sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Os novos têm de perceber o que é jogar no FC Porto

BRUNO ALVES n' O Jogo

Três derrotas e nove golos sofridos em dez jogos fizeram soar o alarme, apesar de a equipa estar na liderança do campeonato e presente em todas as competições. Bruno Alves deu ontem a cara, enfrentou a crítica de peito feito e mostrou-se confiante. Com mais trabalho e entrosamento, diz, o FC Porto vai melhorar a eficácia defensiva e ofensiva, evitando mais desgostos. Primeiro, um olhar ao sector que comanda. "A explicação é que a equipa mudou alguns jogadores e estamos ainda numa fase de adaptação. A equipa está a conhecer-se e os jogadores novos estão também a conhecer a identidade do clube. Estas coisas levam sempre o seu tempo, mesmo que não haja muito para essa adaptação, que tem de ser rápida. Os jogadores mais novos têm de compreender o que é jogar a este nível e no FC Porto. Têm procurado melhorar, entender os métodos do treinador e analisar aquilo que tem de ser feito para ganhar jogos", disse.

Ora, o tempo é um bem precioso no futebol, mais ainda com a sucessão de compromissos a que uma equipa está sujeita. "A estabilidade vem com os jogos grandes, como o Dínamo e o Sporting, mas também o Leixões, que está a fazer uma boa carreira. É com estes que vamos aprendendo, melhorando o conhecimento entre os jogadores".

Vencer o Leixões é, assim, o melhor antídoto para esquecer o Dínamo de Kiev. "Quando o FC Porto vem de um jogo menos conseguido, tenta sempre fazer melhor no seguinte, isto é, ganhar. Temos trabalhado bem e temos confiança em todos, sabendo que o plantel é bom. Esperamos que a massa associativa nos apoie ao máximo, como tem feito até agora".

Apesar da motivação, os ucranianos ainda estão atravessados na garganta e no Olival, nota-se, o ambiente é de ressaca. "Procuramos reagir da melhor maneira possível. Não estamos habituados a perder, é verdade, ainda por cima na Liga dos Campeões. Era um jogo que considerávamos importante e que podíamos ter ganho. De qualquer forma, estamos a recuperar, até porque temos já um jogo muito importante no sábado, essencial para continuarmos na frente do campeonato. Quanto à derrota na Liga dos Campeões, são jogos que acontecem. Também já ganhámos algumas vezes dessa maneira. Claro que os jogadores ficaram decepcionados, porque podíamos ter ganho. Há que trabalhar bem e arranjar outros meios para marcarmos mais golos e também para não os sofrer"

Capas de 24 de Outubro de 2008

Recordações e boas tradições

NA terça-feira, apesar de estar condicionado por ter, nessa noite, o meu habitual compromisso televisivo, resolvi que tinha de ir ao Dragão com os meus filhos. Afinal, há lendas que passam de geração para geração e, dos muitos jogos que vi no velho Estádio das Antas com meu pai, aquele que me deixou melhores recordações foi o de Abril de 87, contra o Dínamo de Kiev, que era então a equipa europeia que melhor futebol jogava.
Foi no estádio à pinha e em festa, depois de ganharmos o jogo em que Futre fez a sua melhor exibição com as nossas cores, que se abriram as portas da final de Viena. Foi nessa noite que prometemos que não faltaríamos à final porque, depois daquela vitória, já não receávamos a segunda mão, em Kiev.

Passaram mais de 20 anos. Desta vez, o Dínamo chegava em boa hora, para enfrentar o FC Porto, que regressava ao Dragão depois de uma ausência de 25 dias, em que fora derrotado em Londres mas também vencera em Alvalade e assumira a liderança do campeonato.

Esperava, por isso, que os adeptos estivessem com fome de bola. Mas, afinal, as bancadas estavam menos repletas do que é costume e, não fossem as claques, também mais silenciosas. Terá havido uma premonição colectiva?

A verdade é que foi uma noite desastrada. Desta vez, nem se pode falar de falta de empenho, nem sequer se pode acusar o treinador de ter inventado, porque jogou com a táctica habitual. O problema é outro, e está mais acima. Um dia, falarei no nervosismo da hierarquia, mas não é este o tempo certo para divagações ou derrotismos. O que importa, agora, é ganhar lanço e estofo para a révanche. Não estamos nos idos de 87, mas temos de voltar a Kiev para ganhar a este Dínamo de trazer por casa. Aliás, o Sporting acaba de vencer na Ucrânia, o que só nos pode espicaçar.

Rui Moreira n' A Bola.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Classificação Liga dos Campeões

Liga dos campeões - Porto perde

O Porto perdeu, em casa, com o Dínamo de Kiev. Porto 0 - dínamo 1.

Capas de 21 de Outubro de 2008

O temido regresso do pechisbeque

Não era inevitável, mas era previsível. O pechisbeque voltou em força às primeiras páginas dos jornais, e desta vez a culpa não é da crise do subprime. Quero sublinhar que a expressão "pechisbeque" - utilizada para designar as primeiras páginas dos jornais que valorizam o Benfica muito para além do seu valor facial, pela necessidade de dourar a pílula que se serve aos adeptos encarnados - foi aplicada originalmente pelo director de outro jornal desportivo há um par de semanas. Na altura, celebrava-se a sequência de triunfos dos encarnados sobre o Sporting e o Nápoles e tinha-se como certo que este Benfica dispensava os corantes e os conservantes: podia servir-se ao natural. Afinal, bastaram dois jogos para voltarmos à comida de plástico. Ou ao pechisbeque. Entretanto, Quique Flores, em entrevista ao jornal "AS", reconheceu que a vantagem do FC Porto no futebol português se explica com a existência de um projecto credível, que vai da formação de jogadores às vertentes sociais. Banalidades que não fazem boas primeiras páginas.

Jorge Maia n' O Jogo.

Continuar a crescer

Confrência de imprensa de Jesualdo Ferreira n' O Jogo:

Não abordou a condição física de Fucile ou Rodríguez; não se pronunciou sobre a questão da baliza; não quis destacar nenhum jogador do Dínamo de Kiev. Jesualdo Ferreira apenas generalizou. E, como de costume, não havia lista de convocados para o confrontar com as escolhas que fez. Dessa forma, as perguntas que realmente interessavam ficaram penduradas ou, quando abordadas, acabaram sem resposta. Um exemplo do que ficou pendurado: por que razão não se senta Helton no banco?

Adiante. Sobre o adversário, diplomacia: "Conhecemos bem o Dínamo. Estamos perante uma equipa que é muito forte e é bom que todos tenhamos consciência disso." E continuou. "Só vamos conseguir ganhar este jogo se estivermos todos juntos: jogadores, treinadores, administradores e adeptos." E não parou. "Este jogo vai exigir-nos grande capacidade colectiva testando a nossa capacidade de concentração. Pode durar 90 ou 94 minutos, e é preciso ganhá-lo no minuto que for, com muito suor e trabalho. A nossa equipa tem de ser aquilo que tem sido nos jogos importantes e decisivos. Não estou a criar nenhum fantasma, mas a dizer o que sentimos." A fechar, uma conclusão: "O FC Porto é uma equipa mais crescida do que era há dois meses, mas ainda tem muita margem de progressão. Terá de continuar a crescer e só o podemos fazer num clima de seriedade, com um jogo de equipa forte."

"O Sporting também nos ia degolar..."

Para Jesualdo Ferreira, não faz muito sentido continuar a lembrar a derrota de Londres, e explica porquê. "O jogo com o Arsenal foi há tanto tempo e continuam a falar dele. Depois disso, já fizemos mais dois. Um deles garantiu-nos a liderança do campeonato, num campo difícil, contra um adversário que colocaram como carrasco do FC Porto, dizendo que iríamos morrer ali degolados e que seríamos esfolados. Já estamos habituados", ironizou, evitando projectar a importância do jogo desta noite nas contas do grupo. "Se o Arsenal continuar sem falhar; se o Dínamo… Ainda é muito cedo. O Arsenal só tem mais um ponto", lembrou, antes de rematar com uma certeza: "O jogo com o Arsenal não nos vai condicionar. É outro adversário e outro momento. Temos vindo num trajecto aos solavancos, não de resultados, mas de preparação e trabalho. A capacidade das equipas nota-se não pelos resultados que fazem, mas pela capacidade que têm de virar resultados negativos." A propósito de adversidades, ainda que de outra natureza, perguntou-se por Fucile - ainda não havia convocatória, recorde-se - e por Rodríguez. Nada feito nas dúvidas por esclarecer. "É uma análise que vão ter de fazer depois. Neste momento, não é motivo de conversa em conferência de Imprensa."

O hábito de virar bem na Champions

O FC Porto já não perde em casa para a Liga dos Campeões desde o jogo com o Artmedia. Por outras palavras: na Champions, nunca perdeu em casa desde que Jesualdo é o treinador. "Isso dá-nos confiança e outra tranquilidade", reconhece, antes de mencionar outra tradição, também ela favorável. "Esta é a última jornada da primeira volta da Liga dos Campeões. Nos últimos anos, temos conseguido fazer muito bem a viragem da primeira para a segunda volta. Esperemos que isso se repita." O Dínamo de Kiev ainda não perdeu: empatou com o Arsenal, em casa, e na Turquia com o Fenerbahçe.

Escolhi, mas não digo

Pergunta: "Já escolheu o guarda-redes?" Resposta: "Já." Pergunta: "E quem é?" Resposta: "Amanhã vêem." Na verdade, já se sabia que seria Nuno a jogar, mas o que se desconhecia - e o assunto não foi desenvolvido - era que Helton nem na convocatória estava.

sábado, 18 de outubro de 2008

Taça de Portugal - Porto apurado

O Porto venceu o Sertanense por 4 golos sem resposta e continua em frente na Taça de Portugal.

Capas de 18 de Outubro de 2008


Teoria da desinspiração

Toda a gente tem uma teoria sobre a Selecção Nacional. Sim, eu também tenho uma. Não é melhor nem pior do que as outras, mas é a minha e eu gosto dela por isso. Ao contrário do que diz a corrente mais populista, não me parece que o problema com a Selecção seja a falta que Scolari faz ao futebol português. O problema com a Selecção é a falta que José Mourinho faz ao futebol português. Eu explico. Tal como Jesualdo Ferreira sublinhou ontem, Scolari chegou à Selecção sem a pressão de fazer um apuramento, mas, mais do que isso, sem a pressão de ter de fazer uma equipa. E não a fez. Já estava feita, por José Mourinho, no FC Porto que venceu a Taça dos Campeões Europeus com sete jogadores portugueses que Scolari, mesmo assim, manteve à distância até esgotar a margem de erro no seu primeiro jogo oficial: a derrota com a Grécia no jogo de abertura do Euro'04. Ora, essa base de trabalho construída por Mourinho foi sustentando o resto da Selecção e durou até ao Mundial de 2006. Depois esgotou-se e ninguém tratou de a repor. E assim, temos Queiroz a começar do zero, sem Mourinho que lhe valha nas aflições.

Jorge Maia n' O Jogo.

Esta eliminatória não vai ser um passeio

Conferência de imprensa de Jesualdo Ferreira, n' O Jogo:

O FC Porto vai apresentar-se na Sertã sem metade dos jogadores que compuseram a equipa que venceu em Alvalade. As alterações na convocatória são numerosas, mas Jesualdo Ferreira exige que a equipa se apresente com a mesma atitude na terceira eliminatória da Taça de Portugal. As lições com o Atlético e o Fátima estão mais do que assimiladas, por isso o técnico garantiu que a equipa que subir hoje ao relvado será a que representa melhor o FC Porto nesta altura, mas terá de trabalhar muito para seguir em frente.

Que dificuldades espera encontrar neste jogo da Taça de Portugal?

Muitas. Campo pequeno, muita gente a querer ver se o FC Porto perde, para o Sertanense tentar ganhar um milhão. Mas vamos ter de trabalhar e suar muito para ganhar, como no ano passado. Pelo que pudemos observar desta equipa é praticamente a mesma que defrontámos na época passada e não vai ser a passear que vamos conseguir passar esta eliminatória.

Vai fazer muitas alterações na equipa?

Vai haver algumas por gestão em função dos jogos de selecção, mas também por uma questão de equilíbrios que temos de ter em atenção, em função dos compromissos que temos nas próximas semanas. Não pelo facto de o Sertanense, com todo o respeito que temos, ser uma equipa de um escalão inferior, mas pelo posicionamento deste jogo em relação aos que vêm a seguir e fundamentalmente porque os jogadores estiveram afastados do trabalho de equipa durante alguns dias. Isto obriga-nos a procurar uma estrutura que seja sólida, coerente, lógica, competitiva e competente para ganhar este jogo.

Vai correr mais ou menos riscos com as alterações que vai fazer ?

No ano passado, o FC Porto foi à Sertã e foi uma equipa séria, profissional, ganhou com justiça e é aquilo que eu exijo à minha equipa amanhã [hoje]. A equipa que vai representar este emblema será a melhor. Temos princípios, objectivos claros e consciência da responsabilidade do jogo.

Onde vai mexer sem desequilibrar a equipa?

Provavelmente em todos os sectores. É importante manter blocos, enquadramentos que tenham alguma rotina e treino, mas o equilíbrio vai estar presente, porque é o que perseguimos de forma obsessiva.