sábado, 13 de junho de 2009

Benfica não tem a cultura de vitória do FC Porto

Natural de Matosinhos e antigo sócio do FC Porto, José Gomes, adjunto de Jesualdo, considerou que se destacou na transmissão dos ideais do clube aos jogadores mais novos. No futuro, quer voltar a ser treinador principal.

O início da época não foi fácil, com três derrotas seguidas em Novembro. Houve críticas ao seu trabalho e até comparações depreciativas com Carlos Azenha. Como lidou com isso?

Senti-me injustiçado. Calculo que o Azenha não tenha culpa nenhuma pelas opiniões que foram transmitidas em vários lados, como alguns programas de televisão, na internet e em vários órgãos de Comunicação Social, mas a verdade é que me senti injustiçado. Porquê? A base dos discursos era esta: lá vem mais um do outro clube de Lisboa para o FC Porto. Fiquei sempre com esse carimbo. Mas relembro que os meus bisavós, avós e pais são do Porto. Fui sócio do FC Porto quando era criança e sofri e festejei com os momentos bons e maus. A perspectiva não era estar em causa a competência e o trabalho desenvolvido, mas sim essa ligação que faziam a outro clube. Todos os clubes têm símbolos com mais ou menos peso, mas nenhum outro tem a palavra Invicta no símbolo. Essa palavra acaba por traduzir aquilo que é um sentimento de uma região, uma cidade, com um peso histórico grande e que o clube abraçou como lema, alicerçado em exibições muito próprias, com características de jogadores à Porto. Pode-se dizer como é que um fulano com apenas uma época no clube contribuiu para esta passagem do simbolismo aos jogadores? Mas foi precisamente nesse ponto que estou seguro de que ajudei, embora as coisas não se consigam sozinhas. Estou ciente de que tive uma importância positiva na transmissão do simbolismo desta palavra aos muitos jogadores novos que chegaram ao FC Porto.

Já trabalhou no Benfica. Quais são as diferenças entre o FC Porto e o Benfica?

A diferença é total. Quando se fala do FC Porto, não se fala apenas do trabalho diário. Há um sentimento global de equipa, de clube, de uma defesa aguerrida, forte e marcante dos interesses do FC Porto. Vem de encontro ao tal simbolismo da palavra Invicta. São coisas inerentes à própria cidade. Não falo apenas dos técnicos, administradores, dirigentes e das pessoas que acompanham mais de perto a equipa, mas também de todos os funcionários. Há um sentimento de que todos estão aqui para ajudar. Há uma cultura de clube e de vitórias, uma coisa que se sente, em que todos estão a dar o seu contributo. E essas pessoas chateiam-se e zangam-se seja contra quem for na defesa desse propósito. Esta é que é a grande diferença entre o FC Porto e o Benfica.

Não encontrou isso no Benfica?

Não.

Está a dizer que fazer ou ter uma boa equipa não é só por si suficiente para ganhar?

Não é. Claramente não chega. Claro que é importante ter os melhores jogadores e os melhores treinadores. Com mais competência a todos os níveis, naturalmente fica-se mais perto de ganhar. É muito importante esta união que se respira no FC Porto entre todos os funcionários, jogadores, equipa técnica e administração. Não vi este sentimento no outro clube que mencionou [Benfica].

Tomaz Andrade n' O Jogo.

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