quinta-feira, 7 de abril de 2011

Liga Europa - Porto vence

FCPorto 5 - Spartak 1.


Amanhã de manhã com nova letra

Liga a rega apaga as luzes
Mouro porque tás chateado?
É por causa do frango do roberto
Ou do Jesus ser nabo?
 
Vem lampião a noite é uma criança
e depois quem perde por gosto não cansa
 
Amanha de manhã
 
Tu vais acordar e ficar a ouvir
O porto a festejar, o villas boas a rir
Tu vais ficar com um grande melão
Bater na mulher, na sogra e no cão
 
Dos teus lençóis e colcha de lã
não vais querer sair amanha de manhã
Fecha os olhos esquece o tempo
nesta festa sem fim
Não te chateies não vale a pena
O Porto é mesmo assim
 
Vem lampião a noite é uma criança
e depois quem perde por gosto não cansa
 
Amanha de manhã
 
Tu vais acordar e ficar a ouvir
O porto a festejar, o villas boas a rir
Tu vais acordar e perceber então
Este ano o Porto é campeão
 
Dos teus lençóis e colcha de lã
não vais querer sair amanha de manhã
 
Tu vais acordar e ficar a ouvir
O porto a festejar, o villas boas a rir
Tu vais acordar e perceber então
O Porto é outra vez campeão
 
Dos teus lençóis e colcha de lã
não vais querer sair amanha de manhã

Capas de 7 de Abril de 2011


André Villas-Boas - Importante é estarmos na final

A festa da conquista do título no Estádio da Luz ainda nem teve tempo de arrefecer e já André Villas-Boas apela à concentração para a Liga Europa. Contrariando os analistas que apontam o FC Porto como favorito à conquista deste troféu, o técnico azul e branco refreou ânimos e chamou a atenção para aspectos a levar em conta nesta eliminatória.

A festa acabou ou receia que ainda possa prejudicar a abordagem deste jogo?

Não deve ser problema, porque houve tempo suficiente para a recuperação. Mais importante será gerir a saída de um ambiente de festa para outro extremamente competitivo, porque o Spartak traz um desafio ainda mais aliciante. O Spartak é uma equipa que joga num estilo parecido com o nosso, privilegia o toque e a posse, futebol bem jogado e velocidade de circulação, portanto há uma série de factores que nos deixam em alerta, ao contrário da expectativa exagerada de favoritismo.

Mas sentem o peso desse favoritismo?

É indiferente. Já caíram grandes equipas nesta competição, de favoritas passaram a eliminadas. Não serve para nada fazer previsões, o importante é estar na final.

Vai controlar a euforia que se gerou com a conquista do título ou vai canalizá-la para motivar os jogadores para este jogo?

São competições diferentes. Estamos nos quartos-de-final e ambicionamos a passagem às meias-finais. Para que isso aconteça, tem de haver compromisso e exigência total, e é esse equilíbrio entre a passagem da euforia para a competição que temos de ter em conta. Temos um objectivo que queremos atingir, e a dificuldade que nos pode colocar o adversário chama a atenção para estarmos no máximo. Temos de nos concentrar para o jogo.

Esta equipa do Spartak é melhor ou pior do que a do CSKA?

Não me posso permitir fazer essa comparação. São ambas equipas fortes. Esta vem da Champions, com resultados estrondosos fora de casa, e cria-nos um desafio importante; basta olhar para os resultados de Marselha, Ajax, Zilina e Basileia.

Depois de estudar os russos, que jogadores terá mais em atenção?

Como já disse, o Spartak joga bem. Têm um trio de brasileiros no meio-campo que gosta de trocar a bola. O ponta-de-lança gosta de diagonais curtas e de se mover em espaços reduzidos. McGeady é um irlandês poderoso com os dois pés e pode criar problemas a vir do interior. Têm dois laterais que jogam muito a partir das suas posições, dois centrais que sabem construir bem com bola, defendem com um bloco muito compacto e curto e aspiram a estar na final. Portanto, não são uma equipa qualquer e, para o FC Porto passar, terá de se esforçar ao máximo.

Obrigação de ganhar é igual depois da Luz

A julgar pelas palavras de André Villas-Boas, o sabor da vitória na Luz só contribuiu para aguçar o apetite, apesar de reconhecer que todas as equipas ainda presentes na Liga Europa alimentam o mesmo sonho.

Depois do título na Luz, há uma mensagem diferente e para se ir mais longe na história?

As nossas obrigações não mudaram por termos ganho o campeonato. Temos a possibilidade de nos focarmos nesta competição de uma forma mais agressiva, mas o objectivo esteve sempre definido quando entrámos nesta competição. Obviamente queremos chegar longe, mas nesta fase o factor motivacional conta, não há mensagem nova, mas todas as equipas que chegaram a esta fase acreditam ou sonham com a final. As mensagens são claras, quer seja de Benfica, Braga, FC Porto etc., e são legítimas, porque se está a um pequeno passo da final e qualquer equipa alimenta o sonho. Para nós, é importante passarmos da euforia à concentração de novo.

"Vamos tentar repetir 2002/03"

Servindo-se do exemplo de 2002/03, o técnico garantiu que há sede de vitória.

Começar a eliminatória em casa é uma desvantagem?

Não. Já debatemos este tema do jogo em casa por nos ter surgido durante a fase de eliminatórias. Mas na história do FC Porto, quando venceu a Taça UEFA e a Champions, jogou em casa e depois resolvia as eliminatórias fora. Vamos servir-nos desses exemplos e acreditar que somos tão competitivos em casa como fora, porque o nosso registo este ano até é superior fora de casa.

Dadas as notícias de clubes interessados, consegue prometer que será treinador do FC Porto na próxima época?

Não sei se é interesse. É mais especulação que acontece com qualquer um de nós nesta função, o que me dá perfeitamente igual. O sucesso não é meu, é de todos nós, e quem ganha uma vez tem sempre vontade de ganhar outra. Vamos viver o título com esse sabor especial, mas agora é outra competição, outras motivações. Vamos tentar repetir o que aconteceu em 2002/03, e isso exige de nós o máximo. A sede de ganhar está presente em cada um destes jogadores.

Sapunaru não está convocado...

Não há problema algum, apenas opções, como vão poder ver amanhã [hoje]. Achámos que era importante ter Souza e Walter de regresso neste jogo, porque têm trabalhado de forma inexcedível. O ambiente competitivo no plantel é muito agressivo, e todos merecem estar nas convocatórias, mas é difícil entrar. Falei com Sapunaru e com Rúben sobre isso, porque está na altura de dar uma oportunidade a quem tanto e tão bem trabalha, como Walter e Souza, mas também Kieszek, Mariano e Sereno. Tem de ser assim nesta altura, sem nunca pôr em causa as questões estratégicas.



António M. Soares n' O Jogo

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Comunicado do FCPorto

OS MENTIROSOS

Pode enganar-se toda a gente durante um certo tempo, pode mesmo enganar-se algumas pessoas todo o tempo, mas nunca se conseguirá enganar toda a gente sempre. Vem isto a propósito de mais uma mentira cirurgicamente posta a circular nos últimos dias pelo habitual ministério da propaganda com o simples objectivo de limpar a imagem de quem não tem vergonha e, ao mesmo tempo, manchar a imagem do FC Porto.
E o que diz a nova propaganda que na noite de segunda-feira chegou ao programa Dia Seguinte da SIC Notícias e que ontem prosseguiu no programa Trio de Ataque da RTPN? Simples, que o FC Porto apagou a iluminação do Estádio do Dragão logo após o final do jogo com o Benfica, para a Taça de Portugal, disputado a 2 de Fevereiro, com o objectivo de impedir os jogadores adversários de festejarem a vitória com os seus adeptos.
É mentira e quem o diz, caso não se retrate, só tem um nome: mentiroso. O objectivo, está bom de ver, é mitigar os efeitos da transformação do Estádio da Luz no Estádio das Trevas no último domingo. Correu-lhes mal, queriam impedir a festa, mas apenas a tornaram ainda mais inesquecível e planetária, tantas as notícias que correram o mundo, porque, como diz o outro, para alguns “o fair play é uma treta”. Agora, andam desesperados, a inventar mentiras. Só que nós estamos atentos e vigilantes e havemos de os denunciar sempre.
A atestar a verdade podem ser questionados os senhores Álvaro Albino, secretário-geral da Federação Portuguesa de Futebol e benfiquista, e Rui Pereira, chefe de segurança do Benfica. Ambos, na companhia de Luís Silva, Director de Campo do FC Porto, deslocaram-se mais de uma hora depois do final do jogo e já depois da saída do estádio dos adeptos do Benfica, ao sector visitante para contabilizarem os estragos causados pelas claques ilegais do Benfica. Estes senhores podem atestar que nessa altura as luzes continuavam ligadas. Mas com certeza que também os próprios jogadores do Benfica – ou a polícia –, podem atestar que a iluminação se manteve a funcionar.
Sejamos razoáveis. Alguém no seu perfeito juízo acredita que caso a iluminação do Estádio do Dragão tivesse sido desligada um décimo de segundo antes do habitual o assunto não tivesse sido de imediato denunciado à UEFA, à FIFA e ao Conselho de Segurança das Nações Unidas? Que não tivesse reunido o comité de emergência, constituído por notáveis das artes, do jornalismo, da política (só faltam mesmo os entendidos em futebol), que um ou mais ministros não tivessem já recebido em pomposa audiência o presidente e o seu arcanjo da guarda? Claro que não.
Já não há pachorra para estas mentiras sucessivas, num decalque da propaganda nazi que acreditava que uma mentira repetida mil vezes se tornava verdade. Não torna, nunca tornará, e o FC Porto não permitirá que uns quaisquer que não sabem perder – apesar da vasta experiência na matéria – possam beliscar o clube que tanto invejam.
A vida é como os interruptores, uns dias para cima, outros para baixo, mas no FC Porto continuamos “on” como o clube de toda a Europa com mais troféus no sec. XXI.
PS: O FC Porto equipa de azul e branco, toda a gente o sabe. Recusou, é verdade, entrar em campo com crianças equipadas à Benfica, porque, também toda a gente o sabe, sempre que se fazem este género de iniciativas, equipam-se as crianças com os equipamentos dos dois clubes e cada um entra em campo com as crianças com as cores adversárias. O Benfica recusou-o, como confirmou através da chamada telefónica que fez ontem para o programa Trio de Ataque. E dizer que tinha proposto, como alternativa, camisolas brancas ou cinzentas só mostra hipocrisia. A última coisa que esperávamos era que se instrumentalizassem crianças, mas há, de facto, quem não tenha limites à estupidez.

Capas de 6 de Abril de 2011

Jorge Maia: Justiça cega, surda e muda

O Benfica vai pagar 1500 euros pelo apagão no Estádio da Luz após o clássico do último fim-de-semana, numa altura em que o FC Porto festejava no relvado a conquista do seu 25º título de campeão nacional. Não é a primeira vez que o digo, nem sequer fui o primeiro a dizê-lo e também não serei certamente o último, mas os regulamentos pelos quais se rege a justiça desportiva em Portugal são um dos principais obstáculos ao exercício da mesma. Claro que, tendo sido aprovados pelos clubes, não seria de esperar que fossem particularmente duros em relação àqueles, mas também não deveria ser aceitável que se transformassem numa espécie de convite à infracção. Punir o Benfica com 1500 euros de multa por um apagão que colocou em causa a segurança de milhares de pessoas no final de um jogo de alto risco é uma manifestação clara da impotência da Liga para disciplinar os seus associados e proteger o espectáculo. Mais do que isso, representa um sinal para todos os clubes que o mau-perder compensa.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Jorge Maia: Irresponsabilidade criminosa

Há um pouco mais do que mau perder e falta de fair-play naquele apagão que deixou o Estádio da Luz às escuras enquanto o FC Porto fazia a festa do 25º título da sua história ali, mesmo entre o ventrículo direito e o ventrículo esquerdo do coração da nação benfiquista. Há um pouco mais do que falta de inteligência e profissionalismo por parte de quem não conseguiu perceber, a priori, que apagar a luz naquele estádio, depois de uma derrota frente ao maior rival, era o caminho mais curto para um lugar de destaque no anedotário nacional. Há, em tudo aquilo, mais do que uma clara demonstração de profunda e irremediável tacanhez própria de gente aflita com complexos de inferioridade. Há, também, uma considerável dose de irresponsabilidade criminosa por parte de quem coloca em risco a segurança de milhares de adeptos, jogadores, dirigentes e agentes de segurança com um gesto tão cobarde e perigoso como é o arremesso de pedras ou bolas de golfe. A diferença, é que neste caso não estamos a falar de adeptos, mas de dirigentes. Quer dizer, devia haver uma diferença, não?

Hulk: Agora, venha a Liga Europa

Se havia um herói que os adeptos gostariam de ver como protagonista na Luz era Hulk. O Incrível fez-lhes a vontade e entra para a história como o marcador do golo do título em casa do arqui-rival. Em conversa com o O JOGO, o brasileiro assegurou que não pensou em qualquer tipo de vingança quando subiu ao relvado e muito menos se lembrou do caso do "túnel" quando fez balançar as redes de Roberto. "Não entrei com nenhuma mágoa especial, nem rancor pelo que sucedeu no ano passado. O que aconteceu é para esquecer. Fui injustiçado, mas coloquei sempre tudo na mão de Deus . Voltei bem a este estádio e o presente foi a vitória no campeonato. O meu pensamento era jogar apenas e ser campeão, o que aconteceu. Fico feliz por ser outra vez campeão no FC Porto, ainda mais no campo do Benfica. E estou muito contente por ter feito o golo do título, mas os parabéns são para todos", referiu.

O dia seguinte à espiral de emoções que começou no relvado da Luz e terminou no varandim do Dragão foi passado a descansar e com a família. "Foi um dia normal. Não podíamos exagerar na comemoração porque há jogo já na quinta-feira e muito importante. Aproveitei a folga para dormir um pouco e estar junto da minha família e dos meus amigos". Voltando à festa, o brasileiro admitiu que "não imaginava" como seria abrir o champanhe na Luz. "Claro que tem um gostinho diferente, bem mais doce. É o mais saboroso da minha carreira. A partir do momento em que tínhamos esta hipótese focalizámo-nos e concretizámos esse objectivo", referiu, brincando com o apagão no estádio. "Foi pena terem apagado as luzes, mas as nossas caras ficaram na mesma bem nas fotografias e a água que lançaram até deu para um bom banho".

Lançados os foguetes e apanhadas as canas, a hora de voltar a reunir. "Agora o objectivo é terminar sem derrotas para ficarmos invictos. Esta manhã começa a preparação do jogo com o Spartak. "Vamos enfrentar com toda a seriedade porque também aí queremos ser campeões", atirou, sem esquecer a Taça de Portugal. "Voltaremos à Luz dentro de 15 dias e com um resultado negativo, mas a equipa sabe que pode dar a volta. Se formos com humildade, dedicação, acredito que podemos dar a volta", concluiu.


Se surgir uma coisa boa para mim e para o clube...

Hulk tem a cláusula de rescisão mais alta do futebol nacional - 100 milhões de euros - e está a realizar a melhor época desde que chegou ao FC Porto, traduzida em 21 golos só no campeonato. Pelo meio foi chamado ao "escrete" pelo que é natural questionar o avançado sobre o que se segue na carreira. "Tenho mais três anos de contrato com o FC Porto. No momento, pretendo cumprir esse contrato, mas se surgir alguma coisa que seja boa para mim e para o clube, de certeza que se vai concretizar. Mas se ficar no FC Porto ficarei feliz porque é um clube que me recebeu de braços abertos e me deu sempre muito apoio e poderei ganhar muitos mais títulos", sublinhou, acrescentendo que não trocará os dragões por qualquer coisa. "O meu futuro deixo nas mãos dos meus agentes e do FC Porto. Para sair só se for para uma coisa muito melhor porque sinto-me bem na cidade do Porto e no clube", salientou.


Não esqueceu Castro e Ukra, nem... os cozinheiros

Hulk tentou não se esquecer de ninguém quando O JOGO o convidou a dedicar o golo e o título conquistado no Estádio da Luz. Dedico a todo o plantel, à comissão técnica, médica, ao roupeiro, à tia da cozinha e aos cozinheiros. A todos. Sem esquecer os jogadores que não foram convocados para este clássico e que nos têm ajudado", acrescentou. E mesmo os que saíram do clube no mercado de Janeiro, mas que ajudaram, nem que tenha sido por poucos minutos, também foram destacados. "O Castro e o Ukra também têm direito a festejar porque fazem parte deste grupo. Este título é nosso e deles", finalizou.


Carlos Gouveia n' O Jogo.

Capas de 5 de Abril de 2011

Humor de Luís Afonso

António Simões n' A Bola

Miguel Sousa Tavares n' A Bola



Liga Zon Sagres - resultados e classificação após a 25.ª jornada


sábado, 2 de abril de 2011

Capas de 2 de Abril de 2011


André Villas-Boas - Festejar na Luz teria um sabor diferente

Aos 33 anos, e a um pequeno passo de tornar-se campeão nacional no primeiro ano completo de treinador, André Villas-Boas deu uma imagem de grande tranquilidade. Afastou os festejos antecipados e incluiu o Benfica na luta pelo campeonato. Assim, o título tem mais sabor. Críticas só à decisão de proibir a entrada aos adeptos portistas equipados... normalmente.

Amanhã o FC Porto tem um jogo complicado, mas com algo a acrescentar, que é a possibilidade de chegar ao título. Como tem sido esta semana e se tem sentido alguma ansiedade especial?

Em termos de ansiedade, só um pouco antes do jogo é que poderemos ter uma noção mais exacta de como nos sentimos, mais ou menos ansiosos, mas não é isso que vai afectar o nosso rendimento desportivo. De resto, foi uma semana diferente, muito condicionada pelo regresso tardio dos jogadores que estiveram nas selecções. Hoje, finalmente, conseguimos fazer um treino normal, com todos os disponíveis. Quanto ao resto dos dias, alguns jogadores estiveram em recuperação e outros a treinar em absoluto. Não quero dizer que se tivesse sido uma semana normal teríamos trabalhado melhor, porque acreditamos no que fazemos e, apesar da escassez de treinos, a identidade está intacta. Mas a realidade é que só hoje pudemos juntar todos os jogadores. Amanhã [hoje] faremos os últimos ajustes estratégicos para o jogo.

Qual é a importância real de festejar o título no Estádio da Luz?

Não é nenhuma obsessão em particular. O mais importante é o campeonato e, não acontecendo na Luz, queremos festejar o mais rapidamente possível. É o principal objectivo. Sempre foi. O sentimento dos adeptos é legítimo, e sem dúvida que festejar na casa de um rival teria um sabor diferente, embora não seja uma novidade. Já aconteceu com Siska [1939/40]. Mas claro que há esse sentimento de que seria um feito importante e os jogadores também sentem isso. Não pode é ser uma obsessão; a obsessão é com o objectivo principal, que queremos atingir o mais cedo possível.

Mas o contexto de ser campeão na Luz não lhe é indiferente...

O mais importante é distanciarmo-nos um pouco do título atribuído à partida. É inútil fazer as contas de um FC Porto campeão, é inútil atribuir-se o título ao FC Porto e a estes jogadores quando ele não está conseguido. Se houver um atraso na Luz, teremos de trabalhar mais para conseguir alcançá-lo. Matematicamente não há título e o Benfica ainda está na luta. Sempre acreditámos nisso e transmitimos essa mensagem. A realidade é que chegámos a esta jornada com esta diferença pontual, enquanto outros esperavam outro cenário. O Benfica alimentou sempre a esperança de voltar a conseguir ser campeão. As mensagens foram claras durante toda a época, na antevisão dela e no fim da época anterior. Enquanto assim for, queremos ter o nosso sonho do título e queremos roubá-lo ao campeão nacional.

Sendo portista, dá-lhe um gozo especial ser campeão na Luz?

Logo que tenhamos o título será festejado da forma mais natural possível. O importante não é a previsão dos festejos, porque faltam 90 minutos de um jogo bastante emocional, de grande intensidade e de grandes organizações, entre duas equipas que estão a ter épocas absolutamente fantásticas. Fomos progredindo juntos na Liga Europa e na Taça de Portugal. No campeonato é o que é. O Benfica é um excelente desafio e é óptimo termos esta oportunidade de chegar ao título, mas não é uma obsessão.

Com o Benfica mais concentrado na Liga Europa, acredita que Jorge Jesus pode poupar alguns jogadores? E está a pensar também poupar algum jogador?

Não faz sentido. Da nossa parte não o faremos. Cada encontro é o mais importante. Em relação ao treinador do Benfica, percebo onde quer chegar, que leva imediatamente a uma resposta, que é também o seu pensamento. O treinador do Benfica teve a declaração que teve com o Portimonense, mas seguramente não se permitirá ao luxo de fazer o que fez nesse jogo. O significado de um FC Porto campeão no Estádio da Luz é o que é e, portanto, não sou eu que vou ditar as escolhas de Jorge Jesus. Mas parece-me pouco provável [que poupe jogadores].

Então que Benfica espera na Luz? E esta agressividade latente entre dirigentes e adeptos de que forma pode condicionar o jogo?

Os clássicos são quentes por natureza. Sempre foram. É uma rivalidade que é cultural. Acho que é isso que mantém vivo o interesse por cada campeonato e cada clássico. Não é nada de novo e diferente em relação a outros anos. E acho que tem pouca importância para quem trabalha para ganhar jogo a jogo. Espero o mesmo Benfica que luta em todas as competições, mesmo fora da Liga dos Campeões e da Supertaça. É uma das equipas de topo da Europa, que alimenta como nós o sonho da Liga Europa e também alimenta, como acredito, o sonho do campeonato nacional. Porque tudo pode acontecer. O imprevisível acontece quando menos se espera. Nesse sentido, espero um Benfica de topo, difícil de vencer e um Benfica campeão nacional, com aspirações a ser bicampeão nacional.

Espera alguma surpresa no onze do Benfica?

É imprevisível. Tentamos fazer o nosso estudo de acordo com o que perspectivamos, mas não sei o que se passará na cabeça do Jorge Jesus, nem que equipa vai apresentar. Desconfiamos de algumas coisas, mas não faço uma ideia concreta. Qualquer onze que apresente será de alto rendimento desportivo e alto talento individual, de acordo com os investimentos época após época.

Olhando para as estatísticas da Liga, o FC Porto domina. O que significa isso para um clássico?

Acima de tudo transmite uma identidade muito forte que estes jogadores conseguiram implementar. Mérito total dos jogadores para abordar uma nova forma de jogar. Mas, se me permitem dizer algo, chamar ao FC Porto uma equipa de transição é algo aberrante quando temos o melhor ataque e a melhor defesa. Quando a equipa joga, e ganha continuamente, em posse de bola, algo que tem um significado especial para esta equipa técnica. Isto reflecte a nossa identidade e cultura de posse de bola, reflecte o privilégio pelo jogo apoiado, curto e bem jogado. É uma aberração chamar ao FC Porto uma equipa de transição. É algo fora do normal.

O que vai dizer aos jogadores na palestra?

Não vamos pedir nada de mais. Obviamente, o emocional deste jogo vai levá-los para patamares motivacionais intensos, possivelmente ou não de ansiedade. Será decisiva uma boa entrada em campo, de ambas as equipas, e acima de tudo que seja um bom espectáculo.

O Benfica proíbe aos adeptos do FC Porto a entrada com bandeiras, tarjas e outros adereços. Que comentário lhe merece a decisão e se vai aproveitá-la para motivar mais os seus jogadores?

O assunto também diz respeito à legalidade das claques, do qual percebo pouco, mas pelo menos estamos felizes porque as nossas são legais. Será talvez a segunda pior decisão antifutebol que o Benfica toma. A primeira foi dizer aos seus adeptos para não apoiarem a equipa fora de casa. Esta decisão vem na continuidade dessa. É mais uma medida antifutebol e não é nada de surpreendente.

Vai ter alguma conversa especial com Hulk e Sapunaru?

Não, penso que não. São jogadores de grande talento e controlo emocional. O que se passou, ou não se passou, é passado. Os jogadores estão conscientes do que têm de fazer em campo e isso é que faz a diferença.

O Benfica conseguiu ser superior no último clássico, para a Taça de Portugal. Que lição retirou desse jogo e o que vai fazer para contrariar uma eventual nova supremacia do Benfica?

Já debatemos esse jogo vezes sem conta. Não retiro uma vírgula ao que disse, isto é, o Benfica entrou superior, agressivo e o FC Porto pagou caro os erros que teve. E tivemo-los muito cedo no jogo. O primeiro golo condicionou o resto de toda a partida. Não foi um jogo diferente do habitual, porque fomos totalmente dominadores, embora sem criar oportunidades com a fluidez habitual. Mas fomos dominadores em termos de controlo do jogo. O Benfica chegou ao 2-0, as coisas estavam difíceis e, com alguma infelicidade, não matou a eliminatória, valendo a defesa do Helton aos 86 minutos. Apesar do controlo, foi o jogo menos conseguido de sempre do FC Porto.

A gestão da titularidade do Guarín tem sido um assunto recorrente e agora foi Rúben Micael a marcar dois golos na Selecção. Como é gerir este assunto, com tantos candidatos à titularidade?

Gostava de apenas exemplificar com a forma como treinámos hoje, a um nível absolutamente fora do normal em termos de intensidade e agressividade. Acima de tudo, são estes jogadores que nos inspiram e motivam para trabalhar, de maneira a chegarmos ao sucesso. São eles que decidem por nós em campo, independentemente das escolhas que fazemos. Hoje treinámos a um nível fora do normal, com todos os jogadores muito competitivos e disponíveis. E não foi só o Rúben, que passou por um bom momento na Selecção. As dificuldades de escolha aumentam.

E a proximidade do jogo com o Spartak condiciona o clássico?

Não. Nem sequer peguei em nada do Spartak, nem sei quem joga à baliza... [risos] Estou a brincar.

Pressão que alivia

A possibilidade de Pinto da Costa sentar-se no banco do FC Porto, em detrimento do camarote reservado aos dirigentes da equipa adversária, está a ser ponderada. Possivelmente, só em cima da hora da partida é que se conhecerá a decisão do presidente portista, mas, para já, André Villas-Boas vai brincando com o assunto. "Mais pressão? Só se for sobre mim [risos]. O presidente é livre de escolher o que quiser", afirmou o treinador portista.

"Rendimento coerente e regular"

Para a IFFHS (Federação Internacional de História e Estatística), a equipa do FC Porto foi considerada a melhor do mundo no mês de Março. Villas-Boas registou a distinção com agrado, mas não lhe atribuiu valor para decidir o clássico. "É indiferente [no contexto do clássico]. Provou que o que fizemos em Março foi bom. O Benfica foi a melhor equipa do mundo em Janeiro, mas nós mantivemos o nosso rendimento desportivo de forma coerente e regular".

Que tudo corra bem a Duarte Gomes

Duarte Gomes vai estar pela primeira vez num clássico entre o Benfica e o FC Porto, depois de ter dirigido cinco jogos entre benfiquistas e sportinguistas. "A minha opinião é óptima. Espero que tudo corra bem a Duarte Gomes. É o que lhe desejo e que todas as decisões sejam correctas".

T-shirts de campeão e as escorregadelas

O treinador do FC Porto garantiu que não houve estampagem de t-shirts relativas ao título. "É muito fácil atribuir o título ao FC Porto e depois esperar por uma escorregadela. Na semana passada falámos do exemplo do Dortmund. Vou acreditando no imprevisível e vocês vão acreditando no que já está feito", afirmou.







Tomaz Andrade n' O Jogo.