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domingo, 1 de maio de 2011

André Villas-Boas - Ficou bem explícito que somos a melhor equipa portuguesa

N'O Jogo

O discurso está estudado e não admite euforias desmedidas. Apesar da comparação implícita com o Benfica, André Villas-Boas não deu corda aos elogios à sua equipa - apesar de os ter considerado merecidos - e até fez questão de recordar reviravoltas do passado para garantir que a eliminatória com o Villarreal não está decidida. Sobre o jogo de hoje, com o Setúbal, mais do mesmo; para o treinador, adivinham-se... dificuldades.


Nos últimos dias tem-se assistido a muitos elogios ao FC Porto e sente-se que a equipa vive um clima de euforia. Como vai gerir essa situação?
No que diz respeito à Liga Europa, não faltam exemplos de grandes recuperações. Temos de nos manter alertados para essa possibilidade. Há um bom exemplo em 2003, quando o Deportivo da Corunha reverteu um resultado parecido numa eliminatória com o Milan. Este é apenas mais um indicador de que nem tudo é tão fácil como parece. Relativamente ao campeonato, este jogo é decisivo para o Setúbal. Joga com o FC Porto, Sporting e Portimonense nas jornadas ainda por disputar e necessitam de confirmar a manutenção. Esta será uma óptima oportunidade para eles. Estamos conscientes do que temos feito, mas também das dificuldades que vamos encontrar. Não será um jogo fácil e tudo poderá acontecer.

Guarín elogiou-o pela conversa que teve no intervalo do jogo com o Villarreal. Afinal, o que se passou?
Podem pensar o que quiserem, mas não há treinadores que mudem o rumo dos acontecimentos naquele sentido ao intervalo. Nem sequer houve alterações tácticas, ao contrário do que se escreveu. Mantivemos a nossa identidade, a mesma pressão, e só lhes disse que era apenas uma questão de eficácia, porque estávamos a conseguir fazer o nosso jogo. Estávamos a cruzar para a área e, normalmente, chegamos ao golo dessa forma. Na primeira parte não aconteceu, mas conseguimos na segunda. Nada do que disse foi revolucionário ou inovador para explicar a nossa segunda parte. Nesse sentido, registo a capacidade emocional que tivemos para dar a volta. Depois, a partir do 3-1, o Villarreal passou por um período de descontrolo emocional que nos permitiu chegar aos cinco golos. Mas, atenção: não é um resultado definitivo para o jogo da segunda mão.

No meio de tantos elogios, consegue encontrar algum defeito na sua equipa?
Isso não é relevante. Não sou eu que tenho de tornar público as pequenas falhas que podemos ter, até porque elas são diferentes de jogo para jogo. Não há um padrão nos nossos erros, até porque, se assim fosse, seria um sinal de que não estávamos a conseguir corrigi-los. Do que temos feito, há pouco de negativo a ressaltar e, com algumas alterações, temos conseguido anular esses eventuais problemas. Gostava também de salientar o nosso óptimo final de época, o que nos traz um sentimento de grande confiança. Mas pode acabar já em Setúbal. Eles perseguem o objectivo da permanência, tal como eu persegui no ano passado. Sei o que passa na cabeça do Bruno Ribeiro e dos seus jogadores e sei também que vamos ter um enorme desafio pela frente.

Não está a desvalorizar os elogios que se fazem à sua equipa?
Não e acho que são meritórios. Neste campo, a única questão que coloco é sobre a diferença de tratamento a nível nacional, porque lá fora sempre se reconheceu o que esta equipa estava a fazer. Em termos nacionais, especulava-se sobre quem seria o melhor e o pior, quem entretinha mais ou menos, e quem cumpria e não cumpria os objectivos. Felizmente, para nós, isso ficou bem explícito. Este reconhecimento pode, no entanto, acabar em estupefacção se não formos capazes de ganhar ao Setúbal, se não conseguirmos chegar à final da Liga Europa, e por aí fora. Tudo de bom pode tornar-se mau de um momento para o outro em termos de opinião pública, porque, para nós, há o sentimento de dever cumprido e orgulho uns pelos outros.

Considera que esta época será sempre positiva, mesmo que o FC Porto não vença mais nenhuma competição?
Sim. Claro que sim. O grande desafio do FC Porto passa por manter este nível de exigência e concentração máximos quando o objectivo já está atingido. Isso é algo que custa bastante. Não é normal manter-se um nível tão alto quando se é campeão a cinco jornadas do fim. Esse compromisso de exigência e profissionalismo dos jogadores ajuda a revelar a personalidade e o carácter. E foram estas qualidades que foram decisivas, por exemplo, para aquela segunda parte frente ao Villarreal.

Que ideia ficou da outra meia-final da Liga Europa?
Ainda não vi o jogo. Só vi o resumo e os golos. É um resultado que deixa tudo em aberto, com uma vantagem ligeira para o Benfica. E, agora, o Benfica defrontará o clube que lhe ganhou em casa, também por 2-1. Tudo pode acontecer.

Na eventualidade de não acontecer nenhuma catástrofe em Vilarreal, que equipa prefere para a final?
Não posso comentar... Pode acontecer mesmo uma catástrofe em Vila-Real [risos]. É a única coisa que posso dizer neste momento.

"Continuar? Estou farto de responder a essa pergunta"

Pinto da Costa afirmou que tinha a certeza que André Villas-Boas estaria no FC Porto na próxima época. Pode dar a mesma certeza aos adeptos?
Estou farto de responder a essa pergunta; não vamos arrastar essa pergunta... Não vale a pena. Não vejo nenhuma razão para não continuar cá na próxima época. Disse isso no final do jogo com o Villarreal e volto a dizê-lo agora.

"Não falo com Mourinho"

André Villas-Boas está a despertar cada vez mais curiosidade por esse mundo fora. Prova disso foi a conferência de Imprensa de ontem, que voltou a receber a visita de um jornalista estrangeiro, desta vez do "Daily Telegraph". Durante mais de 15 minutos, a conversa seguiu em inglês; falou-se da grande temporada do FC Porto, da idade de Villas-Boas, do seu passado com José Mourinho, mas também do futuro. Entre algumas revelações, uma nunca antes assumida taxativamente: os motivos para ter deixado de trabalhar com Mourinho. "A separação aconteceu porque senti que poderia dar um pouco mais. Senti que podia começar a treinar, a trabalhar no campo. Se pudesse dar mais ao Mourinho tinha dado, mas percebo perfeitamente que ele não tenha sentido necessidade disso. Por isso, achei que era altura de arriscar", confessou, antes de admitir que não mantém qualquer tipo de contacto com o actual treinador do Real Madrid. "Não falo com José Mourinho. Não está relacionado com a separação, até porque falava muito com ele quando estava na Académica. É assim que as coisas são, nada mais que isso. Se é meu rival? Não. Não posso ser rival daquele que, na minha opinião, vai ser o melhor treinador de todos os tempos." Villas-Boas fez ainda questão de referir que a comparação com Mourinho não o incomoda. "As pessoas associam-me a um dos melhores treinadores do mundo e isso é algo com o qual tenho de viver. Mas não é um problema. As pessoas pensam que sou o seu sucessor, mas não sou. Sou um treinador normal e não me chamaria especial." O jornalista insistiu, porém, na comparação, até porque, segundo ele, Villas-Boas está a seguir exactamente os mesmos passos de Mourinho, até na escolha do clube, o FC Porto. "Nem eu, nem o FC Porto fazemos escolhas consoante o que o José Mourinho escolheu antes. São apenas coincidências que aconteceram. Estamos nas meia-finais da Liga Europa e as pessoas começam a pensar: é este o sucessor! Estão a conseguir os mesmos êxitos! Mas não é assim." O treinador do FC Porto confessou ainda que não está incomodado com a especulação em volta do seu futuro, para além de ter voltado a referir que pretende uma carreira curta. "Se ficar 15 anos no clube que adoro, por mim está bem", afirmou.

"Dificilmente venderemos abaixo das cláusulas"

O dia seguinte à vitória sobre o Villarreal trouxe muitas notícias, lá fora, sobre o interesse de clubes nos mais variados jogadores do FC Porto. Villas-Boas, que ontem voltou a reafirmar a intenção de continuar na próxima época, espera manter por cá jogadores como Falcao ou Hulk. "Espero que fiquem. Obviamente, há as cláusulas de rescisão, para além da marca muito forte que é o FC Porto, não só pela qualidade dos seus jogadores, mas também pela forma como os costuma vender. O que sai daqui para a Europa é sempre um produto de qualidade. Quando outros clubes contratam ao FC Porto, sabem que levam os melhores jogadores do mundo. Ainda para mais, com a qualidade que temos apresentado, o valor dos jogadores subiu e aproxima-se das cláusulas de rescisão. O FC Porto dificilmente venderá abaixo desses valores. Temos de estar preparados para tudo e não vejo nenhuma razão para o FC Porto não corresponder; todos os anos têm saído oito, 10 ou 12 jogadores e sempre fomos capazes de nos reinventar para continuar a ganhar", explicou.

"Elogios de Pinto da Costa deixam-nos orgulhosos"

"Este FC Porto não é pior do que o de Mourinho. Penso até que é melhor. Está ao nível da equipa de 1987 [venceu a Taça dos Campeões Europeus]". As palavras pertencem a Pinto da Costa e foram proferidas no final do encontro com o Villarreal. André Villas-Boas ouviu os elogios, gostou, mas prefere continuar sem situar a sua equipa num patamar elevado da história do FC Porto. Pelo menos para já. "Na minha posição, não posso comparar. Foi uma comparação que o presidente fez, como homem emblemático deste clube e que viveu as duas situações. Para nós, tem um valor enorme, mas só ele poderá justificar essas afirmações. Obviamente que registámos com muito agrado as suas palavras, até porque sabemos o impacto que essa equipa de 87 tem para ele. Esse reconhecimento, vindo dele, é algo que nos orgulha bastante."

"É inacreditável a forma como Falcao marca os golos"

Depois do jogo com o Villarreal, Falcao percorreu as primeira páginas dos mais variados jornais internacionais. O "Olé", da Argentina, apelidou-o mesmo de Messi colombiano. Que pensa André Villas-Boas sobre o melhor marcador da equipa? "Não me queria alongar no individual, até por respeito aos outros jogadores. É verdade que Falcao teve uma noite mágica, mas ela foi trabalhada pela equipa. É um goleador nato, um talento formidável e tem capacidade de antecipação como poucos. Seguirá o seu percurso no FC Porto e, no futuro, onde muito bem entender, mas estará sempre ligado ao golo, porque facilmente os marca. Aliás, é inacreditável a forma como os marca."






Pedro Marques Costa

quinta-feira, 28 de abril de 2011

André Villas-Boas - Favoritos, nós? Nem pensar...

André Villas-Boas rebateu o favoritismo que o Villarreal atribuiu ao FC Porto e sublinhou que a eliminatória não se decidide hoje. O adversário, mesmo estando longe de fazer sombra ao FC Porto em termos de palmarés e história, é de respeito e a prová-lo está o papel que os espanhois vêm desempenhando no campeonato, onde têm conseguido resultados regulares que lhe permitem entrar nas competições europeias ano após ano.

Como define as hipóteses do FC Porto chegar à final?

São contas que não costumo fazer, porque não têm valor. O futebol é imprevisível; não há favoritos e tudo pode acontecer numas meias-finais. Grandes equipas ficaram pelo caminho nesta competição. Vamos tentar manter-nos dentro da nossa identidade e daquilo que temos vindo a fazer, num jogo que é extremamente complicado para o FC Porto. Refutamos em absoluto qualquer ideia de favoritismo. Não sei onde é que os jogadores do Villarreal foram buscar esse sentimento, porque é um adversário que respeitamos. Será uma eliminatória para resolver a duas mãos e esperar que a nossa competência seja suficiente para passar.

Considerando o trajecto na Liga Europa, esta é a equipa mais difícil?

Penso que sim. Acima de tudo, há que valorizar a identidade de ambas as equipas, que mantiveram, durante toda a época, estilos de jogo agradáveis. O Villarreal joga um futebol atacante de grande qualidade; é uma equipa cujo estilo foi comparado há muito pouco tempo com o do Barça: joga bem, com gosto e prazer pelo que faz. Nós também temos gosto e prazer pelo que fazemos; um choque entre duas equipas destas nesta fase da competição é algo que valoriza a competição em absoluto, até por ambos termos crescido ao longo desta Liga Europa. É um privilégio para a UEFA.

O Villarreal pode ser uma grande equipa, mas a verdade é que tem a sala de troféus vazia, o que cria uma certa urgência em conseguir uma grande vitória. Isso não torna a equipa espanhola mais perigosa?

O Villarreal já esteve numa meia-final da Champions contra o Barcelona em que poderia, perfeitamente, ter passado. Parece-me um clube que caminha atrás do sucesso e tenho a certeza de que um dia chegará lá, está cada vez mais perto disso. Na Liga espanhola, graças aos resultados regulares que tem alcançado, vai estando no topo e conseguindo jogar nas competições europeias, que é sempre um objectivo. Se não tem troféus, um dia vai acabar por ganhar, porque a qualidade está aí e trata-se de uma equipa muito bem orientada por um técnico que cedo começou a triunfar no clube. Além disso, tem toda uma estrutura de competência que um dia colherá certamente os seus frutos.

Pede-se Dragão cheio e ambiente intenso

O apoio dos adeptos do FC Porto tem sido incansável esta época e a verdade é que motivos para festejar não têm faltado. Para este jogo que pode lançar os azuis e brancos noutro sonho, o técnico aproveitou para fazer passar uma mensagem: "Nada fazemos sem este apoio e sem a tranquilidade dos adeptos, que é decisiva para nós. Ter o Estádio do Dragão cheio é intenso e decisivo para o futebol actual. Se puder ter um ambiente de constante apoio, será óptimo".

Contra a repescagem da UEFA... outra vez

A questão das equipas que transitam da Liga dos Campeões para a Liga Europa voltou a estar em foco, sobretudo porque a esta fase da competição chegaram Braga e Benfica. Mas nem foi por aí que o técnico voltou a uma questão que tem sido recorrente. Villas-Boas até reconheceu mérito às equipas portuguesas. "Gostava um dia de poder confrontar quem decide, ou quem organiza as competições da UEFA. Não se compreende que uma equipa que saia da fase de grupos da Liga dos Campeões venha parar à Liga Europa, porque as que realmente atingem um objectivo na Champions são as que saem nos oitavos ou nos quartos-de-final e que, neste contexto, ficam arrumadas das competições europeias mais cedo. Mas, as que terminaram a fase de grupos em terceiro lugar é que acabam premiadas e podem continuar numa competição europeia em Abril. Quem é que merece mais? Se há umas que terminam no terceiro lugar da fase de grupos com sucesso, casos de Braga e Benfica, que fizeram oito ou nove pontos, também há as que têm a oportunidade de vir parar à Liga Europa depois de terem feito só três ou quatro pontos na Champions. Não faz muito sentido", sustentou.

"Só se vierem cá ver-me passear o fato em campo"

Villas-Boas rotulou de "absurdas" as últimas notícias que apontam a Juventus como estando interessada em contratá-lo e sobretudo de "ridícula" a parte que referia que dois emissários aproveitariam o jogo para o observar. O técnico ironizou de certa forma, quando disse que, se viessem ao Dragão, seria apenas para o verem passear o fato que vai usar e pouco mais. "As especulações são naturais, tendo em conta o que a equipa vem fazendo, mas são informações falsas, porque chegar ao ponto de dizer que alguém vem ver um treinador é um absurdo, porque num jogo um treinador não faz mais nada do que passear um fato", explicou. Aliás, o técnico que já fez várias juras de fidelidade ao clube do coração deu outro exemplo do ridículo em que se tem caído neste alegado mercado de interesses: "Repare, por exemplo, no caso do Roma e no tipo de histórias que se construíram sobre o facto de eu ter dito não ao Roma, em Lisboa, onde me teria reunido com um dirigente, que nem sequer era dirigente do Roma, e de eu lhe ter dito que não, porque ia para o Liverpool! É o absurdo e o ridículo a que se chegou."

"Sevilha e Villarreal têm uma identidade muito diferente"

Tendo em conta que já defrontou o Sevilha esta época, esta equipa do Villarreal é muito diferente, para melhor, pelo seu ataque, defesa, individualidades, ou pelo seu colectivo? Como é que vê este Villarreal, que curiosamente perdeu contra o Sevilha na última jornada?

É importante desligarmo-nos um pouco daquilo que aconteceu entre essas duas equipas. Não é por pensar que o FC Porto ultrapassou o Sevilha e que o Villarreal perdeu lá que somos superiores. Eles fizeram a gestão de alguns jogadores, perderam 2-0, mas podiam ter ganho. Portanto, não é comparável com o que aconteceu, nem nos traz qualquer vantagem, porque as identidades dos dois clubes são diferentes. O Villarreal tem vindo a construir uma posição sólida na Liga e ambiciona ainda mais, pelo que não me serve de experiência, porque são estilos completamente diferentes entre equipas de topo da Liga espanhola, num campeonato que conta com os melhores jogadores do mundo.

Luz renovou motivação

Se a vertente física é sem dúvida um aspecto a ter em conta, quando a temporada entra na sua recta final e as decisões começam a surgir nas mais diversas competições, o certo é que o aspecto psicológico não é menos importante e, muitas vezes, surge de mãos dadas com algumas vitórias saborosas. No último jogo disputado, o FC Porto voltou a vencer o Benfica, na Luz. Com isso garantiu o acesso à final da Taça de Portugal e tem ao seu alcance a possibilidade de vencer o troféu pela terceira vez consecutiva. "Foi uma vitória com um impacto óptimo para nós, emocionalmente forte", comentou, aproveitando a oportunidade para revelar a ambição que daí decorreu: "Não nos podemos desligar do objectivo de ganhar o troféu, porque será uma grande oportunidade para o FC Porto de o ganhar três vezes seguidas. Nunca aconteceu, esse sentimento invade-nos e tem muito mais valor se o conseguirmos."

Experiência

"Sei a posição que ocupava na altura em que estive nas meias-finais da Champions e da UEFA. Neste momento, a posição que ocupo não tem nada a ver. Quem tem mais experiência e mais para me dar agora são os jogadores. Tem mais valor para mim o facto de eles já terem tido estas experiências noutras competições"

Ansiedade

"Há um sentimento de grande alegria que nos invade por estarmos aqui, porque é uma competição de valor extremo. Não posso oferecer mais aos jogadores do que eles me oferecem a mim. Nós apenas guiamos as suas capacidades, mas são mais eles que nos têm levado ao sucesso do que nós a eles"

Paragem

"Não sei se é mais vantajoso ter tido o tempo de trabalhar bem em termos estratégicos, porque mantivemo-nos competitivos com uma grande sobrecarga de jogos. Se ganharmos é bom, se perdermos será mau. Não sei que impacto é que a paragem vai ter. Mais importante é que possam exprimir em campo o seu potencial"






António M. Soares n' O Jogo.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

André Villas-Boas - Perder um jogo com o Benfica já foi suficiente e não gostei

Esta eliminatória da Taça está 2-0, a favor do Benfica; o duelo particular com Jesus está 3-1, favorável a Villas-Boas. O treinador portista acredita que pode anular a desvantagem e confessa que a derrota da primeira mão lhe deixou a certeza de não querer repetir a experiência.


Apesar da desvantagem, por ter sido campeão e por ter vencido na Luz, encara esta eliminatória com 50-50 de favoritismo?
Se estivermos ao nosso melhor nível, podemos garantir um resultado positivo. Se será ou não suficiente para passar a eliminatória, não sei. O Benfica é uma equipa extremamente competitiva e competente; os desafios costumam ser renhidos e difíceis de ganhar para ambos. A nossa motivação é total, porque se trata do acesso a uma final, mas temos de perceber que é preciso contrariar a desvantagem logo desde o início para que possamos tentar disputar esta eliminatória na parte final do jogo.

É diferente preparar a equipa para vencer e prepará-la para ter de vencer por mais de dois golos?
Nas eliminatórias que tivemos na Liga Europa não passámos por nenhuma situação de reviravolta. É a primeira vez que nos confrontamos com a situação de ter de dar a volta a um resultado. Impossível não é, obviamente. Será importante dar um sinal forte desde o início, o que não significa que não possamos ter capacidade emocional para reagir tarde e mudar nessa altura o rumo das coisas. Estamos confiantes e temos uma identidade sólida de muitos anos. Esperamos que essa identidade nos permita fazer golos e inverter o rumo da eliminatória.

A Taça é ou não prioridade?
Entramos em todos os objectivos para ganhar e este não foge à regra. Há clubes que vão ficando pelo caminho, mas queremos ter uma palavra a dizer. O ano passado vencemos a competição, há dois anos também; ainda podemos vencê-la este ano. Na época passada, o Benfica não esteve na final e também caiu nessa caminhada da Taça. Se passarmos, será óptimo, porque podemos ter hipótese de garantir a dobradinha. Se não acontecer, o objectivo principal, que era o campeonato, como acontece em qualquer clube do mundo, está ganho.

O facto de partir em desvantagem é, por si, um incentivo para que o FC Porto se transcenda?
Pode ser. Tudo parece encaminhado para que o Benfica passe à final e o FC Porto tem esta possibilidade de mudar um pouco o destino. É uma boa oportunidade para nos transcendermos, mas sem cometer erros, porque quem muito se quer transcender acaba por esquecer a realidade das coisas. Não vamos demasiado acelerados. Correndo bem o jogo, podemos ganhá-lo. Mas, é preciso perceber que ganhar pode não ser suficiente. Tudo tem de correr na perfeição. Transcendermo-nos em demasia pode levar a erros que não podemos cometer.

Falou da necessidade de a equipa se transcender. Esta é melhor fase para o pedir? Afinal, foi campeão há pouco tempo, venceu na Luz, tem quebrado uma série de recordes...
Acima de tudo, como disse, é uma boa oportunidade para contrariar o que se espera que aconteça. Se o que se espera é ter o Benfica na final, será uma boa oportunidade para provar o contrário. Não basta transcendência, será preciso competência e sabedoria. Jogaremos 90 ou 120 minutos.

Duas perguntas: se o facto de ser Roberto o guarda-redes do Benfica pode ser uma vantagem para o FC Porto e se, enquanto treinador, fica particularmente irritado ao perder com o Benfica.
Não vou responder à primeira parte da pergunta. Se fico irritado por perder com o Benfica? Perder um jogo já foi suficiente e não gostei, como qualquer adepto do FC Porto e como qualquer treinador que defende as cores de um clube. Ninguém gosta de perder, seja contra quem for, e perdemos com o Benfica no Dragão. Pode acontecer em qualquer jogo; perder, ganhar ou empatar é normal. Ganhar pode é ser insuficiente para garantir o objectivo de estar na final...

"Ficar a 19 pontos é uma frustração..."

O FC Porto queixou-se de 15 erros no jogo de campeonato que venceu na Luz e, anteontem, o director de comunicação do Benfica disse ficar à espera de nova conferência portista para avaliar o trabalho de Artur Soares Dias no clássico com o Sporting, que os portistas venceram. Villas-Boas respodeu à provocação.


Estamos a praticamente 24 horas do jogo. Parece-lhe normal não haver ainda árbitro designado quando já o há para a final da Taça da Liga, que é só no sábado?
É um bocado peculiar, tal como a distância entre os dois jogos nesta eliminatória. Talvez tenha que ver com a disponibilidade dos árbitros ou talvez seja uma defesa do árbitro, tendo em conta o clima de suspeição à volta do Artur Soares Dias [árbitro do FC Porto-Sporting]. Desejamos é que o jogo lhe corra bem.

Que comentário lhe merece a intervenção do director de comunicação do Benfica, que disse esperar uma conferência de Imprensa do FC Porto para falar dessa arbitragem do jogo com o Sporting?
Ficar a 17 pontos é diferente de ficar a 19 pontos, que será a maior diferença da história. É uma frustração natural de um clube que investiu da forma como o Benfica investiu; quaisquer dois pontos são uma óptima chama de motivação e, se calhar, era dessa motivação que andavam à procura, tentando justificar o injustificável. O melhor é mandar na sua própria casa e não mandar recados para a casa dos outros.

"Não me quero autovangloriar prefiro homenagear a minha equipa"

Se não conseguir os objectivos neste jogo, não vai dizer que tem a equipa mais desgastada?
Não, porque fisicamente temos estado a um nível fora do normal. Quem vem com uma viagem de seis horas da Rússia devia ter direito a jogar na segunda-feira, mas não pôde . Mesmo assim, apresentou-se com tremenda agressividade mental e física num clássico, onde supostamente pouco havia para conquistar - e eu refuto isso, porque há muito a ganhar ainda. Apresentar-se àquele nível, sobretudo depois do desgaste no sintético de Moscovo, é fruto do talento dos jogadores, mas também é mérito da minha equipa técnica, que vai gerindo a recuperação. Não me quero autovangloriar; prefiro prestar uma homenagem mais do que justa à minha equipa.

Mas não teria sido mais confortável fazer descansar quatro ou cinco jogadores?
Apresentamos as convocatórias com quem nos dá máximas garantias. E eram aqueles que foram chamados que as davam, como se viu.

"Castigo? Cada um é responsável pelo que faz"

Merece-lhe algum comentário a discrepância entre o castigo proposto pela instrutora do processo a Jorge Jesus e o que lhe foi efectivamente aplicado pela CD da Liga? Por outro lado, ter Jesus no banco pode trazer mais emoção ao duelo táctico entre os dois?
Os clássicos são vividos com grande intensidade e fico satisfeito por o defrontar mais uma vez. É uma grande oportunidade, e tenho tido já algumas durante a carreira. Esta não é uma luta entre os dois treinadores, mas sim entre dois clubes; duas grandes organizações. Tenho um respeito máximo pela sua competência e pela forma como as suas equipas jogam, não tenho dito outra coisa. Relativamente ao castigo, não atribuo grande importância a isso, porque a decisão está tomada, por muito que existam opiniões divergentes sobre o que poderia ter pesado. A realidade é que saiu aquele castigo e não tenho nada que ver com isso; cada um é responsável pelo que faz. Mas é, naturalmente, estranho para toda a gente.

Treinou grandes penalidades para a Luz?
Sim, treinámos hoje.

Nem Roma, nem... Real

André Villas-Boas garantiu não ter recebido qualquer proposta do Roma, notícia que, de há uns tempos para cá, tem sido recorrente. "Não é verdade", disse. E disse também que não recebeu sondagens de "nenhum clube". Mais à frente, perguntaram-lhe se já lhe passou pela cabeça enfrentar o Real de Mourinho na próxima Supertaça Europeia, caso vença a Liga Europa e Mourinho a Champions. "Nem sequer perspectivo isso. São demasiados "ses" para responder à pergunta".

Villarreal é da "verdadeira Liga Europa"

Villas-Boas assistiu à vitória do Villarreal sobre o Saragoça, preparando a meia-final da próxima semana e reforçou certezas quanto ao adversário. "É uma equipa que eliminou Nápoles, Bayer Leverkusen e Twente, que era líder na Holanda; teve uma fase de grupos com enorme qualidade de jogo. Estamos a falar de uma equipa que nos provoca um maior desafio; é uma final antecipada, com uma equipa que vem desde o início da competição, algo que deve ser valorizado. Será bom para UEFA ter na final pelo menos um representante da verdadeira Liga Europa". Sobre a hipótese de ter Belluschi nesse jogo, algumas reservas. "Temos de ir com calma, porque é preciso reintegrá-lo. Queremos muito o seu regresso, como o dos outros, mas, para já, ainda não está dentro das expectativas".






Hugo Sousa n'O Jogo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

André Villas-Boas - Chegamos aqui no topo da forma e da confiança

Villas-Boas assumiu um discurso de cautela e de comprometimento absoluto relativamente ao jogo com o Spartak, recusando-se a dar a eliminatória como garantida. O treinador acredita na competência dos russos e, também por isso, afastou qualquer hipótese de apresentar um onze alternativo. Nem mesmo o facto de Moutinho estar à bica em termos de amarelos o fará mudar de ideias. Aliás, Villas-Boas até desvalorizou os jogos que se seguem com Sporting e Benfica.

Uma vantagem tão grande pode trazer alguma descontracção?

Acho que não. Qualquer desvantagem pode ser recuperada. Respeitamos isso e o imprevisível que pode acontecer. Estaremos alertas e despertos. Entraremos comprometidos com o passar da eliminatória. No futebol, não há impossíveis, mas estamos focalizados em passar.

A seguir ao Spartak, vêm o Sporting e o Benfica. Onde é que vai apostar mais?

A melhor aposta é pensar individualmente à medida de cada jogo. Não me passa pela cabeça, com este nível de dificuldade dos três jogos, gerir ou apostar mais num ou outro. São todos de extrema importância. Vamos enfrentar um de cada vez. Este é decisivo para meias-finais da Liga Europa, e é preciso valorizar isso porque há três equipas portuguesas que estão perto desse sonho, o que é inédito e valoriza o que é o nosso talento individual e colectivo.

O trabalho mental é diferente em função da vantagem?

A reunião com os jogadores será amanhã, e as mensagens serão dadas apenas nessa altura, com a ideia de passar a eliminatória.

O FC Porto chega a esta altura da época no topo da forma e da confiança?

Poderia dizer que sim e não, mas acho que sim. Temos construído algo muito sólido e temos conseguido bons resultados, principalmente nesta segunda volta do campeonato e fase decisiva das outras competições. Estamos orgulhosos, mas tudo terminará em inglória e crítica se não continuarmos a ganhar. O grande objectivo está atingido, mas temos de nos focalizar nos outros.

É mais fácil gerir depois de o campeonato já estar conquistado?

Mais difícil é manter os objectivos todos em aberto e conquistar o principal e ainda estar nesta fase da prova. Levamos um percurso que é fantástico. Mesmo que o FC Porto ficasse pelo caminho amanhã, o percurso seria notável, tendo em conta o que se passou no campeonato e na Taça. Ainda mais difícil é pela forma como o temos feito, privilegiando o jogo e o espectáculo.

N' O Jogo.

domingo, 10 de abril de 2011

André Villas-Boas - Não sei se foi ao jogo ou escreveu como adepto

O jogo com o Portimonense foi assunto secundário na conferência de Imprensa de Villas-Boas porque havia dois temas "quentes" para explorar: a nota atribuída a Duarte Gomes pelo observador e o castigo aplicado a Jorge Jesus [que se pode ler na página seguinte]. O técnico do FC Porto apontou o dedo a Fernando Mateus, acusando-o de estar a brincar com o futebol e de ter escrito o relatório como adepto do Benfica. Quanto à partida de hoje, em Portimão, Villas-Boas garantiu que não faltará motivação à equipa, apesar de o título estar conquistado, enumerando uma série de objectivos complementares a atingir, como bater o recorde de pontos na prova desde que é disputada por 16 equipas e que é do Benfica da época passada, com 76 pontos. Além disso, desconfia do adversário até porque nunca defrontou equipas orientadas por Carlos Azenha.

Como é que consegue motivar a equipa para este jogo?

A motivação é extrema. Temos a possibilidade de terminar sem derrotas. Não é uma obsessão, como já disse, e até pode ficar já pelo caminho em Portimão, mas é um aliciante suficiente para nos mantermos no topo. É o primeiro jogo pós-título e as coisas são demasiado boas para relaxar. Vamos tentar bater o recorde de pontos para um campeonato com 16 equipas [76 pontos]. Não terminam aqui todos os objectivos.

Não sofrer mais golos e ficar com menos de 10 também é uma meta?

Pode ser. Temos mostrado competência suficiente para sofrer poucos golos, mas se vacilarmos sofreremos de certeza.

O Portimonense é o último classificado, mas pode ser um lobo vestido de cordeiro?

Sim. Ainda não defrontei uma equipa orientada pelo Carlos Azenha, as suas palavras foram de focalizaçao máxima neste jogo com o FC Porto, pelo que existe alguma desconfiança porque acredito que o Portimonense quererá triunfar dado que o espaço de manobra é curto. Há uma série de jogadores que estão castigados e lesionados e que têm sido decisivos nesta melhor fase da equipa. Portanto, também eles estão desfalcados mas a criarem um desafio que é complicado por esta possível aspiração à salvação.

Além dos três castigados deixou de fora Helton e Varela. Vai fazer poupanças?

Não é rotação. Já há algum tempo que o Helton se arrasta com uma ligeira fadiga muscular na perna direita daí ser visto a utilizar com frequência o outro pé. O Varela tem uma ligeira entorse que sofreu na quinta-feira.

Vai dar oportunidade a Kieszek já neste jogo?

Ainda não decidi.

Como interpreta a nota que o observador atribuiu a Duarte Gomes pela arbitragem no clássico?

Por muito respeito que tenha por Duarte Gomes, nunca tivemos comentários tão unânimes em relação à arbitragem. É o descalabro e a descredibilização total dos observadores da Liga. Se são representados por pessoas como este observador [Fernando Mateus], que não foi ao jogo ou então escreveu como adepto, não sei se é ou não, mas arrisco a dizer isto, está a brincar com o futebol. Não é caso único porque temos chocado com alguns casos paradigmáticos. Se há alguma coisa a rever rapidamente que seja quem está nestas funções porque são determinantes para a continuação do sucesso do futebol português.

"É o ridículo do futebol português"

castigo a jesus _ Treinador portista considerou discrepante a suspensão de 11 dias aplicada a Jorge Jesus na sequência da troca de "mimos" com Luís Alberto do Nacional, em comparação com os dez dias que lhe foram impostos pela expulsão em Alvalade

Merece-lhe algum comentário o castigo aplicado a Jorge Jesus de 11 dias, que vai terminar na véspera do clássico para a Taça de Portugal?

É um colega de profissão, não me queria alongar muito sobre os seus actos e cada um é responsável pelo que faz. Quanto ao timing, se calhar propositado ou não, acho que já passou tempo suficiente para fazer esquecer o que aconteceu e a sua gravidade. Houve um ligeiro "mea culpa" do Luís Alberto e do Jorge Jesus não me recordo. O que me parece grave é eu ter apanhado dez dias por uma palavra ao árbitro na sequência de uma dualidade escandalosa de critérios e esta tentativa de agressão resultar em 11 dias. É, no mínimo, discrepante. Onde é que isto vai parar? A sorte é termos os holofotes da Liga Europa, suficientes para abafar o ridículo destas duas situações. Pelo menos o nosso futebol faz-nos sobreviver na Europa, mas um dia não apagará estas situações. O apagão, que até ajudou à festa, e estes dois episódios [observador do árbitro e castigo a Jorge Jesus] entram no ridículo que é, de vez em quando, o nosso futebol.

"Ninguém chegará aos calcanhares de Mourinho"

A presença de uma equipa de reportagem da Suécia obrigou Villas-Boas a falar, novamente, sobre José Mourinho. O discurso voltou a ser de demarcação e elogio ao sucesso de El Especial. "Temos personalidades diferentes. O sucesso que ele atingiu possivelmente não será atingido por mais ninguém porque é um sucesso extremo. Ninguém vai chegar aos calcanhares dele. Eu comecei agora e levo dois títulos, ele tem 18 em sete anos. Está num patamar estratosférico, acima dos outros", frisou. O técnico portista reafirmou ainda a vontade de não se sentar no banco técnico por muitos anos. "Tenho sonho de uma carreira curta de que me possa orgulhar, apesar de ter aterrado há pouco tempo nesta cadeira de treinador principal. Já levo uma série de anos no futebol profissional e não quero ter estas exigências muito mais tempo. Aqui ou noutro lado. Este é o clube do meu coração e tem me dado tudo, desde que eu cheguei cá com 16 anos". A terminar, Villas-Boas disse que ganhar títulos não é tudo para um treinador. "É um privilégio enorme, mas não os conquistar com um estilo que não se gosta. Há um compromisso de vencer neste clube, mas orgulhamo-nos de privilegiar o bom futebol".




Carlos Gouveia n' O Jogo.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

André Villas-Boas - Importante é estarmos na final

A festa da conquista do título no Estádio da Luz ainda nem teve tempo de arrefecer e já André Villas-Boas apela à concentração para a Liga Europa. Contrariando os analistas que apontam o FC Porto como favorito à conquista deste troféu, o técnico azul e branco refreou ânimos e chamou a atenção para aspectos a levar em conta nesta eliminatória.

A festa acabou ou receia que ainda possa prejudicar a abordagem deste jogo?

Não deve ser problema, porque houve tempo suficiente para a recuperação. Mais importante será gerir a saída de um ambiente de festa para outro extremamente competitivo, porque o Spartak traz um desafio ainda mais aliciante. O Spartak é uma equipa que joga num estilo parecido com o nosso, privilegia o toque e a posse, futebol bem jogado e velocidade de circulação, portanto há uma série de factores que nos deixam em alerta, ao contrário da expectativa exagerada de favoritismo.

Mas sentem o peso desse favoritismo?

É indiferente. Já caíram grandes equipas nesta competição, de favoritas passaram a eliminadas. Não serve para nada fazer previsões, o importante é estar na final.

Vai controlar a euforia que se gerou com a conquista do título ou vai canalizá-la para motivar os jogadores para este jogo?

São competições diferentes. Estamos nos quartos-de-final e ambicionamos a passagem às meias-finais. Para que isso aconteça, tem de haver compromisso e exigência total, e é esse equilíbrio entre a passagem da euforia para a competição que temos de ter em conta. Temos um objectivo que queremos atingir, e a dificuldade que nos pode colocar o adversário chama a atenção para estarmos no máximo. Temos de nos concentrar para o jogo.

Esta equipa do Spartak é melhor ou pior do que a do CSKA?

Não me posso permitir fazer essa comparação. São ambas equipas fortes. Esta vem da Champions, com resultados estrondosos fora de casa, e cria-nos um desafio importante; basta olhar para os resultados de Marselha, Ajax, Zilina e Basileia.

Depois de estudar os russos, que jogadores terá mais em atenção?

Como já disse, o Spartak joga bem. Têm um trio de brasileiros no meio-campo que gosta de trocar a bola. O ponta-de-lança gosta de diagonais curtas e de se mover em espaços reduzidos. McGeady é um irlandês poderoso com os dois pés e pode criar problemas a vir do interior. Têm dois laterais que jogam muito a partir das suas posições, dois centrais que sabem construir bem com bola, defendem com um bloco muito compacto e curto e aspiram a estar na final. Portanto, não são uma equipa qualquer e, para o FC Porto passar, terá de se esforçar ao máximo.

Obrigação de ganhar é igual depois da Luz

A julgar pelas palavras de André Villas-Boas, o sabor da vitória na Luz só contribuiu para aguçar o apetite, apesar de reconhecer que todas as equipas ainda presentes na Liga Europa alimentam o mesmo sonho.

Depois do título na Luz, há uma mensagem diferente e para se ir mais longe na história?

As nossas obrigações não mudaram por termos ganho o campeonato. Temos a possibilidade de nos focarmos nesta competição de uma forma mais agressiva, mas o objectivo esteve sempre definido quando entrámos nesta competição. Obviamente queremos chegar longe, mas nesta fase o factor motivacional conta, não há mensagem nova, mas todas as equipas que chegaram a esta fase acreditam ou sonham com a final. As mensagens são claras, quer seja de Benfica, Braga, FC Porto etc., e são legítimas, porque se está a um pequeno passo da final e qualquer equipa alimenta o sonho. Para nós, é importante passarmos da euforia à concentração de novo.

"Vamos tentar repetir 2002/03"

Servindo-se do exemplo de 2002/03, o técnico garantiu que há sede de vitória.

Começar a eliminatória em casa é uma desvantagem?

Não. Já debatemos este tema do jogo em casa por nos ter surgido durante a fase de eliminatórias. Mas na história do FC Porto, quando venceu a Taça UEFA e a Champions, jogou em casa e depois resolvia as eliminatórias fora. Vamos servir-nos desses exemplos e acreditar que somos tão competitivos em casa como fora, porque o nosso registo este ano até é superior fora de casa.

Dadas as notícias de clubes interessados, consegue prometer que será treinador do FC Porto na próxima época?

Não sei se é interesse. É mais especulação que acontece com qualquer um de nós nesta função, o que me dá perfeitamente igual. O sucesso não é meu, é de todos nós, e quem ganha uma vez tem sempre vontade de ganhar outra. Vamos viver o título com esse sabor especial, mas agora é outra competição, outras motivações. Vamos tentar repetir o que aconteceu em 2002/03, e isso exige de nós o máximo. A sede de ganhar está presente em cada um destes jogadores.

Sapunaru não está convocado...

Não há problema algum, apenas opções, como vão poder ver amanhã [hoje]. Achámos que era importante ter Souza e Walter de regresso neste jogo, porque têm trabalhado de forma inexcedível. O ambiente competitivo no plantel é muito agressivo, e todos merecem estar nas convocatórias, mas é difícil entrar. Falei com Sapunaru e com Rúben sobre isso, porque está na altura de dar uma oportunidade a quem tanto e tão bem trabalha, como Walter e Souza, mas também Kieszek, Mariano e Sereno. Tem de ser assim nesta altura, sem nunca pôr em causa as questões estratégicas.



António M. Soares n' O Jogo

sábado, 2 de abril de 2011

André Villas-Boas - Festejar na Luz teria um sabor diferente

Aos 33 anos, e a um pequeno passo de tornar-se campeão nacional no primeiro ano completo de treinador, André Villas-Boas deu uma imagem de grande tranquilidade. Afastou os festejos antecipados e incluiu o Benfica na luta pelo campeonato. Assim, o título tem mais sabor. Críticas só à decisão de proibir a entrada aos adeptos portistas equipados... normalmente.

Amanhã o FC Porto tem um jogo complicado, mas com algo a acrescentar, que é a possibilidade de chegar ao título. Como tem sido esta semana e se tem sentido alguma ansiedade especial?

Em termos de ansiedade, só um pouco antes do jogo é que poderemos ter uma noção mais exacta de como nos sentimos, mais ou menos ansiosos, mas não é isso que vai afectar o nosso rendimento desportivo. De resto, foi uma semana diferente, muito condicionada pelo regresso tardio dos jogadores que estiveram nas selecções. Hoje, finalmente, conseguimos fazer um treino normal, com todos os disponíveis. Quanto ao resto dos dias, alguns jogadores estiveram em recuperação e outros a treinar em absoluto. Não quero dizer que se tivesse sido uma semana normal teríamos trabalhado melhor, porque acreditamos no que fazemos e, apesar da escassez de treinos, a identidade está intacta. Mas a realidade é que só hoje pudemos juntar todos os jogadores. Amanhã [hoje] faremos os últimos ajustes estratégicos para o jogo.

Qual é a importância real de festejar o título no Estádio da Luz?

Não é nenhuma obsessão em particular. O mais importante é o campeonato e, não acontecendo na Luz, queremos festejar o mais rapidamente possível. É o principal objectivo. Sempre foi. O sentimento dos adeptos é legítimo, e sem dúvida que festejar na casa de um rival teria um sabor diferente, embora não seja uma novidade. Já aconteceu com Siska [1939/40]. Mas claro que há esse sentimento de que seria um feito importante e os jogadores também sentem isso. Não pode é ser uma obsessão; a obsessão é com o objectivo principal, que queremos atingir o mais cedo possível.

Mas o contexto de ser campeão na Luz não lhe é indiferente...

O mais importante é distanciarmo-nos um pouco do título atribuído à partida. É inútil fazer as contas de um FC Porto campeão, é inútil atribuir-se o título ao FC Porto e a estes jogadores quando ele não está conseguido. Se houver um atraso na Luz, teremos de trabalhar mais para conseguir alcançá-lo. Matematicamente não há título e o Benfica ainda está na luta. Sempre acreditámos nisso e transmitimos essa mensagem. A realidade é que chegámos a esta jornada com esta diferença pontual, enquanto outros esperavam outro cenário. O Benfica alimentou sempre a esperança de voltar a conseguir ser campeão. As mensagens foram claras durante toda a época, na antevisão dela e no fim da época anterior. Enquanto assim for, queremos ter o nosso sonho do título e queremos roubá-lo ao campeão nacional.

Sendo portista, dá-lhe um gozo especial ser campeão na Luz?

Logo que tenhamos o título será festejado da forma mais natural possível. O importante não é a previsão dos festejos, porque faltam 90 minutos de um jogo bastante emocional, de grande intensidade e de grandes organizações, entre duas equipas que estão a ter épocas absolutamente fantásticas. Fomos progredindo juntos na Liga Europa e na Taça de Portugal. No campeonato é o que é. O Benfica é um excelente desafio e é óptimo termos esta oportunidade de chegar ao título, mas não é uma obsessão.

Com o Benfica mais concentrado na Liga Europa, acredita que Jorge Jesus pode poupar alguns jogadores? E está a pensar também poupar algum jogador?

Não faz sentido. Da nossa parte não o faremos. Cada encontro é o mais importante. Em relação ao treinador do Benfica, percebo onde quer chegar, que leva imediatamente a uma resposta, que é também o seu pensamento. O treinador do Benfica teve a declaração que teve com o Portimonense, mas seguramente não se permitirá ao luxo de fazer o que fez nesse jogo. O significado de um FC Porto campeão no Estádio da Luz é o que é e, portanto, não sou eu que vou ditar as escolhas de Jorge Jesus. Mas parece-me pouco provável [que poupe jogadores].

Então que Benfica espera na Luz? E esta agressividade latente entre dirigentes e adeptos de que forma pode condicionar o jogo?

Os clássicos são quentes por natureza. Sempre foram. É uma rivalidade que é cultural. Acho que é isso que mantém vivo o interesse por cada campeonato e cada clássico. Não é nada de novo e diferente em relação a outros anos. E acho que tem pouca importância para quem trabalha para ganhar jogo a jogo. Espero o mesmo Benfica que luta em todas as competições, mesmo fora da Liga dos Campeões e da Supertaça. É uma das equipas de topo da Europa, que alimenta como nós o sonho da Liga Europa e também alimenta, como acredito, o sonho do campeonato nacional. Porque tudo pode acontecer. O imprevisível acontece quando menos se espera. Nesse sentido, espero um Benfica de topo, difícil de vencer e um Benfica campeão nacional, com aspirações a ser bicampeão nacional.

Espera alguma surpresa no onze do Benfica?

É imprevisível. Tentamos fazer o nosso estudo de acordo com o que perspectivamos, mas não sei o que se passará na cabeça do Jorge Jesus, nem que equipa vai apresentar. Desconfiamos de algumas coisas, mas não faço uma ideia concreta. Qualquer onze que apresente será de alto rendimento desportivo e alto talento individual, de acordo com os investimentos época após época.

Olhando para as estatísticas da Liga, o FC Porto domina. O que significa isso para um clássico?

Acima de tudo transmite uma identidade muito forte que estes jogadores conseguiram implementar. Mérito total dos jogadores para abordar uma nova forma de jogar. Mas, se me permitem dizer algo, chamar ao FC Porto uma equipa de transição é algo aberrante quando temos o melhor ataque e a melhor defesa. Quando a equipa joga, e ganha continuamente, em posse de bola, algo que tem um significado especial para esta equipa técnica. Isto reflecte a nossa identidade e cultura de posse de bola, reflecte o privilégio pelo jogo apoiado, curto e bem jogado. É uma aberração chamar ao FC Porto uma equipa de transição. É algo fora do normal.

O que vai dizer aos jogadores na palestra?

Não vamos pedir nada de mais. Obviamente, o emocional deste jogo vai levá-los para patamares motivacionais intensos, possivelmente ou não de ansiedade. Será decisiva uma boa entrada em campo, de ambas as equipas, e acima de tudo que seja um bom espectáculo.

O Benfica proíbe aos adeptos do FC Porto a entrada com bandeiras, tarjas e outros adereços. Que comentário lhe merece a decisão e se vai aproveitá-la para motivar mais os seus jogadores?

O assunto também diz respeito à legalidade das claques, do qual percebo pouco, mas pelo menos estamos felizes porque as nossas são legais. Será talvez a segunda pior decisão antifutebol que o Benfica toma. A primeira foi dizer aos seus adeptos para não apoiarem a equipa fora de casa. Esta decisão vem na continuidade dessa. É mais uma medida antifutebol e não é nada de surpreendente.

Vai ter alguma conversa especial com Hulk e Sapunaru?

Não, penso que não. São jogadores de grande talento e controlo emocional. O que se passou, ou não se passou, é passado. Os jogadores estão conscientes do que têm de fazer em campo e isso é que faz a diferença.

O Benfica conseguiu ser superior no último clássico, para a Taça de Portugal. Que lição retirou desse jogo e o que vai fazer para contrariar uma eventual nova supremacia do Benfica?

Já debatemos esse jogo vezes sem conta. Não retiro uma vírgula ao que disse, isto é, o Benfica entrou superior, agressivo e o FC Porto pagou caro os erros que teve. E tivemo-los muito cedo no jogo. O primeiro golo condicionou o resto de toda a partida. Não foi um jogo diferente do habitual, porque fomos totalmente dominadores, embora sem criar oportunidades com a fluidez habitual. Mas fomos dominadores em termos de controlo do jogo. O Benfica chegou ao 2-0, as coisas estavam difíceis e, com alguma infelicidade, não matou a eliminatória, valendo a defesa do Helton aos 86 minutos. Apesar do controlo, foi o jogo menos conseguido de sempre do FC Porto.

A gestão da titularidade do Guarín tem sido um assunto recorrente e agora foi Rúben Micael a marcar dois golos na Selecção. Como é gerir este assunto, com tantos candidatos à titularidade?

Gostava de apenas exemplificar com a forma como treinámos hoje, a um nível absolutamente fora do normal em termos de intensidade e agressividade. Acima de tudo, são estes jogadores que nos inspiram e motivam para trabalhar, de maneira a chegarmos ao sucesso. São eles que decidem por nós em campo, independentemente das escolhas que fazemos. Hoje treinámos a um nível fora do normal, com todos os jogadores muito competitivos e disponíveis. E não foi só o Rúben, que passou por um bom momento na Selecção. As dificuldades de escolha aumentam.

E a proximidade do jogo com o Spartak condiciona o clássico?

Não. Nem sequer peguei em nada do Spartak, nem sei quem joga à baliza... [risos] Estou a brincar.

Pressão que alivia

A possibilidade de Pinto da Costa sentar-se no banco do FC Porto, em detrimento do camarote reservado aos dirigentes da equipa adversária, está a ser ponderada. Possivelmente, só em cima da hora da partida é que se conhecerá a decisão do presidente portista, mas, para já, André Villas-Boas vai brincando com o assunto. "Mais pressão? Só se for sobre mim [risos]. O presidente é livre de escolher o que quiser", afirmou o treinador portista.

"Rendimento coerente e regular"

Para a IFFHS (Federação Internacional de História e Estatística), a equipa do FC Porto foi considerada a melhor do mundo no mês de Março. Villas-Boas registou a distinção com agrado, mas não lhe atribuiu valor para decidir o clássico. "É indiferente [no contexto do clássico]. Provou que o que fizemos em Março foi bom. O Benfica foi a melhor equipa do mundo em Janeiro, mas nós mantivemos o nosso rendimento desportivo de forma coerente e regular".

Que tudo corra bem a Duarte Gomes

Duarte Gomes vai estar pela primeira vez num clássico entre o Benfica e o FC Porto, depois de ter dirigido cinco jogos entre benfiquistas e sportinguistas. "A minha opinião é óptima. Espero que tudo corra bem a Duarte Gomes. É o que lhe desejo e que todas as decisões sejam correctas".

T-shirts de campeão e as escorregadelas

O treinador do FC Porto garantiu que não houve estampagem de t-shirts relativas ao título. "É muito fácil atribuir o título ao FC Porto e depois esperar por uma escorregadela. Na semana passada falámos do exemplo do Dortmund. Vou acreditando no imprevisível e vocês vão acreditando no que já está feito", afirmou.







Tomaz Andrade n' O Jogo.

domingo, 13 de março de 2011

André Villas-Boas - Queremos matar o campeonato com a nossa competência

André Villas-Boas não embarca em ilusões e tratou de repetir que o campeonato não está ganho e, diz ele, continua bem vivo. Apesar de reconhecer que o panorama ficou mais desanuviado com a derrota do Benfica em Braga, o técnico insistiu na ideia de nada estar encerrado, num recado claramente para dentro. Os objectivos continuam a ser os mesmos: ganhar os próximos três jogos de modo a "matar" ali qualquer aspiração ao título que o seu principal opositor ainda possa alimentar. Por isso, e quando faltam disputar oito jornadas, Villas-Boas garantiu que o empenho tem de continuar a ser o mesmo e que não haverá relaxamento até o título ficar matematicamente garantido. O jogo com o Leiria continua, assim, a ser prioritário.

Tendo em conta o jogo de quinta-feira com o CSKA de Moscovo e o facto da vantagem para o segundo classificado no campeonato ter aumentado em Braga, vai fazer poupanças em Leiria?

Temos de lutar contra essa história de o campeonato estar acabado de uma forma bastante agressiva, porque não engana ninguém. O campeonato,pela boca de pessoas do Benfica, já tinha terminado em Novembro, depois dos 5-0 [no Dragão]. Com dez pontos de distância, assumiram a candidatura ao segundo lugar. No fundo, era uma falsidade, porque alimentaram sempre a esperança de serem campeões. Pelas qualidades que reconheço no treinador do Benfica, sei perfeitamente que não abdicará, jamais, do que ainda pode alcançar e acredito que qualquer encurtamento de pontos fará renascer a esperança do Benfica em revalidar o título. Não há, portanto, qualquer tipo de poupanças. Esse discurso de FC Porto já campeão serve apenas para os jornalistas. Temos de continuar focados no objectivo das cinco vitórias. Passaram duas e agora queremos conquistar as outras três.

Essa ideia de que o campeonato está ganho pode tornar-se no pior inimigo do FC Porto?

Não há piores inimigos. Não se pode é tentar vender falsos objectivos e não se pode deixar de sonhar com o campeonato quando ainda faltam disputar oito jornadas. Não é o único campeonato na Europa que se encontra nestas condições, qualquer equipa que ainda tenha um jogo tão importante, como um clássico em sua casa, sabendo que o pode ganhar e encurtar distâncias, pode permitir-se perfeitamente a sonhar com o título. Eu faria isso. Nesse sentido, acreditamos que o campeonato está vivo e queremos ser nós a matá-lo com a nossa competência.

Não teme algum relaxamento por parte dos jogadores?

Não prevejo qualquer tipo de relaxamento. Estamos comprometidos com o campeonato e enquanto não for matematicamente conseguido, não estaremos tranquilos. Com a distância aumentada, é óbvio que nos dá um panorama diferente dentro do objectivo interno estabelecemos, que pode permitir-nos chegar a esse jogo e construir uma diferença ainda maior, o que praticamente nos dará o título. Mas, vamos pensar em conseguir primeiro a vitória com o Leiria.

António M. Soares n' O Jogo.

quinta-feira, 10 de março de 2011

André Villas-Boas - Vamos tomar conta do jogo

Há um ditado africano que diz qualquer coisa como isto: numa luta de elefantes, quem perde é o capim. Pois bem, para André Villas-Boas, hoje em Moscovo, vão defrontar-se duas grandes equipas, pelo que não faz sentido falar em favoritos. Quanto ao capim, felizmente o piso sintético do Estádio Luzhniki está pronto para aguentar o duelo entre o FC Porto e o CSKA sem ceder. Villas-Boas também não vê na relva artificial ou no clima - as temperaturas podem descer aos 10 graus negativos à hora do jogo - um obstáculo intransponível para a sua equipa.

Complicado mesmo é o CSKA. E é por isso que, mesmo sem abdicar da iniciativa, o treinador do FC Porto lembra que a eliminatória só se resolve no Dragão.

Considerando todos os factores, incluindo o clima e o percurso das duas equipas, até que ponto há favoritos?

O frio não me parece um problema, porque, na verdade, não está tão mau como isso. Quanto ao papel de favorito, não serve para nada atribuí-lo. O CSKA vem de uma derrota que custou um troféu e isso pesa muito. Quem vem de um resultado assim quer meter as coisas noutro rumo rapidamente, pelo que esperamos motivação máxima por parte do nosso adversário. O facto de estar em início de época também terá algum significado. Podem estar mais frescos. Finalmente, o ambiente parece que não será de estádio cheio, mas será atmosfera presente e de dimensão sempre apreciável para um jogo que dá o acesso aos quartos-de- final.

Não fez qualquer treino em piso sintético em Portugal e realiza hoje o único treino antes do jogo. Até que ponto o piso pode ser um obstáculo?

Optei por não fazer treinos em sintético no Olival porque achei que massacrar os jogadores podia ter efeitos negativos em termos musculares. A adaptação acontecerá hoje [ontem], num treino mais leve, porque são solicitados outro tipo de músculos nestes pisos. Veremos que tipo de sensações são geradas nos jogadores. Preferimos correr esse risco, do que treinar no sintético.

O FC Porto nunca sofreu golos nos quatro jogos realizados com o CSKA. Está a pensar em resolver a eliminatória aqui?

Importante é resolver a eliminatória. Aqui ou lá. Depois, este CSKA não é o mesmo. Há o registo de uma fase de grupos emocionante e do que fizeram na Liga dos Campeões, sendo eliminados pelo Inter de Milão, campeão europeu. Isso pesa, porque os jogadores se mantiveram. É verdade que o CSKA tem baixas importantes, mas não podemos sonhar resolver as coisas numa mão. Queremos resolver a eliminatória no seu todo e chegar aos quartos-de-final.

O FC Porto conta por vitórias todos os jogos realizado fora neste Liga Europa. Nesse sentido, que FC Porto podemos esperar? Um FC Porto dominador?

Não costumamos mudar a nossa postura à medida que encontramos adversários mais ou menos fortes, nem fora nem em casa. O nosso jogo passa por assumir a iniciativa. O CSKA também gosta de o fazer, e é forte na transição por intermédio do Vágner e do Doumbia. Vamos tentar tomar conta do jogo, ter posse de bola e criar o maior número possível de oportunidades. É o que temos vindo a fazer, tanto em casa como nos jogos fora.

Qual é o jogador mais perigoso do CSKA?

O CSKA mantém um núcleo de jogadores forte há algum tempo, como é o caso dos irmãos Berezustki ou de Vágner Love. São jogadores que sabem a cultura e filosofia do clube. Ao longo dos últimos tempos, adicionaram qualidade ao plantel, provavelmente para responder às necessidades do treinador. Têm um jogador que aprecio muito, o Honda, mas o CSKA vale pelo todo porque é uma equipa forte, conforme demonstrou ao longo de uma fase de grupos espectacular.

Perguntas O JOGO

As prioridades não mudaram...

Já decidiu quem vai jogar ao lado de Hulk e Falcao no ataque: Varela ou James?

Não treinámos ontem, apenas fizemos a viagem. No domingo fizemos apenas um treino de recuperação e há muitas decisões para tomar relativamente ao que fizermos hoje, no treino que vamos realizar daqui a pouco.

Os resultados da 22ª jornada do campeonato tiveram alguma implicação em termos daquilo que são as prioridades da equipa, nomeadamente colocando a Liga Europa em primeiro plano?

Não. Parece-me claro que o que se passou no campeonato na última ronda tem pouca expressão. O que mais nos interessa é manter o objectivo que tínhamos traçado de cinco vitórias no campeonato e para isso ainda nos faltam três.

Jorge Maia e Pedro M. Costa n' O Jogo.

sábado, 5 de março de 2011

André Villas-Boas no Sports Illustrated

There's a team in Europe that is still in the hunt to win every competition this season. A club which is dominating its league, ahead of its perennial archrival, which itself is having, statistically at least, a great season. Its numbers, across all competitions, are frighteningly good: Played 40, Won 33, Drawn 4, Lost 3.
Another column extolling the virtues of Barcelona?
Think again. This particular team has actually won the same number of games as Barca, while drawing and losing fewer. And, unlike the Catalans, it's still undefeated in the league, where it has won an outrageous 19 of 21 matches.
I'm talking about Porto, one of the truly amazing success stories of 2010-11. And to think this was supposed to be a transition year, following the sale of its midfield general, Raul Meireles, and its defensive stalwart, Bruno Alves. The club replaced them with Joao Moutinho and Nicolas Otamendi and while the former has been a solid contributor, the latter has been slowed by injuries. Beyond that, it's largely the same crew as last season.
With one important difference: the manager, Andres Villas Boas. And, at just 33 years old, Villas Boas was arguably the biggest roll of the dice of all. Before taking the job in the summer, he had just 23 games worth of managerial experience. Talk about being fast-tracked.
Villas Boas took over Academica de Coimbra in October 2009, with the club stuck in last place. By the end of the season, it finished a respectable 11th and reached the semifinal of the Portuguese League Cup. But we'd be kidding ourselves if that feat alone persuaded one of the most historic clubs in Europe to place its faith in a guy with zero experience as a professional footballer -- let alone one at an age when most future coaches are still plying their trade on the pitch. What played a huge part was his apprenticeship as a coach under one Jose Mourinho. The pair hooked up at Porto when Mourinho took over in 2002 and he soon become one of the Special One's most trusted advisers. So much so that Mourinho took him along when he moved to Chelsea in 2004 and then on to Inter in 2008.
But it's not as if Villas Boas owes his career to Mourinho. If anything, he was something of an enfant prodigy in his own right, landing a job in Porto's scouting department way back in the late 1990s when still a teenager. As the story goes, he lived in the same building as then coach Bobby Robson and, because he spoke good English, harassed the late Robson into reading some of his meticulously compiled scouting reports. The Geordie legend was suitably impressed, first by the young man's enthusiasm and persistence, later by the detail and depth of his analysis.
Maybe that's why he admits he tries to "duck comparisons" between himself and The Special One. "We do not have the same character and personality. We communicate and work differently."
Villas Boas knows he's precocious and knows the comparisons are inevitable -- we in the media like our stories plain, simple and linear -- but he's also his own man. Indeed, while Porto's 4-3-3 is vaguely reminiscent of Mourinho's in some respects, it's a more attack-oriented outfit and, tactically, looks more sophisticated.
Porto's success this year isn't just down to the manager. It's also down to the fact that it's one of the best run clubs in Europe, an organization that understands its role in the global pecking order. It's a big fish in a small pond that, most years, needs to compete in the wider pond of continental soccer. And that means constant reinvention, because you become a victim of your own success almost every year in the sense that you lose your best players to wealthier rivals.
In the last four years, Porto has lost not just the aforementioned Raul Meireles and Bruno Alves, but also the likes of Lucho Gonzalez, Lisandro Lopez, Aly Cissokho, Ricardo Quaresma, Jose Bosingwa, Pepe and Anderson ... that's nearly a quarter of a billion dollars worth of talent. Replacing that player drain goes beyond the manager. To do it effectively you need a first-rate scouting system, a general manager capable of getting the right guys at the right price and a willingness to gamble.
This season it has all paid off. And the good news is that, despite having suitors from all over Europe, Villas Boas has pledged to stay at least another year and test himself in the Champions' League. To many, it's just a steppingstone as Villas Boas seems destined to follow in the footsteps of Mourinho and take the realms of a larger club. But even if he does go a year or two from now, Porto will be ready. They're used to showcasing talent and watching it leave. And usually they don't miss a beat when it happens.

Gabriele Marcotti

sábado, 26 de fevereiro de 2011

André Villas-Boas - Título ficará decidido ganhando os próximos cinco jogos

O técnico levantou a ponta do véu aos planos que traçou para o último terço do campeonato. Faltam dez jornadas para o final da Liga, mas, continuando a vencer, os portistas podem festejar mais cedo...

O FC Porto perdeu quatro pontos até agora, estando com oito pontos de vantagem sobre o Benfica. O que é que falta para ser campeão?

As próximas cinco jornadas podem ser fundamentais na caminhada para o título. É um compromisso que queremos assumir e o objectivo interno estabelecido é esse mesmo. Cinco jornadas onde o título fica praticamente decidido se o FC Porto as ganhar todas. Mas vamos enfrentar adversários de extrema dificuldade. Tirando a Académica, que tem passado por mais dificuldades, o FC Porto desloca-se a Olhão e Leiria, recebe o Guimarães e vai a Coimbra, antes de ir à Luz. Não será dificuldade crescente, mas uma dificuldade presente em jogos que podem definir este campeonato. A dez jornadas do fim, um percurso de cinco jogos com cinco vitórias pode encaminhar o título, e é nisso que estamos focados.

Já lhe fizeram esta pergunta de várias maneiras, mas parece-lhe viável que o FC Porto perca três jogos até ao final do campeonato?

Não é impossível. Tudo pode acontecer no futebol e essa imprevisibilidade está presente. Ainda falámos nisso no fim do jogo com o Sevilha, em que o FC Porto esteve na cara do golo dez vezes e não marcou. Recordo-vos que o FC Porto, contando a Liga Europa, é a equipa portuguesa com mais golos. Tentar atribuir ao FC Porto a necessidade de melhorar na finalização, ou de estar mais concentrado em frente ao golo por não ter marcado ao Sevilha, parece-me algo sem cabimento. Mas, sim, tudo pode acontecer e até pode surgir um percurso negativo que nos leve a derrotas que mantenham mais aceso o campeonato.

O Olhanense ainda não perdeu em casa na Liga. Como encara este jogo?

São deslocações sempre complicadas, mas não é a primeira vez que nos deslocamos a este tipo de campos com adversários nestas circunstâncias, com um bom recorde de jogos em casa, com poucas derrotas, ou nenhuma neste caso, o que nos coloca perante mais um desafio difícil nesta Liga que vai caminhando para o fim e na qual queremos estar focados. Encaramos este jogo com grande motivação, tendo em conta que o que fizemos em Braga, e com o máximo respeito para com Olhanense, até pelo salto qualitativo que deu da época passada para esta. O treinador [Daúto Faquirá] está a fazer um trabalho maravilhoso e sem dúvida que deve ser valorizado. Portanto, apesar de todas estas dificuldades, estamos motivados para garantir a vitória em Olhão.

Como analisa o estado de espírito dos jogadores a seguir ao jogo com o Sevilha?

Na nossa análise, após a primeira mão, fizemos alusão a que a eliminatória ainda não tinha terminado, ao contrário das expectativas que se viviam. O Sevilha colocou-nos um desafio extremamente complicado e soubemos geri-lo, reduzindo ao mínimo as oportunidades deles. Mas, infelizmente, não conseguimos chegar ao golo. Nos minutos finais, com dez jogadores e as alterações que achámos necessárias, fizemos tudo para seguir em frente. A derrota tem pouco peso, porque são os dois jogos que contam e o grupo está feliz por passar à fase seguinte.

Frente ao Sevilha, Falcao e Álvaro Pereira regressaram à titularidade, debeladas que foram as respectivas lesões. O FC Porto foi atenuando como pôde a ausência, mas, como se percebeu com o Sevilha, o benefício de os ter no onze é evidente. "Tal como já disse na antevisão do jogo com o Sevilha, neste momento temos o Rafa fora e estamos satisfeitos por os outros estarem todos disponíveis. Termos o Falcao e o Álvaro de regresso é um tónico para nós, digamos assim", reconheceu o técnico portista. Com Falcao no ataque, nota-se que o FC Porto recuperou uma referência importante. "Acreditamos cegamente no nosso trabalho de recuperação. Fisicamente, o FC Porto tem estado impressionante e tem recebido do estrangeiro elogios, porque em Portugal tentaram colar o rótulo de que estaríamos mal fisicamente, o que é uma barbaridade. Por isso estamos tranquilos", sublinhou Villas-Boas.

Esta semana continuou o Benfica-FC Porto em declarações. Não está cansado desta troca de piropos?

Se calhar em Lisboa fizeram essa mesma pergunta ao técnico do Benfica, trocando apenas a ordem dos intérpretes. Portanto, não vale a pena estarmos constantemente a dar capas de jornais e aberturas, ou manchetes, que não têm significado. Fazemos o nosso trabalho em campo. O Benfica está a um nível excelente, o FC Porto também, e vamos resolvendo dentro de campo os desafios que temos pela frente, crentes, ambos, embora uns mais distantes do que outros, no atingir dos objectivos.

No último jogo, o FC Porto falhou várias oportunidades de golo e nos minutos finais houve mesmo muito nervosismo nas bancadas do Dragão. Terá esse ambiente afectado os jogadores? "Não sei se quero responder, ou entrar por aí. Temos três derrotas no Dragão. Se isso gera ansiedade emocional nos adeptos? Parece-me que sim. Se podemos ter mais ou melhores emoções a partir do estádio? Penso que não. O Dragão, na sua plenitude emocional, é fortíssimo e incomoda qualquer equipa; é nisso que quero acreditar. Se houver necessidade de despertar mais os adeptos, nós é que somos responsáveis por isso e temos que o fazer. Mas, caminhamos para o ambiente ideal. O FC Porto sofre da necessidade de ser campeão, é um desejo absoluto. Esse 'zum-zum' que se sentia contra o Sevilha era normal, tendo em conta o que se passava em campo pela frustração de ver falhar oportunidades claras. Vamos pôr esse jogo de parte e não atribuir um padrão a esse comportamento. Surpreende-me que não me tivessem confrontado com isso mais cedo. Contra o Nacional, tal como contra o Sevilha, houve domínio e muitas ocasiões falhadas que nos levaram à derrota. Contra o Benfica errámos demasiado e pagámos caro, eu acho, com um golo aos seis minutos e outro aos 26, o que nos deixou com pouca margem de manobra. No Estádio da Luz tudo pode acontecer também".

Os japoneses continuam interessados no FC Porto e, particularmente, em André Villas-Boas. Esta é, aliás, a segunda visita de jornalistas nipónicos ao Olival. Desta vez, foi o canal televisivo WOWOW a acompanhar a conferência de Imprensa . "O seu nome já é bem conhecido no Japão, o público admira-o muito por ser jovem e apresentar já bons resultados. Depois de ter trabalhado com José Mourinho, quais são as influências que acha tem dele?" A primeira questão não deixou dúvidas quanto ao ângulo de abordagem dos enviados do canal. Villas-Boas reconheceu ter em José Mourinho uma personagem fundamental na sua carreira, mas repartiu méritos:"Foi fundamental porque bebi dele grandes ensinamentos, mas todo o meu percurso foi partilhado com uma série de pessoas, muitas delas ainda neste clube. Agora decisivo creio que não, porque quero acreditar que o que faço vem do meu conhecimento e da experiência que vou adquirindo", explicou Villas-Boas ao WOWOW.


António M. Soares n' O Jogo.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

André Villas-Boas - Não há crise nenhuma

O FC Porto tem 29 triunfos esta temporada, em 35 jogos, mas não venceu os últimos dois encontros, tendo sido afastado de uma prova e comprometido a presença na final de outra. Perante estes factos, Villas-Boas tratou de afastar categoricamente o cenário de crise no universo portista e até carrega na pressão. Se não vencer o Rio Ave é "porque alguma coisa está mal". Assumindo um discurso de desdramatização da derrota no clássico e da eliminação na Taça da Liga, o técnico elogiou Sereno, garantiu não ter qualquer problema com Fucile e confirmou que ainda não conta com Falcao.


A derrota no clássico abriu feridas na equipa ou só vai perceber isso depois deste jogo?
Parece claro que há uma tentativa de criarem as feridas, nem digo de as abrir, porque estão bem fechadas. Nem a eliminatória está perdida, nem isto abala a nossa confiança ou o trabalho que temos feito. Há que continuar a acreditar. É uma derrota importante, porque não gostamos de perder em nossa casa, mas não vai abalar o nosso percurso. O compromisso imediato é o campeonato e depois vamos focalizar-nos no Sevilha.

Mas, pela primeira vez, o FC Porto não venceu dois jogos seguidos. Nesse sentido, os próximos compromissos são decisivos para afastar o fantasma da crise?
Para nós, de forma alguma, está instalado um cenário de crise. Estão prontos para nos espetar esse rótulo, mas contrariamos isso com rendimento desportivo e continuidade de vitórias, que é o que temos mais esta época. Foram dois jogos em que não conseguimos, mas tentámos. De uma forma menos conseguida com o Benfica, porque não fomos tão criteriosos como costumámos ser, permitimos muito poucas oportunidades. Foi o jogo, esta época, com menos remates: apenas seis do Benfica, quatro à baliza; e 13 nossos, dois à baliza. Fomos pouco clarividentes, mas há que desligar do insucesso e ligar de novo ao sucesso com o Rio Ave e o Braga.

Foi mais difícil treinar nestes últimos dias?
Obviamente que a recuperação física e mental a seguir a uma vitória é mais fácil. Ontem [quinta-feira] tivemos uma sessão muito ligeira, com jogos recreativos para animar o lado emocional e hoje [ontem] trabalhámos um pouco mais a nível estratégico. Amanhã será o lado mais táctico. Mas já há níveis de confiança.

Das cinco competições, uma já foi (Taça da Liga) e outra está hipotecada (Taça de Portugal). Isto serve de alerta para o que resta da época?
Não quero hipotecar de forma alguma a Taça de Portugal. Se o resultado da Supertaça foi inesperado, o da primeira volta no Dragão também e este igualmente. Portanto, por que não poderá o inesperado acontecer na Luz? A Taça da Liga estava comprometida desde a primeira jornada, mas não perdemos a competição principal, não perdemos a Liga dos Campeões nem fomos repescados para outra competição. É evidente que queremos ganhar um dia esta prova [Taça da Liga] pela primeira vez. Restam-nos competições muito importantes.

Concorda que houve algum desgaste físico na segunda parte do clássico?
Discordo em absoluto. Devido à carga de Janeiro, a equipa mostrou-se extremamente fresca. Foi pouco clarividente em termos de organização, teve falta de concentração que a impediu de tomar as melhores decisões, mas nada com o físico.

A exigência do público poderá ter afectado a equipa?
Não. As claques têm sido fundamentais em casa e fora, e os adeptos em geral também. O público do Dragão é sempre exigente, sofremos um golo aos 6', num clássico, e é normal que isso aumente a ansiedade. Não penso que tenha ajudado à intranquilidade e não foi por aí que o clássico se resolveu.

O FC Porto vai ganhar ao Rio Ave?
É a sua obrigação. Se não o fizer é porque alguma coisa está mal.

Que perigos identifica no adversário?
O Rio Ave é uma equipa construída há muitos anos pelo Carlos Brito. No ano passado, teve alguns resultados negativos que a deixou numa posição desconfortável. No entanto, está regularmente na primeira divisão. É uma equipa bem organizada, combativa, com num bloco curto baixo e saídas rápidas para o ataque com muito critério, não só através dos alas como do João Tomás, que liga bem com os médios. Vai criar-nos dificuldades.

Já decidiu quem vai jogar no lugar do Belluschi?
Tenho em mente. Mas amanhã [hoje] é que será decidido.

E o Hulk vai continuar no centro?
O Falcao ainda não terá hipóteses neste jogo, perspectivamos o Braga como regresso às convocatórias e depois decidiremos se joga tendo em conta o rendimento dele. Amanhã [hoje] joga o Hulk ou outro dos que estão disponíveis.

Houve bluff com Falcao no clássico ou passou-se alguma coisa no processo de recuperação?
A variabilidade que o Falcao oferece em relação aos outros atacantes é grande e apostámos uma carta nesse sentido. Se a comeram ou não é indiferente agora com o resultado feito.

Elogiou as actuações do Sereno, vai mantê-lo no lado esquerdo?
Gostei dele nesses jogos e, sem entrar muito pela prestação individual, parece-me claro que, para um jogador com poucas oportunidades e pouca rotina da função, esteve muito bem. Teremos de equacionar o que será melhor para a equipa.

E quando pensa ter Álvaro Pereira?
Provavelmente apenas para o Braga ou o Sevilha.

Que se passou com Fucile e as declarações no Facebook?
É importante que os clubes estejam a par do que cada jogador exprime, das suas páginas oficiais e não oficiais. Acredito nas palavras do Fucile, que disse nada ter a ver com isso. Foi um mal-entendido que está esclarecido e bola para a frente. Procuramos potenciar os jogadores do plantel e conseguimos isso, mais com uns do que com outros. O Fucile, como homem decisivo no Mundial, é a quem temos prestado mais atenção e queremos tê-lo de volta a um nível elevado. O plantel é competitivo, há grande intensidade e competitividade, neste caso entre ele e o Sereno, que fez um jogo bem conseguido em Barcelos e ainda melhor no clássico. Apesar das lesões, ainda temos boas alternativas.

O Falcao também usa muito as redes sociais. Que pensa dessa utilização por parte dos jogadores? Pensa falar com eles para que tenham mais cuidado?
Não. A vida social diz-lhes respeito apenas a eles. Enquanto for usado como um instrumento social que é perfeito. Qualquer um gosta de partilhar as suas vivências do trabalho, mas sempre com o máximo respeito pelos companheiros e pelo clube.

Tem conta no Facebook?
Por acaso, não.

Confiança total nas capacidades de Walter

Villas-Boas não está arrependido de não ter levado Walter para o banco na partida com o Benfica, da mesma forma que assegura ter total confiança no jogador. O problema, dele, é a forte concorrência. "Não posso desligar do que tenho vindo a dizer: são sete os avançados que temos. O Walter já esteve de fora de outras convocatórias e esta pergunta repete-se a cada conferência. Tenho total confiança nas suas capacidades e tem havido alternância em todas as posições. Todos têm minutos e oportunidades, mas uns agarram melhor do que outros. O Walter anda à procura de mais e isso é positivo", considerou, sem revelar se conta com o Bigorna para o encontro de amanhã.

Lima? Aprecio, mas desminto

Villas-Boas desmentiu interesse em Lima, do Braga, que O JOGO escreveu ontem ter sido apalavrado com os minhotos para a próxima época. O técnico negou a notícia, mas acabou por admitir que se trata de um jogador que admira. "Aprecio o jogador, mas desminto a notícia". Ainda em relação ao mercado, Villas-Boas explicou por que não quis outro lateral-esquerdo. "Fomos afectados pela lesão do Rafa perto do fecho e acabámos por transmitir confiança ao plantel porque acreditamos nas competências que temos. Isso dá um panorama bom sobre o que foi decidido em Julho", referiu.





Carlos Gouveia n'O Jogo.