o medo de ir à frente e melhore muito a qualidade dos seus passes. Mas, para já, conquistou o seu habitual lugar, pelo menos, nos dezasseis avos-de-final da Champions, já cobrou 18 milhões de proveitos e, pela situação actual do campeonato, já tem praticamente garantida a participação na Champions do ano que vem, mesmo que fique em segundo lugar (porque, como cabeça de série, é de prever uma eventual qualificação acessível).

4 O que acima escrevi, significa que acho que o Sporting já foi e que o Braga não chegará lá — aos dois primeiros lugares do campeonato. Uma e outra coisa venho aqui prevendo desde o início do campeonato. O Sporting, porque toda a gente vê, a olho nu, que não tem equipa e, quando assim é, não bastam a vontade ou a fé. O Braga, porque muito tem já feito — e muita coisa com alguma sorte — mas não acredito, não vejo, que a equipa tenha a consistência e a resistência de um líder. Um líder tem de jogar sempre para ganhar e, para tal, precisa de individualidades que resolvam os jogos que o conjunto não consegue resolver. Para isso é preciso ter um Saviola ou um Hulk, e o Braga não tem. Ao longo de trinta jornadas, isso acaba por fazer diferença.

5 O «Apito Dourado» morreu de vez, esta semana, no Tribunal da Relação de Coimbra, com a confirmação da absolvição de Pinto da Costa e restantes co-arguidos, no caso do suposto suborno do árbitro do Beira-Mar-FC Porto de 2004 — um jogo que já não contava para nada, excepto para alimentar a inveja e maledicência nacionais. Olhando para o teor dos acórdãos, qualquer um pode concluir facilmente que, se tivesse tido um mínimo de isenção e bom-senso, nunca o Ministério Público teria assumido aquela acusação, pela simples razão de que tudo o que tinha baseava-se apenas na vendetta pessoal de uma testemunha que merecia zero de credibilidade. Porque escrevi isso aqui desde o primeiro dia, sinto-me também vencedor do processo. E só lamento que os notavelmente vencidos não assumam agora as suas responsabilidades. O único que o fez foi o pateta do Platini — mas, tal como agora se retratou, também antes acusou e difamou sem fazer ideia do que estava a falar. Mas a dr.ª Maria José Morgado, o dr. Pinto Monteiro e o dr. Ricardo Costa nem essa desculpa têm. O que lhes vale é que este é o país da impunidade.

Miguel Sousa Tavares n' A Bola.