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terça-feira, 10 de maio de 2011
António Simões n' A Bola
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terça-feira, 3 de maio de 2011
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terça-feira, 26 de abril de 2011
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terça-feira, 19 de abril de 2011
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terça-feira, 5 de abril de 2011
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terça-feira, 29 de março de 2011
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terça-feira, 8 de março de 2011
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
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terça-feira, 18 de janeiro de 2011
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terça-feira, 9 de novembro de 2010
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terça-feira, 26 de outubro de 2010
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terça-feira, 19 de outubro de 2010
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terça-feira, 14 de setembro de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
Jesualdo, a vida
Meu caro prof. Jesualdo Ferreira
NUNCA imaginei vê-lo fazer o que fez no Jamor: levantar-se, abrupto, da conferência de imprensa, praguejando, descabelado:
– Vocês não me querem aqui!...
Vocês?! Acha que somos nós, sádica camarilha de jornalistas, que não o queremos aí? Dê saltinho ao blog Dragão até à Morte – e veja. É, no futebol as opiniões não mudam apenas com os resultados ou a palidez das exibições, mudam por sinais, humores e espantos – e sobretudo quando nos esquecemos do que somos. Foi o seu drama: esquecer-se do que o FC Porto é, não se dando largo por dentro, na alma, ao sonho deles. Isso também está no Dragão até à Morte, num post fechado em angústia: «Prof. no final do jogo com o Chaves, sabe o que se dizia no autocarro em que viajei? Que o pessoal vinha mais animado da derrota na Taça da Liga do que da vitória de ontem. E a malta não é masoquista...»
Pois, a história mostra-o: mais tarde ou mais cedo, quase todos os treinadores, mesmo os bons como você, transformam-se numa espécie de monstro em que há dois homens num, o segundo é o que se perde, se destroça, se lamenta, se irrita. E o seu problema, pressente-se, é que 90% dos portistas acreditam que esse segundo homem em si já desfez, fatal, o outro. Sim, um dos desportos nacionais predilectos é a caça ao bode expiatório e num jogo como o futebol por trás do culpado que se aponta há dezenas de falsos inocentes a dormirem à sombra tranquila do destino – é cruel, é assim. Agostinho da Silva ensinou-me que pode haver encanto filosófico em termos a coerência do incoerente e a originalidade de não nos importarmos nada com isso. Ao pensar nessa ideia dele, outra me apareceu, súbita: mesmo depois do que eu já disse de si, se o seu substituto não for Domingos Paciência ou Carlos Queiroz – injusto é não continuar você aí. Mas se ficar ou for para outro lado, não se esqueça, nunca mais, de que o optimista ou o audaz erram tanto como o pessimista ou o medroso mas sofrem muito menos...
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terça-feira, 4 de maio de 2010
O diário futuro
9 de Maio. Alguém me disse que os críticos de futebol são uma casta privilegiada porque começam a jogar sempre depois dos desafios acabarem e assim ganham-nos todos. É capaz de ser verdade. O Benfica venceu o Rio Ave. Sinto a cidade em festa, agitando-se, vermelha, em frenesim, encantado. Como o campeonato já acabou poderia escrever sobre a magia de Di Maria; o modo como Jorge Jesus deu a todos os seus jogadores oito pernas, quatro pulmões e duas almas, mas não – vou dizer apenas que nunca me passou pela cabeça que o campeão de 2009-2010 se chamasse Domingos Paciência. Sim, mesmo com menos pontos, para mim, o campeão foi ele – porque no futebol entre uma vitória real e uma vitória moral há sempre uma margem larga para se pôr lá, poético, o que se quiser...
16 de Maio. Alguém me disse que o futebol é ópera popular que balança entre contrates: sombra e luz, justiça e injustiça, sorte e azar, vítima e carrasco, que ganhar ou perder está nas mãos ou nos pés do acaso ou, pior, da precária justiça dos homens, através de um apito, um código, um capricho – que isso o torna cruel. É capaz de ser verdade. O FC Porto venceu o Chaves, vejo azul a horda a correr para o túnel do Marquês. Como o jogo já acabou poderia escrever sobre a amargura da Champions perdida; a roleta russa de Pinto da Costa dando ao Braga bala que lhe levou o sonho; a desgraça de ter havido menos Hulk do que poderia, mas não – vou dizer apenas que nunca me passou pela cabeça que aquela Taça valesse tão pouco, que a tragédia de Jesualdo fosse não ter percebido mais cedo que para fugir da maldição do quarto ano teria de fugir da obsessão do 4x3x3 – e jogar sem a palavra começada por m que suspeito tenha sido a que o expulsou contra o Benfica...
24 de Julho. Alguém me diz que no futebol, o pior cego é o que só vê a bola, o que ela faz em reles, ridículos, detalhes. É capaz de ser verdade. E continuo a olhar o horizonte, a ver se vejo Domingos Paciência a entrar no Dragão, para agarrar o seu destino...
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terça-feira, 27 de abril de 2010
Do carácter
FOI há 36 anos. Era Abril e dos canos das espingardas nasceram em flor cravos vermelhos. Tombou o fascismo – e a CUF. Pouco antes, os seus jogadores tinham largado espanto pela Taça UEFA – e quando lhes falaram do tempo novo, do (falso) romantismo no desporto da RDA ou da URSS, alguns deles, deixaram-se levar pela ilusão, chegaram a andar de fato-macaco, juntando ao futebol no campo, o trabalho nas fábricas...
Manuel Fernandes era a sua estrela – e não foi por aí. Pedroto estava apalavrado com o FC Porto e pediu a Américo de Sá que o fosse buscar depressa, soubera que João Rocha tinha tudo mais ou menos tratado com ele. Só de luvas ofereceu-lhe mil contos – muito, muito mais do que o Sporting lhe prometera. Era irrecusável, achou, ao primeiro impulso – mas, quando se abeirou do telefone tentado a responder sim, lembrou-se da mãe. Morrera semanas antes e quando já não perdia jogo do Sarilhense, revelou, profética, ao filho,que haveria de vê-lo em Alvalade. Então, pediu desculpa – que, para além do desejo dela, havia algo mais importante: comprometera-se com João Rocha, não assinara nada, mas deixara-lhe ao ouvido numa palavra, a sua honra. Américo de Sá percebeu, Pedroto também...
Do futebol moderno foi-se criando, entretanto, nítida, redonda, a ideia de que a única moral que vale a pena é a moral que aceita que as chaves do sucesso possam ter a forma de um pé de cabra, na frase que Pepe Sásia, tornou perfeita na metáfora da imperfeição:
–Atirar areia aos olhos de um guarda-redes é mau? Nós sabemos que os dirigentes não gostam que se faça isso, se o fizermos dando nas vistas...
Sábado, em Setúbal, Manuel Fernandes mostrou que o seu carácter não mudou – quando, logo depois, do cartão amarelo a Falcao, percebendo o que Pedro Henriques não percebera no seu destempero, o julgou simplesmente injusto. Ouvi, não me espantei. O que pensei foi que o fulgor que salta, em campo, jogo a jogo, do futebol do Benfica não merecia mais esta desconfiança por patacoada alheia...
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terça-feira, 6 de abril de 2010
De bicicleta
NAS minhas memórias mais longínquas há uma foto a preto e branco de Leónidas da Silva, acrobático, num instante em que ele parece vencer, mais deus do que homem, a lei da gravidade. A bola já não está lá, mas imagina-se: vai, caprichosa, a caminho das redes, em profético destino. Anos a fio me contaram que fora assim: o corpo no ar, as costas para baixo, em frenesim de tesoura, que ele se imortalizara. No Mundial de 38, jornalista francês, jurou, arrebatado, que lhe contara seis pernas a desdobrarem-se umas nas outras, que coisa como essa só poderia ser a magia negra que ele era. Tudo isso talvez fosse verdade. Só numa coisa me enganavam: que o golpe da bicicleta fora ele que inventara. Não foi, descobri depois – foi Ramon Unzaga, no porto chileno de Talcahuano, algures pelos anos 10. Lançou a jogada e David Arellano celebrizou-a. Pequenino, encantava-se ao vê-lo ensaiar a pirueta na areia suja da praia. Tanto o imitou que puxou a criação para lá da criatura. Arellano jogava no Colo-Colo e em 1917 veio, estrela já, em digressão à Europa. Em Espanha, vários golos marcou de bicicleta – que, súbita, se rasgou em tragédia: em Valladolid, sonhou, outra vez, as bancadas a saltarem em reboliço do seu chão, entrou, sublime, em voo, um defesa atingiu-o, brutal, com um pontapé no peito. Morreu, horas depois, no hospital, de uma peritonite. O Colo-Colo pôs-lhe o nome no Monumental de Santiago – e do emblema do clube nunca mais saiu o fumo negro que foi luto por ele.
Tem piada: sábado, ao minuto 5 do FC Porto-Marítimo, não foi o espírito de Arellano que eu percebi a insinuar-se-me na cabeça – foi o de Leónidas. Quando pensei que se os jogadores de futebol fossem, românticos, como antigamente – Peçanha tinha-se levantado, vencido, do chão e batido palmas a Falcao. Pois reza a história que era o que faziam os guarda-redes quase sempre que Leónidas largava pelos campos golos como aquele: poemas delicados a nascerem-lhe dos pés em flor, lá no ar. Falcao merecia.
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terça-feira, 30 de março de 2010
Do poeta morto
Meu caro Hulk:
OI! Você me conhece, sou Carlos Drummond de Andrade, o poeta. Não estranhe: mesmo morto continuo vendo futebol. Deixe que conte um troço para você: uma noite, entre o fio de cachaça e a nuvem de fumo, amigo meu me revelou, torcido:
– Tenho remorso antigo. Quando era garoto, adorava futebol de botão. Um dia, acabei com os botões do quarto de costura de mamãe, e não havia outros em casa. Fui ao guarda-roupa de vovô e saqueei-o. Coitado, o velhinho vivia na cadeira de rodas, e praticamente só usava pijama. No dia em que ele morreu, a família ficou atrapalhada para vestir-lhe um terno escuro: estava tudo sem botão...
É, eu sei que houve gente aí que andou fazendo de você botão, agarrado não para jogar – mas para esconder, estragar, queimar talvez. (E acho que não tem remorso, não...) Por isso, quando, domingo, o vi, vibrando louco com aquele gol, sabe que pensei?:
– O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols, como Pelé. É fazer um gol como Pelé. Aquele gol que gostaríamos tanto de fazer, que nos sentimos maduros para fazer, mas que, diabolicamente, não se deixa fazer...
Esse seu gol foi gol como só Pelé fazia, acredite – contra o destino e a revolta, um desses lances que levam vocês, os jogadores de bola, para lá da humanidade. Pois é, ainda estava com aquela sua festa em Belém nos olhos - e um cara aqui, lembrou que fui eu que descobri que no futebol a imparcialidade do juíz é uma virtude que desejaríamos se voltasse para o nosso lado. Percebi a insinuação dele, rebati: não tem nada a ver. E não. E lembrei de lhe escrever – para dizer que seu gol não foi o ponto mágico onde há-de começar tudo a nascer do perdido, lentamente - foi a prova de que crime mesmo é deixar alguém como você fora da grama sem dar para nós sua poesia. Quem ganhou com seu drama? Não sei - nem importa. Quem perdeu, isso sei - foi o futebol. (Ah! Pecou? Tinha de pagar! Mas justo era pagar em dinheiro, jogando, né?! Fala isso aí...)
António Simões n' A Bola.
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